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É possível viver de música em Anápolis?

Cultura Comentários 15 de fevereiro de 2013

Há quem sobreviva somente da profissão de cantor no município, mas alguns artistas reclamam que grupos de fora são mais valorizados.


É possível amar a música e ainda fazer dela uma profissão rentável? O cantor Antônio Celso de Carvalho Galvão, que mora em Anápolis desde 2001 e é conhecido como Celso Galvão, acredita que sim. “Nós músicos não podemos nos limitar a um só lugar. Por isso, tenho uma agenda em várias cidades, mas existem sim músicos, produtores, enfim, que tem seus estúdios e que fazem jingles, gravam bandas e sobrevivem de música só aqui em Anápolis”, pontuou o artista, que é natural de Cachoeira Paulista, SP.

Para ele, a localização e o momento de crescimento pelo qual a Cidade passa, contribuem para o trabalho como músico. “Anápolis é uma cidade que está em plena ascensão, muitos bares sendo abertos, muitos eventos, enfim uma ótima cidade pra se viver e fazer música”, destacou o cantor Celso Galvão, que tem no sangue a paixão pela música. Segundo disse, a família de seu pai “é formada por músicos amadores, quase todos tocam um instrumento. Desde pequeno tenho a música como referência”.

Aos quatro anos, Celso Galvão já se aventurava pelo ramo musical. Com isso, alcançou um grande repertório, que inclui apresentações solo de samba; bossa; baião, som regional e os estilos internacionais rock; folk, pop e blues. “Como atuo quase sempre sozinho, posso dizer que tenho certa vantagem em relação às bandas que têm um custo maior para se manterem. Não diria que minha música é mais aceita e sim pela experiência que tenho e também pelo imenso repertório que esses vários anos de estrada me deram”, destacou o cantor.

Outra interpretação
Já a banda “Lady Lanne”, cujo estilo é o Rock n' Blues, não vive, apenas, da música como o cantor Celso Galvão. Os cinco integrantes do grupo trabalham em outras carreiras. De acordo com o vocalista Anderson Lucas Novaes, de nome artístico Lucas Lanne, em referência à banda, “Anápolis infelizmente não tem uma vida noturna tão ativa que permita ao músico tocar em diversas casas durante a semana, fato esse que inviabiliza o artista de viver somente da música, quanto mais somente da sua música”.

Sobre os fãs, Lucas disse que “existem os que são fiéis às bandas e aqueles que transitam bastante entre as diversas vertentes culturais da cidade, o que, também, é muito bom”. Entretanto, ele acredita que o público “tem o costume de dar preferência a bandas de fora ou bandas de tributo covers”. Isso é resultado, segundo informou, “da prática dos donos dos bares e pubs, pois são eles que estão ao longo dos anos priorizando essas bandas”. Segundo Lucas Lanne, falta em Anápolis “uma lei de incentivo atuante, maior investimento em estabelecimentos que abriguem shows de bandas e principalmente interesse desses investidores na valorização da cena local”.

Aliado a este fator, o artista acredita que falta estrutura em bares de Anápolis para que as bandas possam se apresentar com todos os seus integrantes. Mesmo em meio a este cenário difícil, a “Lady Lanne” já conseguiu alcançar o sucesso, como o prêmio de melhor interpretação no IV Festival Anapolino de Música, e outras premiações no Festival de Música do Brasil Park Shopping e o Monstreonato, promovido pela Monstro Discos. Também foram destaque nos festivais Goiânia Noise, Vaca Amarela e BNB Rock Cordel (Ceará).

Autor(a): Felipe Homsi

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