(62) 3317 5500 • comercial@jornalcontexto.net

Entidade enfrenta dificuldade para atender doentes

Saúde Comentários 27 de janeiro de 2012

Doença marcada por tabus e preconceitos, hoje é totalmente curável com tratamento à base de medicamentos. Em Anápolis, o Morhan atende à colônia de doentes com sequelas e tem pouca ajuda


Neste domingo, 29 (último domingo do mês), conforme preconiza a Lei nº 12.135/2009, ocorrerá a passagem do Dia Nacional de Combate e Prevenção da Hanseníase, uma doença secular que, por muito tempo, foi cercada de tabus e preconceitos levando muitas pessoas a serem segregadas da sociedade. O preconceito e o medo não deixaram de existir, mas, hoje, a hanseníase não é mais um tabu, pelo menos, para a medicina, que conseguiu avanços no tratamento da doença.
Em Anápolis, o Movimento de Reintegração dos Hansenianos (Morhan) trabalha, há 20 anos, cuidando de pacientes que têm sequelas da doença. São, em sua maioria, pessoas de baixa renda e, muitas delas, abandonadas, até mesmo, pelas próprias famílias. Segundo o coordenador do Morhan, Carlos Tadeu, existem cerca de 60 famílias que viviam numa colônia segregada que dependem do trabalho filantrópico e voluntário que é desenvolvido pela entidade.
Até o início de dezembro do ano passado, o Morhan contava com repasse de recursos do Município, para ajudar nas suas despesas. Mas, de lá para cá, todo o trabalho vem sendo mantido apenas por doações da comunidade. Por mês, são gastas mais de duas mil ataduras para fazer curativos nos pacientes; mais de 10 mil peças de gaze; fraldas geriátricas; alimentação e as despesas administrativas. Uma estrutura considerável para atender a uma parcela da população pequena, na verdade, mas que muito necessita dessa atenção. Em média, o Morhan recebe 30 internos, fora as pessoas da colônia que vão em busca do atendimento: curativos, consultas e apoio assistencial, já que muitas famílias têm dificuldades de prover o próprio sustento, devido às limitações causadas pela enfermidade. “Depois de tanto tempo, não imaginava que fazer caridade fosse tão difícil”, relata Carlos Tadeu, que é enfermeiro e foi vítima da doença que, conforme observa, hoje é totalmente curável, sobretudo, quando o diagnóstico é precoce. Seu trabalho para atender à colônia de segregados no Bairro Paraíso, onde fica a sede do Movimento de Reintegração do Hanseniano, começou em 1992, contando, também, com a ajuda de voluntários e colaboradores.
De acordo com o coordenador do Morhan, assim que a pessoa identificar os primeiros sinais (manchas na pele e falta de sensibilidade) deve buscar o tratamento que é feito com poliquimioterapia, ou seja, um coquetel de medicamentos. Em 15 dias, o bacilo da doença se fragmenta e não é transmitido para outras pessoas. O tratamento demora, em média, de seis meses a um ano, dependendo do caso. Em casos esporádicos, pode levar, até, dois anos.
Carlos Tadeu ressalta que o Morhan cuida apenas dos portadores de hanseníase que têm sequelas. O Município tem um programa próprio para atender aos novos casos e dar o tratamento adequado aos mesmos. Na sua avaliação, a hanseníase ainda é um problema grave de saúde pública, mesmo porque, não há em grande parte das localidades, programas como em Anápolis e a Goiânia, que fazem um atendimento satisfatório. Com isso, pessoas que contraem a doença podem disseminá-la.

Como ajudar
O Morhan montou um serviço de telemarketing e, quando há doações, o dinheiro é buscado no domicílio do doador por um motoboy devidamente identificado. Mas, as pessoas que quiserem podem, também, fazer doações através de uma conta bancária em nome do Movimento de Reintegração dos Hansenianos no Banco do Brasil, agência: 0324-7, conta nº: 5017-2.


Números da hanseníase
No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, em 2010, foram registrados 34.894 casos novos da doença, sendo 2.461 (7,1%) em menores de 15 anos. O Coeficiente geral de detecção foi registrado em 18,2 casos para cada grupo de 100 mil habitantes. O coeficiente de detecção em menores de 15 anos ficou em 5,4/100 mil habitantes. No Estado de Goiás, ainda de acordo com informações do Ministério da Saúde, o número de casos novos registrados em 2010 chegou a 2.479, com coeficiente de detecção de 41,29/100 mil habitantes. O maior coeficiente no País foi registrado em Mato Grosso: (81,64/100 mil habitantes) e o menor no Rio Grande do Sul (1,37/100 mil habitantes). O Ministério aponta que houve uma queda significante de detecção em todas as regiões geográficas de 4,0% ao ano e 31,5% no período, em média, nos últimos 10 anos.
Em Anápolis, os dados do Programa Municipal de Hanseníase, apontam em 2011, a existência de 109 pacientes em tratamento. O programa funciona na Unidade de Saúde da Osego (Bairro Jundiaí). Além da distribuição de medicamentos e apoio médico, são também realizadas campanhas de caráter preventivo.


Saiba mais sobre a hanseníase

O que é?
A hanseníase é uma doença infecciosa e contagiosa causada por um bacilo denominado Mycobacterium leprae. Não é hereditária e sua evolução depende de características do sistema imunológico da pessoa que foi infectada.

Sinais e sintomas
- Sensação de formigamento, fisgadas ou dormência nas extremidades;
- manchas brancas ou avermelhadas, geralmente com perda da sensibilidade ao calor, frio, dor e tato;
- áreas da pele aparentemente normais que têm alteração da sensibilidade e da secreção de suor;
- caroços e placas em qualquer local do corpo;
- diminuição da força muscular (dificuldade para segurar objetos).

Como se transmite?
Os pacientes sem tratamento eliminam os bacilos através do aparelho respiratório superior (secreções nasais, gotículas da fala, tosse, espirro). O paciente em tratamento regular ou que já recebeu alta não transmite. A maioria das pessoas que entram em contato com estes bacilos não desenvolve a doença. Somente um pequeno percentual, em torno de 5% de pessoas, adoece. Fatores ligados à genética humana são responsáveis pela resistência (não adoecem) ou suscetibilidade (adoecem). O período de incubação da doença é bastante longo, variando de três a cinco anos.

Como tratar?
A hanseníase tem cura. O tratamento é feito nas unidades de saúde e é gratuito. A cura é mais fácil e rápida quanto mais precoce for o diagnóstico. O tratamento é via oral, constituído pela associação de dois ou três medicamentos e é denominado poliquimioterapia.

Como se prevenir?
É importante que se divulgue junto à população os sinais e sintomas da doença e a existência de tratamento e cura, através de todos os meios de comunicação. A prevenção baseia-se no exame dermato-neurológico e aplicação da vacina BCG em todas as pessoas que compartilham o mesmo domicílio com o portador da doença.
(Fonte: - Biblioteca Virtual em Saúde do Ministério da Saúde Fundação Oswaldo Cruz)

Autor(a): Claudius Brito

Comentários


Deixe seu comentário Dê sua opinião a respeito desta notícia. Seu e-mail não será publicado.


Código Anti Span Incorreto!
Obrigado! Seu comentário foi postado com sucesso!
Falhou! Preencha todos os campos obrigatórios (*)

+ de Notícias Saúde

Hospital de Urgências capta coração para transplante pela primeira vez

31/08/2017

Pela primeira vez em sua história, o Hospital de Urgências de Anápolis “Doutor Henrique Santillo” promoveu o transplan...

Oferta de leitos de UTI será ampliada

24/08/2017

A falta de leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) em Anápolis está sendo enfrentada de forma prioritária. A secretá...

Saúde da Família integra programa contra o tabagismo

24/08/2017

O programa Estratégia de Saúde da Família, da Secretaria Municipal de Saúde já conta com a adesão de 100% das equipes d...

Cirurgias pediátricas tem fila de espera reduzida

18/08/2017

Já medicado, o garoto J.B.N., 4, demonstrava tranquilidade, ao entrar no centro cirúrgico do Hospital Evangélico, para rea...