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Dilma Rousseff inaugura a Norte-Sul em Anápolis

Política Comentários 25 de maio de 2014

Presidente da República, em segunda visita a Anápolis, entregou trecho de 855 quilômetros que liga Anápolis a Palmas, no Tocantins


A segunda visita da Presidente Dilma Rousseff a Anápolis, nesta quinta-feira, 22, teve um pouco de tudo: atrasos; manifestação pública, confusão no trânsito e embates políticos velados. Mas, ao final, a missão foi cumprida e, após 27 anos, desde a concepção do projeto original, ainda no Governo de José Sarney, na década de 80, a Ferrovia Norte-Sul foi oficialmente entregue.
Na verdade, o trecho inaugurado compreende o percurso de 855 quilômetros que liga Anápolis a Palmas, Capital do Estado do Tocantins, o qual consumiu mais de R$ 4,2 bilhões em investimentos desde 2007, quando a obra começou, até aqui. De Palmas até Açailândia, no Maranhão, desde 2007 o trecho já se encontra em operação. No total, agora, são 1.574 quilômetros de linha férrea.
Para fazer jus ao nome, a Norte-Sul ainda precisa conclui um trecho de mais 682 quilômetros de ferrovia, conhecido como Extensão Sul, que vai de Ouro Verde, próximo a Anápolis, até Estrela d´Oeste, no interior de São Paulo. De acordo com a Valec, empresa do Governo que é responsável pelas obras ferroviárias do País, atualmente esse trecho já tem em torno de 60% das obras físicas executadas e a previsão é de que a obra seja entregue em 2015. Aí sim, as mercadorias que vão deslizar sobre os trilhos poderão percorrer 2.256 quilômetros e acessar os portos das regiões Norte e Nordeste e Sul e Sudeste.
No trecho de Anápolis até Palmas, o transporte de mercadorias não será de imediato. De acordo com o superintendente do Porto Seco, Edson Tavares, agora chegou a vez da entrada do capital privado, que vai realizar uma série de outros investimentos para que, efetivamente, a ferrovia seja operacionalizada. Segundo ele, o caminho, agora, está mais curto e, na sua avaliação, dentro de alguns meses, a Norte-Sul já vai estar à plena carga, contribuindo para a redução do chamado Custo Brasil. Tavares explica que o transporte ferroviário é bem mais barato do que o rodoviário. A diferença - diz - gira na casa de 30%. Por dois motivos: os trens rodam 24 horas e possuem maior capacidade, além de terem um valor de seguro mais barato.
Conforme a Valec, a ferrovia poderá ser utilizada para levar aos portos e daí, para os mercados internacionais, mercadorias como granéis agrícolas, farelo de soja e minérios. O próprio Porto Seco, inclusive, opera com um terminal de minérios e deve avançar mais nesta área, uma vez que Goiás, hoje, é o terceiro maior produtor no ranking nacional. Além disso, a Norte-Sul poderá fazer com que os produtos da Zona Franca de Manaus sejam embarcados para Anápolis e, daqui, distribuídos para o País. “Nós temos aqui uma ferrovia inteligente e que já nasce com viabilidade econômica”, comemorou Edson Tavares.

Marco histórico
O Prefeito João Gomes (PT), salientou que a inauguração da Norte-Sul constitui-se em um novo ciclo para a economia de Anápolis, de Goiás e do Brasil e lembrou que, em 1935, foi justamente com a chegada da ferrovia, que o Município fortaleceu a sua economia. Depois- lembrou- veio a Base Aérea, o Distrito Agro Industrial (DAIA), o polo farmoquímico, a indústria automotiva. “Hoje, Anápolis é uma grande vitrine do desenvolvimento do País”, ressaltou. “O Brasil, o Estado de Goiás e a cidade de Anápolis, serão vistos de duas formas: antes e depois da Ferrovia Norte-Sul”, completou.
O ministro dos Transportes, César Borges, em seu discurso, informou que a Norte-Sul, no trecho entre Anápolis e Palmas, abrange 34 localidades, sendo 10 no Tocantins e 24 em Goiás. “Foram mais de 110 mil toneladas de trilhos; 1,6 milhão de dormentes; 35 viadutos e 12 túneis. Nós geramos mais de 8,9 mil empregos diretos e mais de 18 mil indiretos, durante a realização desta obra, que vai fazer de Anápolis um dos maiores centros logísticos do Brasil. Hoje, a ferrovia é uma realidade com a sua conclusão completa”, destacou o ministro.
Norte-Sul
Presidente Dilma rebate críticas pela demora da obra

Em seu discurso, ela ressaltou que, apesar da demora, outros governos não avançaram com a ferrovia

A Presidente Dilma Rousseff dedicou uma boa parte do seu pronunciamento para rebater as críticas pela demora da inauguração da Norte-Sul. “Faço questão de fazer justiça ao ex-presidente e atual Senador, José Sarney, que concebeu a ideia em seu Governo”. Mas, conforme lembrou, depois do pontapé inicial, dado pelo seu aliado político do PMDB, houve poucos avanços. Na verdade, uma referência aos governos do PSDB, embora preferisse não nominar os governos que antecederam o PT no poder.
Dilma lembrou que, no ano de 2007, era ministra-chefe da Casa Civil, no Governo Lula e, naquele momento, foi elaborado o Programa de Aceleração do Crescimento, “o primeiro programa planejado e concebido para recuperar o tempo perdido de investimentos em infraestrutura”, cutucou. Segundo a Chefe do Executivo, o Governo Federal tinha “interesse especial em resgatar a ferrovia”. E, através do PAC, os trabalhos foram retomados. “Tivemos muitas dificuldades, porque não tínhamos projetos prontos para licitar; uns estavam velhos. Mas percebíamos que era importante”, narrou, acrescentando que foi executado o trecho de Açailândia (MA) até Araguaína (TO) e, na fase inicial, o projeto existente não contemplava a passagem por Anápolis, mas por Senador Canedo.
“Depois que começamos, percebemos que a ferrovia seria uma ‘coluna vertebral’ do desenvolvimento, ligando o Norte e o Sul do País e ficamos surpresos com esse atraso inexplicável”, ponderou, acrescentando que o modal ferroviário é um elemento imprescindível para a integração nacional. “Essa ‘coluna vertebral’ vai permitir que Goiás fique mais perto do mar, coloca o litoral mais próximo”, disse. Em um trecho do discurso, Dilma brincou que os goianos e mineiros têm muito em comum, gostam de trem e de “trem bão”.
A Presidente destacou que, em seu discurso, poderia citar uma série de outras obras do Governo Federal em Goiás. “Mas quero mostrar ao Brasil que esta obra era um sonho que nós tínhamos e que está plenamente realizado”, ressaltou.
Dilma Rousseff destacou, também, a licitação da BR-153, a Belém-Brasília, que segundo ela, irá a leilão num trecho de mais de 600 quilômetros e deverá ser duplicada de Anápolis até Gurupi (TO).

Marconi rasga elogios à Dilma
O Governador Marconi Perillo (PSDB) distribuiu fartos elogios à Presidente Dilma Rousseff, durante o seu discurso na inauguração da Ferrovia Norte-Sul, em Anápolis. “Tenho muitos defeitos, mas também, muitas qualidades. E, uma delas é ser leal e grato. Podem perguntar à família Santillo. E a senhora, Presidente Dilma, terá, para sempre, um admirador e um amigo que sempre reconhecerá o gesto de apoio a Goiás e a Anápolis”, frisou.
Marconi lembrou que, há 27 anos, estava em Porangatu acompanhando o Ex-Governador Henrique Santillo, o qual se encontrara com o presidente José Sarney. “Fizemos uma mobilização e fui testemunha ocular do lançamento da pedra fundamental desta ferrovia”, disse, acrescentando que “se não for nada mais (na política), já terei um sonho realizado de ver terminada a Norte-Sul, que vi começar”.
Marconi Perillo ressaltou que a Presidente Dilma teve uma relação republicana e de alto nível com o seu Governo. “Não são as disputas e diferenças partidárias que vão interferir”, disparou. Em seguida, ele elencou uma série de parcerias que foram feitas em Anápolis com o ex-prefeito Antônio Gomide (PT) que, também, estava posicionado no palco das autoridades. “Doamos área para a construção do parque próximo da ferrovia; repassamos recursos para a pavimentação asfáltica, ajudamos com áreas para o programa Minha Casa, Minha Vida; ajudamos com a iluminação de Natal. Eu ajudei o Antônio Gomide e vou continuar ajudando o Prefeito João Gomes”, sentenciou.
“Sou grato à senhora, Presidente Dilma, por ser honesta, sincera e republicana. A senhora merece esses elogios”, reiterou Marconi, emendando o discurso falando sobre a importância da Ferrovia Norte-Sul e das obras completares, como o Aeroporto de Cargas, a Plataforma Logística e o Centro de Convenções, realizadas por seu Governo, que irão impulsionar ainda mais a economia de Anápolis e de Goiás.
“Anápolis é hoje um grande polo de desenvolvimento e eu sou orgulhoso por ter colocado alguns tijolos nesta construção, assim como o Antônio Gomide colocou e o João Gomes vai colocar”, resumiu.
Ainda em seu pronunciamento, Marconi enfatizou que nos dois primeiros governos, herdou muitas dívidas. “Neste terceiro governo, também herdamos dívidas, mas o Governo nos permitiu retomar investimentos”, sublinhou, acrescentando que Goiás foi o estado que conseguiu a maior redução de sua dívida, em torno de 37%, conforme o ranking divulgado pelo Tesouro Nacional.

Manifestação e atraso
Para chegar ao Pátio da Norte-Sul, nos fundos do Porto Seco, foi necessária muita paciência e até certa dose de determinação por parte das autoridades, profissionais da imprensa e de todos que se dirigiram ao local para acompanhar a inauguração, com a presença da Presidente Dilma Rousseff (PT).
Logo nas primeiras horas da manhã, trabalhadores de uma montadora de automóveis do DAIA, com o apoio de uma central sindical, promoveram uma manifestação pública que acabou fechando parte da via principal do Distrito Agro Industrial, que dá acesso ao Porto Seco. Na BR-060, nas proximidades do viaduto e nas pistas laterais, formaram-se congestionamentos quilométricos. E, só depois de muito tempo, os manifestantes - que haviam impedido a passagem com pneus velhos incendiados - desocuparam uma pista de rolamento. Mas, mesmo assim, a lentidão ainda era grande.
A Presidente Dilma Rousseff, que na noite anterior participou de uma solenidade em Goiânia, desembarcou na Base Aérea e foi para o Pátio da Norte-Sul de helicóptero. Antes, ela pediu para ir ao túnel 2 da ferrovia, que fica bem próximo do viaduto do DAIA, local onde de sua primeira visita a Anápolis, em 2012, quando pediu maior celeridade às obras da ferrovia que, naquele momento, andavam lentamente.
Dilma chegou ao Pátio da Norte-Sul com uma hora e meia de atraso. Antes de se deslocar para o palco, acompanhada por um grupo de autoridades, percorreu um pequeno trecho da ferrovia, para a foto oficial da inauguração.
Outro detalhe que chamou a atenção, na solenidade, foi a presença dos simpatizantes do ex-prefeito Antônio Gomide (PT), que promoviam uma festa cada vez que o nome dele era citado. O que causou certo constrangimento para o Governador Marconi Perillo. É que, ambos, são tidos como governadoriáveis. A petista Dilma Rousseff, também, deu uma deixa para os cumprimentos ao seu correligionário de partido.

Autor(a): Claudius Brito

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