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Em hemodiálise há 22 anos, paciente é exemplo de superação

Saúde Comentários 10 de abril de 2015

Médico responsável pelo caso destaca a importância do tratamento


Hamilton João Teles, 65, é hoje um dos pacientes há mais tempo fazendo hemodiálise em Goiás. Há 22 anos, ele passa pelo procedimento no Hospital Evangélico Goiano, em Anápolis. Quando procurou atendimento, entre 1992 e 1993, Hamilton ficou sabendo que era portador de lesão do rim que caracteriza a Nefroesclerose Hipertensiva e ou Síndrome Metabólica, com um quadro de hipertensão e alterações no metabolismo de produção de gordura, proteínas e açúcar.
Seu estado de saúde não foi motivo para que ele deixasse de seguir em frente. Sempre sorridente e tranquilo, ele se mostra uma pessoa bem disposta, extrovertida, confiante e persistente. “Toda vida, eu nunca matei um dia de hemodiálise. Eu achei que, enquanto eu estivesse respirando, eu teria que fazer”, continua.
Ele conta que confia no trabalho do médico (Sérgio Mota) e da enfermeira Neuza de Almeida Barcelos Pereira, que é considerada membro da família. Há 43 anos casado com Dulcimar Lima Santos Teles, 63, que mostra como consegue forças para seguir ao lado do esposo: “Ele tem uma esposa muito de fé”. Seu Hamilton reconhece o papel da companheira em todos estes anos. “E, com isso, a mulher foi incentivando, ajudando”, descreve.
Cuidados
Dona Dulcimar diz que no começo “foi muito difícil. A princípio, minha vida era chorar. Eu achei que não daria conta. Nós passamos momentos assim... tem o medo de perder”, comenta sobre sua primeira reação. Ela, à época trabalhadora da área da educação, teve que conciliar trabalho e cuidado ao marido, já que Hamilton teve que se aposentar e largar sua profissão de caminhoneiro. Para o casal, o amor deu esperança e força para que eles estivessem um ao lado do outro nestes 22 anos. Todos os dias, ela se levanta às 04 horas e faz café para o marido. Por volta das 05 horas, ela o leva para as sessões de hemodiálise, que ocorrem todas as segundas, quartas e sextas-feiras pela manhã. O casal tem três filhos.
A história de Hamilton João Teles serve de modelo para pacientes que precisam passar pelo processo de hemodiálise. Uma das dificuldades enfrentadas por alguns pacientes que passam por processos como o dele está em ter uma vida normal. Apesar de ter limitado sua ida a eventos sociais, como festas, dentro de casa ele é um marido exemplar. Ainda hoje, faz serviços como instalações elétricas e hidráulicas, sobe escadas para fazer reparações na sua residência e acompanha a esposa nas idas ao supermercado. Juntos, Hamilton e Dulcimar vão às consultas médicas um do outro. Quando questionado sobre se esperava chegar aos 22 anos de hemodiálise, ele é enfático: “Nunca. Nunca esperei. Nem aos cinco”.
A enfermeira nefrologista Lohanne Cardoso mostra o que significa conviver com um paciente que tem uma história tão marcante: “É uma vitória. Vejo que o serviço da gente está valendo a pena. Para nós, é um prestígio muito grande acompanhar estes pacientes e servi-los; e os pacientes estarem bem”, continua.
Atuação médica
“O seu Hamilton é uma lenda viva”, descreve o médico nefrologista Sergio Mota, que acompanha o paciente de Hemodiálise Hamilton João Teles desde o início do tratamento. “Isto é incrível”, continua. “(Para) um paciente do sexo masculino que tem uma boa massa muscular, que não tem nenhum outro comemorativo, a doença é exclusivamente renal, o tempo de diálise dele é de 10 a 15 anos”, explica sobre a realidade de quem passa por hemodiálise. Geralmente, este tempo ocorre entre a descoberta da doença renal e um transplante de rins. Ele se sente realizado por participar da vida de Hamilton: “É um paciente que estimula a gente a continuar”, diz o médico.
Hamilton precisa seguir uma dieta que inclui uma quantidade normal de proteína, de um a 1,5 gramas ingeridos por quilo de peso por dia. Entre uma sessão de diálise e outra, o paciente ganha, até, dois quilos de peso que foram perdidos durante a sessão. A quantidade de água ingerida diariamente deve levar em conta este ganho de massa corporal. O excesso de verduras cruas e frutas deve ser evitado, para que não haja aumento dos níveis de potássio no organismo. O médico Sérgio Mota explica que os “pacientes são extremamente obedientes” com relação à dieta.

Autor(a): Da Redação

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