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Desvendado mistério da espuma no Ribeirão Antas

Meio Ambiente Comentários 21 de setembro de 2013

Manutenção na rede de esgoto da Saneago foi apontada pela Secretaria de Meio Ambiente como a causadora da espuma. Empresa fará compensação ambiental na região


A denúncia feita ao CONTEXTO pela produtora rural Ana Paula Gomes, sobre o aparecimento de uma espuma misteriosa no Ribeirão Antas, repercutiu em diversos meios de comunicação e provocou reações das autoridades, levando à descoberta de uma das possíveis fontes causadoras do problema: um descarte de esgoto feito pela Saneago.
Segundo informou à reportagem o secretário municipal de Meio Ambiente, Francisco Carlos Costa, o problema foi ocasionado em razão da manutenção de uma rede de esgoto que liga à Estação de Tratamento de Esgoto (ETE). Conforme narrou, a empresa teve de desligar essa rede, com isso, o esgoto acabou sendo desviado para o manancial, fazendo aparecer a espessa espuma que cobriu parte do leito do Ribeirão. “Nós notificamos a Saneado, a Delegacia Estadual de Meio Ambiente (DEMA), o Ministério Público e a própria Saneago sobre o problema”, destacou o secretário, acrescentando que no último dia 15, a Saneago concluiu a intervenção na rede e, consequentemente, o esgoto deixou de ser lançado no leito do Ribeirão.
Em virtude desse problema, a Saneago já concordou em cumprir com um Termo de Ajustamento de Conduta para fazer uma compensação ambiental na região. O secretário de Meio Ambiente informou que, num prazo de 15 dias, já em andamento, será apresentada uma proposta sobre o que deve ser feito. Provavelmente, adiantou Francisco Carlos, uma recomposição da mata ciliar ou o plantio de espécies nativas às margens do Antas.
Sobre o fato de a espuma ainda estar presente em alguns pontos do Ribeirão, o secretário observou que o material leva um tempo a ser totalmente diluído. E, sobre a possibilidade de existência de outras fontes poluidoras no manancial, Francisco Carlos informou que a Pasta, juntamente com a DEMA, farão permanentemente, fiscalizações para identificar descartes ilegais. “Para isso, nós contamos com a colaboração da imprensa e da população que nos ajude a fazer essa fiscalização”, conclamou, dizendo que as mesmas podem ser encaminhadas para o telefone 156 ou na DEMA, em Goiânia.
A produtora rural Ana Paula Gomes, proprietária da Fazenda Cachoeira, divulgou uma série de imagens que correram o mundo na internet, mostrando a cena da espuma e lixo jogado às margens do Ribeirão Antas, um dos principais mananciais do Município que cobre uma grande área localizada na porção sudoeste de Anápolis e é afluente do Rio Corumbá que, por sua vez, é afluente do Rio Paranaíba.
Segundo informou, há pouco mais de duas semanas, fiscais da Secretaria Municipal de Meio Ambiente fizeram coleta de amostras da água em mais de 30 pontos do rio, até o local de deságua, no Corumbá. Também esteve no local uma equipe da Delegacia Estadual de Meio Ambiente e foi também acionado o Ministério Público.
Na quinta-feira,19, a redação tentou fazer um contato com a gerente da Seneago em Anápolis, Tânia Valeriano, para que ela pudesse colocar a posição da empresa em relação ao fato, mas a informação é que ela se encontrava em audiência no Fórum da Cidade. Mas, o secretário Francisco Carlos Costa garantiu que a empresa foi receptiva ao reconhecer que houve um problema e quanto à proposta da compensação ambiental.


OAB nova denúncia possível contaminação de nascentes causada por obras

Ainda na quinta-feira, foi encaminhada à redação, um ofício da subseção Anápolis da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), através da Comissão de Direito Ambiental, assinado pelo presidente Odilon Alves Rosa e pelo vice-presidente Tiago Santos Issa, informando sobre o recebimento de denúncias que uma erosão e dejetos, possivelmente de indústrias, estariam afetando a nascente-mãe do Ribeirão Antas em sua cabeceira, às margens da BR-153/060, “o que pode estar contribuindo para a poluição do ar na região Sul da cidade”, diz o documento.
E ainda, aponta que “a nascente-mãe e outras dezenas de nascentes situadas na mesma área estariam ameaçadas de soterramento por obras de construção civil ora ali realizadas, como o viaduto do DAIA, o Centro de Convenções e o Parque da Cidade”, denuncia a OAB, acrescentando que no Ribeirão Antas, desde sua cabeceira no trevo do DAIA até a zona rural, onde o curso d´água deságua no Rio Corumbá, “centenas de ligações de esgoto clandestino o contaminam, tornando a sua água totalmente imprópria para qualquer uso”. A Comissão da OAB destaca ainda no ofício, encaminhado para autoridades ligadas ao setor ambiental, que possíveis problemas na Estação de Tratamento de Esgoto de Anápolis, construída há mais de 20 anos, poderiam ser uma das causas da contaminação do ribeirão.
“Diante de tão graves denúncias, a Ordem dos Advogados do Brasil solicita imediatas providências por parte das autoridades responsáveis sugerindo que, uma delas, seja o acionamento do Conselho Municipal de Meio Ambiente e a formação de uma comissão de representantes dos diversos segmentos da sociedade civil organizada como entidades classistas e jurídicas para levantar a veracidade de tais denúncias e definir as ações a serem executadas no sentido de se preservar um dos maiores patrimônios do município de Anápolis, que é o Ribeirão das Antas”, finaliza o documento.

Autor(a): Claudius Brito

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