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Em casa e de forma humanizada, pela primeira vez na Cidade

Saúde Comentários 22 de agosto de 2014

O CONTEXTO entrevistou as principais personagens desse processo


O primeiro parto normal e humanizado domiciliar em Anápolis, de que se tem registro, aconteceu no último fim de semana. A prática exige profissionais capacitados, enfermeiros ou médicos especialistas em obstetrícia, preparação do espaço e, principalmente, que agestantee sua família estejam bem informadas e preparadas para abrir mão do uso de medicamentos e outras intervenções hospitalares. Durante o acontecimento, mãe e filho são protagonistas e agem instintiva e fisiologicamente.
O parto normal planejado e humanizado, residencial ou hospitalar, é realizado em diversos países de primeiro mundo e conquistou muitas celebridades como Gisele Bündchen; Jéssica Alba; Juliana Knust; Juliana Paes, entre outras famosas. A cesariana, para essas mulheres, é uma medida extrema adotada, apenas, em situações emergenciais.
Segundo a Organização Mundial de Saúde, o Brasil está muito acima da média recomendada de partos por cesariana. Enquanto que o ideal estipulado seria de 15%, no nosso País o índice é de 52% na rede pública, chegando a 82% na rede privada. Ainda, de acordo com a OMS, a intervenção no parto coloca a criança em diversos riscos. Ela pode nascer antes da hora e com problemas como o respiratório. Além disso, as mulheres, muitas das vezes, são submetidas desnecessariamente a uma cirurgia que, como outra qualquer, oferece riscos de hemorragia; infecção, choque anafilático e a recuperação mais demorada, tendo como consequência, a demora da descida do leite materno.

Assessoria em parto humanizado
Silvia Teodoro e Michelle Gonçalves são enfermeiras obstétricas. Elas estudam há anos e se especializaram para trazer a modalidade do parto humanizado, hospitalar ou residencial, para Anápolis onde vivem. Pela primeira vez, elas realizaram um parto domiciliar planejado que aconteceu na madrugada do último domingo (17).
Segundo elas, o termo parto humanizado não pode ser entendido como um tipo de parto. Trata-se de uma forma de levar mais conforto para os pais e o bebê. O acompanhamento permite um olhar mais atento desde o processo emocional ao psíquico que envolve todas as pessoas que, de alguma forma, estão participando do caso. Para a mãe e a criança, elas garantem o poder de vivenciar integralmente a experiência de forma natural.
As enfermeiras explicam que para acontecer o parto normal domiciliar há necessidade de planejamento e confiança na equipe. “Respeitamos o direito da escolha da mulher, afinal, isso tem que ser considerado. O processo, também, implica que o médico obstetra avalie que a mulher esteja apta”, apontou Michelle.
Segundo Silvia, o objetivo de um parto normal domiciliar é que a mulher e o bebê sofram o mínimo de intervenções possível. A equipe fica responsável por monitorar batimentos cardíacos e auxílio com métodos naturais na redução da dor, assim como o apoio psicológico. “Entre as vantagens desse tipo de parto, além de a mulher se recuperar mais rápido, pode assumir a posição de sua escolha. Pode tomar água, suco ou chá, assim como o cordão umbilical pode ser cortado por alguém da família, quando o mesmo parar de pulsar. No parto normal, ainda, a mulher se restabelece mais facilmente porque o útero volta logo ao lugar, tornando-se independente de forma mais rápida”, ponderou.
Tudo é realizado com total segurança. A gestante passa pelo pré-natal normalmente com um médico obstetra. A assessoria com as enfermeiras obstetras oferece: consultas de pré-natal concomitantes ao médico;planejamento do cenário do parto; consultaspós-parto;cuidados ao recém-nascido, incentivo ao aleitamento materno, entre outros.

Experiência
Após o primeiro parto, normal, há três anos, realizado em um hospital, Carina Bueno da Mata começou a se informar sobre o parto humanizado domiciliar. E, quando descobriu que estava grávida de seu segundo filho se conscientizou, imediatamente, que era o que desejava.
O processo não é indolor, ela relata. No entanto, para Carina o parto, mesmo normal, em um hospital, impõe muitas intervenções artificiais que ela não desejava. “É protocolo. Têm medicações, anestesia, todos os bebês são aspirados e recebem colírio. Pesquisei muito sobre o assunto do parto domiciliar para fazer esta escolha”, contou.
Carina diz que teve dificuldades em encontrar um médico e uma equipe que apoiasse a decisão. Mas, quando ela conheceu Sílvia e Michelle ficou ainda mais determinada. “A humanização do parto é uma forma de dar protagonismo à mulher e ao bebê. Eu queria chegar sozinha até o final do meu processo, sem um médico fazendo isso por mim. É também uma forma de confiar no seu filho. Ele sabe a hora certa de nascer e o que precisa fazer para isso acontecer, o bebê tem uma papel para desempenhar também. Mas, eu também tinha um plano B. Estava preparada para que se algo errado acontecesse e eu precisasse buscar um hospital”, avaliou.
Ela contou que o processo foi rápido e aconteceu de forma ainda melhor do que a expectativa. “Levantei-me por volta de meia noite sentindo dores. Fui até à sala, me sentei na bola de pilates e comecei a marcar a frequência. Eu já sabia que era um sinal, mas achei que ainda ia demorar uns dois dias para conhecer minha filha. Fiquei monitorando até à uma da manhã e percebi que ela ia chegar. Acordei meu marido, liguei para as meninas e elas chegaram super-rápido. A Maria Laura nasceu às 3:20, dentro da banheira, peguei-a nos braços imediatamente e só cortamos o cordão umbilical quando ele parou de pulsar. Doeu, mas eu estava preparada. Quando a gente aceita a dor é mais fácil. A dor do parto não pode ser encarada como sofrimento, mas como a hora de conhecer o filho. E quando a segurei, passou imediatamente”, terminou de narrar sua experiência.

Autor(a): Wanessa Mereb

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