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Enel recebe enxurrada de críticas por atendimentos prestados em Anápolis

Cidade Comentários 11 de outubro de 2018

Quedas de energia constantes e ausência de investimentos foram algumas das questões cobradas pelos empresários


Uma, duas, três, quatro vezes o fornecimento de energia elétrica, de responsabilidade da Enel Distribuição Goiás foi interrompido no começo da semana em alguns bairros de Anápolis. Esta situação, aliás, tem sido recorrente no Município e gerado muita insatisfação por parte da população, não apenas pelo transtorno causado mas, muitas das vezes, por prejuízos que ocorrem em casa ou no comércio como, por exemplo, perda de alimentos ou equipamentos danificados.
Não por acaso, os problemas com a distribuição de energia em Anápolis tem pautado os debates na Câmara Municipal, que é por assim dizer, a caixa de ressonância da sociedade. Na sessão da última quarta-feira, 09, o Vereador Luiz Lacerda (PT), ex-presidente da Casa, comentou declaração do presidente da Enel, Abel Rochinha, de que a empresa não irá cumprir a lei aprovada na Casa que proíbe cortes de energia em vésperas de feriados e às sextas-feiras. O parlamentar comentou que, caso o projeto seja convertido em lei, após sua eventual sanção, a Enel deverá cumpri-la ou, então, questioná-la no Judiciário. Luiz Lacerda, também, comentou que, na mesma entrevista, Abel Rochinha falou que não irá cumprir a lei em respeito ao cidadão que paga sua conta de energia em dia. “Dessa forma, ele (Abel Rochinha) mostra que o corte é um castigo àquele que não conseguiu quitar uma dívida”.
Autor da propositura, o Vereador Wilmar Silvestre (PSC) defendeu a iniciativa, afirmando ter parecer da OAB apontando que o projeto é constitucional. “Acredito que o presidente da Enel falou sem conhecimento de causa. Ele precisa conhecer a lei federal, que diz que União, Estado e Município é que vão dizer às concessionárias como agir no município”, explicou o parlamentar. E, acrescentou que em diversas cidades de Minas Gerais, Paraná e São Paulo há essa proibição de corte de energia em vésperas de feriado e às sextas-feiras. “Porque a água e luz são produtos tão importantes quanto arroz e feijão no prato das pessoas”, pontuou.
Wilmar Silvestre, em recente pronunciamento na tribuna da Câmara, afirmou que pretende apresentar uma proposta para cobrar o IPTU da Enel, pela utilização dos espaços onde se instalaram postes de energia elétrica. Segundo ele, a concessionária conta, hoje, com cerca de 43 mil postes em Anápolis. E, conforme disse, se for considerada uma área de quatro metros para cada poste, tem-se, portanto, aproximadamente 172 mil metros de área pública utilizada pela Enel, “sem que ela (a empresa) dê uma contrapartida à Prefeitura”, frisou. O vereador observou que, embora não pague nada pelo uso dessa área, a empresa cobra a utilização dos postes, por exemplo, para cabeamento de empresas de TV por assinatura.

Plantão
Outra cobrança feita na Câmara Municipal, partiu do vereador João Feitosa (PTB). Ele defendeu a volta do plantão emergencial, para que o atendimento das demandas da população, em relação ao fornecimento de energia e os problemas ocorridos sejam atendidos de forma mais célere.
“Falo isso com tristeza. Fui funcionário da CELG, a antecessora da Enel no Estado, por quase 35 anos. Em 2012 lutamos, trabalhamos para evitar que o plantão emergencial da empresa fosse levado para Goiânia, mas não conseguimos sucesso. Agora, com a Enel na gestão da energia elétrica defendo que esse serviço retorne para a Cidade para assim atender a demanda dos consumidores a contento”, destacou o parlamentar, acrescentando que Anápolis foi a última cidade a perder o serviço emergencial, hoje, centralizado em Goiânia. E, na sua avaliação, os problemas de falta de energia na cidade têm aumentado fruto dessa metodologia.
Para o parlamentar, os problemas não estão concentrados, apenas, em Anápolis, mas em várias outras cidades goianas. “O Estado todo, nas mãos da Enel, está deixando muito a desejar na sua prestação dos serviços”, asseverou.
O vereador Lisieux José Borges, também, fez críticas à Enel, durante sessão da Câmara Municipal, no início do mês. Ele citou o fato de a empresa não ter preocupação social, sobretudo, em relação às demandas apresentadas pela Câmara Municipal. “E são os vereadores que conhecem as necessidades da cidade como um todo”, completou Lisieux, lembrando que desde que a CELG foi adquirida pela Enel, a nova empresa deixou de ouvir os agentes públicos que buscam soluções para as questões da coletividade.
Lisieux lembrou que antes de ser vendida, a CELG foi eleita a pior prestadora de serviço no ramo de energia elétrica e distribuição. “A Enel está seguindo o mesmo caminho”, lamentou o vereador.

Situação
preocupante
O presidente do Conselho de Consumidores de Energia Elétrica do Estado de Goiás (CONCEG), Wilson de Oliveira, ressalta que é “extremamente preocupante” o problema enfrentado pela população anapolina com as constantes quedas de energia, em diferentes setores da Cidade. Ele, inclusive, recordou um episódio recente que ocorreu no Distrito Agro Industrial de Anápolis (DAIA), gerando prejuízos para muitas empresas que ficaram horas e horas sem energia.
“Nós acreditamos que a empresa tem boa vontade e que vai realizar investimentos, mas nós queremos que estes investimentos sejam mais rápidos, pois já é de muito tempo - desde a Celg - que a população anapolina convive com muitos problemas”, destacou Wilson de Oliveira, acrescentando: “estaremos colocando esta questão nas reuniões do CONCEG, as quais contam com a participação de representantes da Enel e, dessa forma, levaremos esta preocupação de Anápolis, que é uma preocupação nossa, para que a direção da empresa esteja ciente das dificuldades enfrentadas e saiba dos anseios da população do Município, a fim de que os serviços cheguem às residências, às empresas e na zona rural com mais eficiência e, sobretudo, com melhor qualidade”.

O que alega a Enel Distribuição Goiás
Há poucos dias, o diretor presidente da Enel, Abel Rochinha, esteve na cidade, a convite da Associação Comercial e Industrial de Anápolis para falar sobre o processo da revisão tarifária que está em curso junto à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), que poderá resultar num aumento de 24,65% para a alta tensão (por exemplo, indústrias e grandes propriedades rurais) e de 12% para baixa tensão (consumo residencial e comércio, por exemplo). A decisão sobre este reajuste deve ocorrer no próximo dia 16.
Falando aos empresários anapolinos, Abel Rochinha reconheceu que a população e as empresas enfrentam problemas frequentes com a falta de energia, mas disse que essa questão depende de tempo e investimentos para ser solucionada. Segundo ele, hoje, Goiás fica, em média, 30 horas sem energia por ano, quando o limite aceitável é de 14 horas. “Isso ainda é fruto da herança que a Enel recebeu quando da privatização da CELG”, disse revelando que a empresa investiu R$ 840 milhões no ano passado, o primeiro depois que foi privatizada, e que este ano será investido o mesmo valor.
“O ritmo de investimento cresceu muito nestes dois últimos anos e será mantido nos próximos anos com novas obras que a empresa está executando”, afirmou o diretor presidente, revelando que o investimento médio da Celg nos últimos cinco anos era de R$ 240 milhões. Disse, ainda, que a empresa está acelerando os investimentos em tecnologia para evitar que todo o sistema seja trocado.
Sobre a questão dos cortes de energia nos feriados e às sextas-feiras, o presidente da Enel disse da impossibilidade de cumprimento do projeto (ainda pendente de sanção para virar lei), porque a Enel, como as demais concessionárias do setor energético, são reguladas por legislação federal. (Com informações da Câmara Municipal)

Autor(a): Claudius Brito

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