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Engravidei na adolescência... E agora?

Saúde Comentários 06 de dezembro de 2013

"[...] Mamãe eu acho que estou... ligeiramente grávida / Mamãe não fique pálida, a coisa não é ruim / Se lembre, um dia você já ficou assim [...]".


"[...] Mamãe eu acho que estou... ligeiramente grávida / Mamãe não fique pálida, a coisa não é ruim / Se lembre, um dia você já ficou assim [...]".

Este é o refrão de uma música gravada pelas bandas de pop rock “Blitz” e “O Espírito da Coisa” e que, em meados dos anos de 1980, alcançou grande sucesso. A música chamava a atenção para uma séria casuística que se tornava muito frequente e atormentava os pais de uma juventude cada vez mais transviada: a gravidez precoce.
Vários devem ser os pensamentos que invadem a mente adolescente quando o exame de gravidez aponta POSITIVO! Depara-se primeiramente - ou deveria - a ideia de responsabilidade, porém nada ainda muito claro. O status de ser mãe ou pai superará qualquer experiência vivenciada anteriormente. A atenção do papai e da mamãe precoces deverá estar voltada para um ser que dependerá única e exclusivamente de ambos.
Estatísticas recentes comprovam que uma parte considerável das adolescentes que engravidam prematuramente é proveniente de famílias desestruturadas e sem perspectiva de ascensão econômica ou social, vez que muitas são filhas de pessoas da nominada classe social de baixo poder aquisitivo, que engloba as classes D e E, em cujos lares há pouca comunicação ou informação, e quase nenhum apoio familiar. Assim, a maternidade prematura acaba fazendo parte de um almejado “projeto de vida”. Infelizmente parece que se está vivendo na era da geração em que os valores éticos e morais estão eivados e desgastados. O excesso de liberdade e informação conferido à juventude é fator que muito contribui para esse desgaste.
O que seria o exercício do chamado livre arbítrio acaba sendo confundido com liberdade em excesso, ou até mesmo libertinagem, e influencia, de forma negativa, o comportamento moral dos jovens e adolescentes e até de crianças. Por conseguinte, propulsiona meninos e meninas a iniciarem a vida sexual muito mais cedo do que seria considerado normal nos padrões atuais. Essa “falta de responsabilidade” e de constitui-se num dos fatores que favorecem a incidência, cada vez maior, de gravidez na adolescência.
É notório o aumento do número de adolescentes grávidas. De acordo com o IBGE, no Brasil, a cada ano, cerca de 20% das crianças que nascem são filhas de adolescentes, número que representa três vezes mais garotas com menos de 15 anos grávidas que na década de 1970. Segundo o mesmo Instituto, 7,3% das jovens de 15 a 17 anos têm, pelo menos, um filho. Em 1996, 6,9% das garotas de 15 a 17 anos já eram mães. Esse número subiu para 7,6% em 2006, ou seja, apenas 1% em 10 anos, porém foi a única faixa etária em que a taxa de fecundidade aumentou no país. Nota-se que as mulheres mais velhas estão demorando mais para ter filhos, enquanto as adolescentes estão-se tornando mães ainda mais precocemente.
Na região metropolitana do Rio de Janeiro, esse índice chega a 4,6% e, na região metropolitana de Fortaleza, a 9,3%. Na comparação com pesquisas anteriores, Maranhão, Ceará e Paraíba continuam apresentando altas proporções de jovens adolescentes com filhos.
O problema não se restringe, todavia, ao Brasil: ao todo, 220 mil adolescentes engravidam por dia no mundo.
A grande maioria dessas adolescentes não tem condições financeiras nem emocionais para assumir a maternidade e, por causa da repressão familiar, muitas delas fogem de casa e quase todas abandonam os estudos. Não é possível generalizar a causa do crescente índice de jovens que se tornam mães precocemente, porém levantamentos realizados por organismos governamentais apontam a falta de informação, o convívio social e o amadurecimento sexual cada vez mais cedo como causas principais. Pais negligentes ou permissivos em demasia certamente ficam com a maior parcela de responsabilidade nesse processo. É que, muitas vezes, a gravidez precoce dos filhos está relacionada à ausência constante dos pais, que não oferecem o padrão de ajuda de que os filhos necessitam, o que contribui para que muitos deles se achem sem rumo e sem um modelo de comportamento adulto responsável.
O Ministério da Saúde do Brasil afirma que atualmente os jovens possuem a informação básica necessária sobre a prevenção da gravidez e o uso de anticoncepcionais. Ainda assim, acabam optando por manter relacionamentos sexuais considerados de alto risco, contando com a “sorte” para que estes não resultem em fertilização e, muitas vezes, em boa parte dos casos, acabam surpreendidos com a gravidez indesejada.
A realidade é que atualmente já se tornou comum encontrar mães cada vez mais jovens e sem nenhuma estrutura ou preparo. A adolescência é considerada uma fase muito complexa da existência humana, assim como a gravidez. Ter um filho requer desejo e decisão, tanto por parte da mãe, quanto do pai. Além do mais, um filho requer planejamento, responsabilidade, consciência e um mínimo de condição econômica.
Deve-se ter em mente que a adolescência é uma fase de formação da pessoa humana e que uma gravidez nesse período muitas vezes inibe esse processo, ou interrompe-o, comprometendo, assim, o desenvolvimento pessoal e profissional.
O Dr. Drauzio Varella (médico oncologista, cientista e escritor brasileiro, formado pela USP) apresenta em seu site uma esclarecedora entrevista com a Dra. Adriana Lippi Waissman – médica especialista em Gravidez na Adolescência –, que bem sintetiza o que ocorre com as adolescentes hoje em dia: “Não é a desinformação que leva à gravidez na adolescência. Talvez o pensamento mágico dos adolescentes que influencia a maneira de buscar a si mesmos, o imediatismo e a onipotência que lhe são característicos sejam fatores que possam justificar o número maior de casos. Hoje, não há menina que não saiba que pode engravidar, mas todas imaginam que isso só acontece com as outras, jamais irá acontecer com elas”.
Gravidez na adolescência é fato, como comprovam os números. Não é ficção nem verso ou estrofe de música e nem sempre culpa de quem “já ficou assim”...

Taís Fernanda de Souza: Acadêmica do Curso de Administração da UFMS – Câmpus de Três Lagoas (MS). E-mail: taisfdsouza@gmail.com

Thabitta de Souza Rocha: Acadêmica do Curso de Direito da UFG – Câmpus de Goiânia (GO). E-mail: thabitta.rocha@hotmail.com

Autor(a): Taís Fernanda de Souza | Thabitta de Souza Rocha

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