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Em apenas um ano, mais de 1,6 mil atendimentos

Geral Comentários 05 de julho de 2014

Maioria dos casos consegue ser conciliada pelo órgão com a família. Mas, muitos chocam pela crueldade com que as pessoas mais velhas são tratadas


A primeira Delegacia Especializada de Proteção à Pessoa Idosa do Centro-Oeste nasceu em Anápolis, há pouco mais de um ano. No início, era apenas uma manifestação do delegado Manoel Vanderic Filho, titular do 6° DP. Hoje, oficializada, a unidade recebe, diariamente, denúncias referentes a maus tratos aos idosos no Município.
Em um ano, foram mais de 1.600 atendimentos realizados. Muitas denúncias graves chegaram à Delegacia. E, também, muitos resgates emocionantes foram realizados pela equipe. Do total de atendimentos, apenas 100 procedimentos foram instaurados. Na maioria das vezes, o órgão funciona como mediador e consegue realizar conciliações com as famílias envolvidas.
O número de denúncias não para de crescer. São vários os crimes cometidos: negligência; briga por patrimônio; tentativa de homicídio; violência física e psicológica e, até, estupros. Com isso, os asilos ficaram superlotados.
Manoel Vanderic Filho aponta que as dificuldades que a delegacia enfrenta são inúmeras. “Grande parte das famílias não quer ter obrigações para com o idoso. Muitos entendem que é responsabilidade da Delegacia realizar tarefas, desde levar o idoso ao médico a convencê-lo a tomar banho. Parece inacreditável, mas, muitas pessoas buscam a delegacia porque o pai, mãe ou avô, por quem são responsáveis, não querem tomar banho ou tomar o remédio. A paciência e a compaixão ao próxima estão desaparecendo”, disse.
Além disso, segundo o Delegado, grande parte das ocorrências envolve o patrimônio do idoso. “A pessoa não quer assumir a responsabilidade de cuidar do idoso, mas utiliza todo o dinheiro de sua aposentadoria sem o menor remorso”, contou o bacharel. Ainda, existe a dificuldade de se conseguir com que o idoso conte os tipos de violência física e psicológica, que tem sofrido. “O idoso, muitas vezes, tem medo da punição que a pessoa vai receber. Geralmente, por ser alguém muito próxima, ele não deseja que se apliquem as punições legais contra filho, neto e outros parentes”, acrescentou.
Para o delegado, foram vários os casos marcantes. Dentre eles, o de Dona Jorgina, que depois de sofrer um AVC, foi parar nas mãos do filho, usuário de droga. Esta senhora foi encontrada pela polícia sentada em sua cadeira de rodas, na sala e, há três dias, estava sem se alimentar ou se higienizar. Enquanto ela estava com a pele em carne viva devido à infecção causada pela urina e pelas fezes, o filho fumava crack com outros rapazes no mesmo ambiente. Dona Jorgina engodou 20 quilos depois que foi para um abrigo.
Tem o caso de um senhor de, 90 anos, que tentava proteger as irmãs, também idosas, dos abusos sexuais que sofriam por parte do sobrinho neto, mas acabava apanhando deste homem. Depois que as vítimas foram colocadas no asilo não se desgrudaram mais uma da outra, só vivem de mãos dadas. Registre-se, ainda, o caso do senhor Mauri, de boa situação financeira, mas que perambulava pelas ruas, sujo, e comia graças às doações de uma igreja. Seus filhos usufruíam de todos os seus bens, sem se importarem com o pai. E, também, a história de um homem que arrancou lágrimas dos agentes que o encontraram em estado terminal devido a um câncer de pulmão, sozinho. A polícia foi chamada porque os vizinhos achavam que ele havia morrido devido ao odor que se espalhava pela vizinhança. Ele faleceu no hospital, alguns dias após ter sido resgatado.
O delegado confessa que a maior dificuldade do órgão é a indiferença das pessoas. Elas se sensibilizam com um caso que ganha repercussão na mídia, mas depois de alguns dias, o assunto morre. O Delegado apela para que as pessoas não se esqueçam e ajudem da forma como podem. “Os abrigos precisam de apoio para fazerem reformas e aumentarem o número de leitos, assim como são carentes de doações em forma de alimentos, produtos de higiene e limpeza. Temos idosos que não aceitam ir para os abrigos e andam longe atrás de cestas básicas. Se não fosse por essas doações, eles não teriam o que comer. Hoje, temos poucas pessoas que prestam alguma ajuda. Mas são poucas mesmo, precisamos de gente que queira ajudar”, finalizou.

Autor(a): Wanessa Mereb

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