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Em Anápolis, santo de casa faz milagre

Geral Comentários 21 de novembro de 2014

Devotos atribuem milagres a lavrador morto há décadas. O túmulo é bastante visitado


O filho de nove anos de idade sofria de uma grave doença da visão e a mãe, desesperada ante o fracasso de tratamentos em Goiânia, Belo Horizonte e São Paulo, desistira de buscar a cura através da medicina. As preces eram a única esperança daquela mulher, cujo filho estava praticamente cego. Até que um dia ela ficou sabendo que um humilde lavrador, falecido há muitos anos, estaria fazendo milagres, em Anápolis, e que grande número de pessoas acorriam ao seu túmulo, todos os dias, notadamente às segundas-feiras, para rezar o terço em veneração à sua alma, em busca de graças.
Ao vislumbrar uma senda de esperança, a mãe clamou ao denominado santo João Alves da Cruz, rogando-lhe a graça da cura do filho. Ele era o tesouro do lar, condenado à mutilação dos olhos. Em prantos, a mulher dormiu e sonhou com o “santo” entre anjos e flores. Com voz branda ele teria dito: “Mulher, tu que a mim recorrestes, faça a unção dos olhos de teu filho com a água que brotará do meu túmulo e alcançarás a graça esperada”. Assustada, a senhora, cujo nome a história não revela, levantou-se e sob prantos acordou o menino:
- Meu filho, João Alves da Cruz veio a mim e prometeu curar-te.
No dia seguinte, antes do sol nascer, mãe e filho chegaram ao cemitério onde João fora enterrado, com a esperança de receberem a graça. Seria o fim de uma desilusão e o despertar de uma nova vida para o menino e sua família. Não por acaso, era uma segunda-feira e várias pessoas já estavam postadas em oração diante do túmulo humilde no Cemitério São Miguel, em Anápolis. Como o denominado santo ensinou no sonho, a mãe, começou a orar o terço, com muita fé, quando de repente água pura e cristalina brotou abundante da cova de João Alves da Cruz. Para o espanto de todos aconteceu o milagre inacreditável para quem não viu: o menino voltou a enxergar e a cura foi confirmada mais tarde pelos médicos.

“Meu filho era um anjo”
A notícia correu a região e aumentou o número de fiéis e devotos que veneravam João Alves da Cruz. Atingido por uma terrível doença – fogo selvagem – que dizimava o seu corpo, jamais maculou a sua virgindade e nunca perdeu a resignação. Deus lhe dera a sina de trazer na carne um grande mal, mas o premiara com uma alma pura e uma vida dedicada ao próximo e à oração. João reservava as noites para atender as pessoas que batiam à sua porta à procura de preces, consolação ou uma palavra amiga. Vivia rodeado de crianças e jamais reclamava das terríveis dores provocadas pela doença.
A mãe de João da Cruz, Alexandrina Rosalina de Jesus, dizia que ele era um anjo: “Morreu puro e com a alma tão limpa como no dia em que veio à luz”. A ausência dele era compensada pela alegria de saber que uma imensidão de fiéis o veneravam.
“Nasceu humilde, viveu puro e morreu santo”
Esta é a história de João Alves da Cruz, nascido na Bahia, em 24 de junho de 1911. Jovem, forte e sadio, ele migrou para Anápolis, onde passou a trabalhar como lavrador. Na flor da idade contraiu o fogo selvagem. Apesar do sofrimento ele dedicou os últimos anos de sua vida a orar pelas pessoas. Em 1955, aos 44 anos, morreu em decorrência da grave doença.
Seu corpo passou a ser velado em um jazigo construído por fiéis, em cuja lápide está escrito:
- Aqui repousa João da Cruz. Nasceu humilde, viveu puro e morreu santo.
Fala-se que dezenas de pessoas, na exumação do seu corpo para o novo mausoléu, constataram que os cabelos compridos e as unhas grandes seriam provas de que não pararam de crescer durante os 16 anos de sepulcro. Dezenas de placas simbolizam a fé das pessoas que relatam ter recebido graça através de orações em veneração a João da Cruz, cujo jazigo é de longe o mais visitado do cemitério.

Autor(a): Manoel Vanderic

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