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Empresários e trabalhadores se únem contra juros altos

Economia Comentários 22 de julho de 2016

Entidades empresariais e representações dos trabalhadores vão unir esforços contra a prática de juros astronômicos que estão afetando as empresas e os empregos


O empresário Wilson de Oliveira, vice-presidente da Federação das Indústrias de Goiás (Fieg), classificou como histórico o encontro ocorrido recentemente, na Casa da Indústria, em Goiânia, no qual representações do setor produtivo e dos trabalhadores se sentaram à mesa para trabalhar em conjunto em prol da redução dos juros exorbitantes que têm gerado o caos no País, com o fechamento de empresas e demissões sem precedentes.
Wilson de Oliveira, que é também presidente da Fieg Regional Anápolis, informou que o movimento reúne o Fórum Empresarial de Goiás- formado pela Fieg, Fecomércio (Fedação do Comércio do Estado de Goiás), Acieg (Associação Comercial e Industrial do Estado de Goiás), Facieg (Federação das Associações Comerciais, Industriais e Agropecuárias do Estado de Goiás), Faeg (Federação da Agricultura do Estado de Goiás), FCDL (Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado de Goiás) e Adial (Associação Pró-Desenvolvimento Industrial do Estado); pelo Fórum Democrativa; Federação dos Metalúrgicos do Estado de Goiás; Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos e a Força Sindical. O encontro contou também com a presença da Ordem dos Advogados do Brasil em Goiás, através de seu presidente, Lúcio Flávio de Paiva; do Sebrae, por seu superintendente Igor Montenegro e da ex-deputada federal Dona Íris Araújo, representando o diretório nacional do PMDB.
Durante a reunião, foi lido o manifesto a ser assinado pelas entidades que aderirem ao movimento, o qual será apresentado aos deputados e senadores da bancada goiana no Congresso Nacional, visando sensibilizá-los e buscar a adesão dos mesmos na cruzada contra os juros escorchantes. Inicialmente, a intenção era que os parlamentares participassem da reunião do dia 15 e, embora todos tenham sido convidados, não houve a presença de nenhum.
Entretanto, uma nova reunião com os deputados e senadores ainda deve ocorrer, numa nova data. O movimento também está preparando uma mobilização em Brasília, junto ao Banco Central, para protestar contra a Taxa Selic, que é o vetor das taxas de juros cobradas pelo mercado. O protesto também terá a agenda divulgada em breve.
“Nosso movimento começou recentemente, já ganhou força com a união dos segmentos patronal e liberal e, agora, vamos para as ruas, vamos para o corpo-a-corpo com os políticos e, vamos fazer um trabalho de alto nível para sensibilizar o governo e a sociedade sobre as consequências nefastas dos juros altos”, ressaltou Wilson de Oliveira, destacando que a ideia é que este movimento tenha um caráter nacional, com o envolvimento de outras federações e das representações dos trabalhadores, que estão preocupadas com o desemprego em larga escala.
“Acreditamos que há algo errado, porque enquanto em muitos países se pratica taxas de juros que variam de zero a menos de 4% ao ano, no Brasil chega a mais de 14%. Isso, o juro básico. O do cartão de crédito chega a 447% ao ano; o do cheque especial, a mais de 286%; os juros do crédito consignado, a mais de 44% ao ano. A população está endividada, as empresas estão quebrando e as pessoas estão ficando sem emprego. É preciso inverter esta lógica perversa”, pondera Wilson de Oliveira, observando que, por outro lado, os bancos vêm divulgando os seus balanços anuais demonstrando ganhos estratosféricos.

Recessão
O Brasil vive na atualidade uma das mais graves recessões de sua história, com efeitos danosos para todos os brasileiros, independentemente da classe econômica ou social a que pertencem. São 12 milhões de trabalhadores desempregados, 130 mil empresas fechadas, queda de 9,5% na produção industrial dos últimos doze meses e municípios e Estados brasileiros falidos.
Enquanto isso, os juros médios cobrados pelos bancos no cheque especial são de 286% ao ano, nas operações com cartão de crédito são 447%. A taxa Selic ao ano no Brasil, de 14,25%, compete com, a mesma taxa, 0,5% nos Estados Unidos, 3,75% no México, 0,1% no Japão e 0% na Alemanha e na França. Os três maiores bancos privados do País tiveram, em 2015, lucros bilionários, da ordem de R$ 47,16 bilhões, em movimento contrário à maré baixa da economia.
“Os extorsivos juros cobrados pelas instituições financeiras, inibem os investimentos produtivos, deprimem o consumo dificultando a vida dos brasileiros mais pobres, matam empregos e sucateiam a já deficiente estrutura de serviços públicos aos cidadãos por falta de receita, embora o País seja um dos campeões em tributação no mundo”, destacou o presidente da Fieg, Pedro Alves.
De acordo com o presidente da Fieg, a raiz da crise está arraigada no descontrole das despesas públicas e nas altíssimas taxas de juros exigidas das empresas e dos cidadãos. “A retomada do crescimento e a geração de emprego passam, necessariamente, pela redução dos juros bancários”, defende Pedro Alves de Oliveira.

Autor(a): Da Redação

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