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Distribuição irregular de insulina deixa diabéticos apreensivos

Saúde Comentários 16 de fevereiro de 2017

Medicamento estava em falta desde novembro. Distribuição foi retomada parcialmente no dia 15, deixando sem receber insulina pessoas que não se enquadram em grupo prioritário


Mais de 800 diabéticos cadastrados em um programa de atendimento aos portadores da doença viveram dias de muitas preocupações e até mesmo de desespero por causa da falta da insulina lantus, distribuída pela Secretaria Municipal de Saúde, pela última vez, em novembro do ano passado. Trata-se de um medicamento de uso contínuo de alto custo, de efeito prolongado e que proporciona melhor qualidade de vida, sem os frequentes picos de hipoglicemia, como ocorre com quem usa insulina NPH.
“Estão decretando uma sentença de morte para muitos diabéticos”, garante o criador do Grupo de Diabéticos de Anápolis, no aplicativo whatsApp, Sander Ângelo, lamentando a atitude adotada pela Secretaria Municipal de Saúde de escolher um grupo de diabéticos que ela considera “prioritário” para receber a insulina lantus, depois que um lote do medicamento foi comprado pelo Município, mas em quantidade insuficiente para atender a todos os inscritos no programa. Por este critério, no último dia 15, apenas crianças e jovens com, até, 18 anos de idade, grávidas e doentes renais crônicos com diabetes começaram a receber a insulina lantus, deixando os demais sem o medicamento.
A situação começou a mudar um pouco no período da tarde do mesmo dia 15, depois de muita pressão nas redes sociais e na imprensa, quando se passou a contemplar, também, os diabéticos tipo 1, independentemente da idade. No entanto, uma parte de diabéticos tipo 1 ficou sem receber a insulina lantus. Mas, não se resolveu o problema dos demais que, também, dependem de doses diárias da insulina lantus. “A diabetes se caracteriza pelo mau (ou pela total) falta de funcionamento do pâncreas”, lembra Sander Ângelo, indagando como uma pessoa, independentemente de sua idade, vai viver sem insulinas e insumos.
Para ele, ao adotar este critério, a Secretária Municipal de Saúde, Luzia Cordeiro, com o aval do prefeito Roberto Naves, emite sentenças de morte para pessoas por que elas não fazem parte de suas famílias. “Se fizessem, a situação seria outra”, afirma Sander Ângelo ao revelar que fez estas afirmações para o próprio Prefeito e para a Secretária, em uma reunião com vereadores e um grupo de diabéticos para se tentar resolver o problema.
Sander Ângelo é pai de uma criança de cinco anos, diagnosticada com diabetes mellitus 1 aos três anos de idade. Para os participantes do grupo no WhatsApp ele vem sendo apontado como uma liderança que batalha muito pelos direitos dos diabéticos e um grande colaborador aos portadoras da doença que têm dificuldades para conseguirem insulina e insumos para o controle da diabetes.
Adesão
No Grupo de Diabéticos de Anápolis, Sander Ângelo já conseguiu a adesão de dezenas de pessoas portadoras da doença e de seus familiares, fortalecendo a luta de todos eles pela manutenção do programa de distribuição de insulinas análogas, incluindo a lantus e outras de efeito rápido e, também, de insumos como tiras reagentes que aferem a dosagem de glicose no sangue e outros produtos de controle da doença. Ele lembra que a lei federal 11.347/2006 assegura aos portadores de diabetes o recebimento gratuito de todos os medicamentos necessários para o tratamento da doença e de materiais para a aplicação de insulina e monitoramento da glicemia capilar.
Enumera, também, três leis municipais e duas estaduais que asseguram o mesmo direito aos diabéticos, mas lamenta que estas leis não vêm sendo respeitadas em Anápolis, onde ele acredita que o programa de atendimento aos portadores da doença corre o risco de não funcionar a contento, depois que a Secretaria Municipal de Saúde começou a colocar obstáculos à distribuição da insulina lantus. “Em Anápolis, estão querendo confrontar a legislação federal”, lamenta Sander Ângelo, lembrando que em um de seus artigos, a lei 11.347 determina que a seleção dos medicamentos e insumos tem que ser revista anualmente ou sempre que se fizer necessário para se adequar ao conhecimento científico atualizado e à disponibilidade de novos medicamentos, tecnologia e produtos no mercado. A mesma legislação não estabelece grupos prioritários para receber os medicamentos.
Além de confrontar a legislação, Sander Ângelo acha que a Secretaria Municipal de Saúde quer forçar os diabéticos a regredirem no tratamento e controle da doença e fazer com que eles banquem os gastos com insulina análoga e insumos “Eles querem que as pessoas passem a usar a insulina NPH, de custo mais baixo, mas que provoca muitos problemas para a maioria das pessoas”, acrescentou, revelando que em muitos casos o pico de ação dessa insulina causa queda acentuada nos níveis de glicose no sangue, deixando-as inconscientes ou em coma, caso não sejam socorridas rapidamente. Segundo ele, com a falta de insulina desde novembro, algumas pessoas tiveram que procurar atendimento hospitalar ou trocar a lantus por NPH, mesmo enfrentando quedas abruptas nos níveis de glicose.

Autor(a): Ferreira Cunha

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