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Descartada nova "onda" de mau cheiro em Anápolis

Cidade Comentários 04 de setembro de 2010

Equipe do Contexto teve acesso ao local exato de onde procedia o mau cheiro que incomodou a Cidade inteira. Volta da fedentina teria sido “um excesso de zelo”


A exalação do mau-cheiro originário de um confinamento bovino que fica a, aproximadamente, dez quilômetros da região urbana de Anápolis, motivo de muita polêmica no final do ano passado e que voltou à mídia há alguns dias, foi levantada pelo Jornal Contexto, que teve acesso à propriedade (Estância JR) onde, hoje, estão cerca de quatro mil animais. O advogado da empresa, André Luiz Teixeira Marques, que viabilizou o trabalho, disse que tudo o que foi determinado pela Prefeitura, através da Secretaria Municipal de Meio Ambiente e pelo Poder Judiciário, tendo em vista uma interpelação do Ministério Público, foi cumprido à risca, com o acompanhamento sistemático dos órgãos fiscalizadores. Ele disse, mais, que a volta do mau-cheiro há alguns dias, teve origem em uma espécie de “excesso de zelo”, pois uma partida de excrementos bovinos (esterco) que estava sendo preparada para o espalhamento no terreno da Estância, foi inadvertidamente molhada, causando fermentação e, o consequente odor que chegou a algumas partes da Cidade. Assegurou, entretanto, que se tratou de um caso pontual e que, em nada, prejudica o projeto em andamento.
De acordo com as explicações técnicas, a origem da fedentina foi o excesso de umidade no final do ano passado. O período de chuvas, muito intenso, impediu que a coleta diária dos resíduos fosse feita dentro do cronograma. Assim sendo, houve o acúmulo do volume de esterco, o que ocasionou a fermentação da matéria e a exalação do odor. Como as reclamações se multiplicaram, a Secretaria de Meio Ambiente fez levantamentos por todo o Município e, embora detectasse vários pontos de provável exalação do mau-cheiro, chegou à conclusão de que o foco principal era, realmente, o confinamento da Estância JR. Havia, também, indícios de que o mau-cheiro poderia estar exalando da Estação de Tratamento de Esgotos da Saneago, que fica nas proximidades da Estância. Com isso, houve o procedimento legal e normal, gerando a notificação dos proprietários e a solicitação de providências, o que ocorreu em conjunto com ação do Ministério Público.

O processo
Diante do que foi levantado, no dia 9 de Setembro do ano passado o Juiz Algomiro de Carvalho Neto proferiu sentença determinando a retirada do gado, a reparação ambiental e a elaboração de um plano de manejo adequado, a fim de que o problema fosse solucionado. Isto, de acordo com a documentação exibida pelo advogado da empresa, foi cumprido sistematicamente, contando, inclusive, com a presença da fiscalização. Além de tais providências determinadas pelo Judiciário, a empresa iniciou, também, a pavimentação dos currais de manejo (até montou uma fábrica própria de bloquetes de cimento) o que impediria a fermentação dos resíduos e facilitaria o recolhimento, por sinal feito com maquinário adequado (pás mecânicas e caminhões). Todo o esterco recolhido (40 toneladas diárias) é espalhado na área da propriedade, objetivando fertilizar o terreno.
De acordo com o cronograma de serviços, a empresa ligada a um dos mais sólidos grupos econômicos de Anápolis (Rio Vermelho) alega que não se furtou, em nenhum momento, de cumprir o que fora determinado. Foram aplicados, segundo levantamentos, mais de R$ 700 mil nas adequações, o que permitiu a concessão de um novo alvará de funcionamento com período estipulado de 26 de março de 2010 a 26 de março de 2011, já que a inspeção constatou que tudo havia sido cumprido. Na Estância iniciou-se, ainda, a formação de uma lagoa de decantação, justamente para o tratamento dos resíduos esgotados dos currais de manejo. Assim sendo, de posse do documento permissionário, a empresa voltou a confinar gado no local.

Reincidência
Ainda, conforme o advogado e os técnicos da Estância, no final de julho ocorreu uma falha operacional com a irrigação de uma área onde estavam estocadas algumas toneladas de esterco, o que teria causado a exalação da fedentina, sentida em algumas regiões da Cidade. Como houve novo surto de reclamações do público, a Secretaria Municipal do Meio Ambiente voltou a interferir no projeto, suspendendo a licença. A direção da Estância, todavia, garante que foi, apenas, uma falha pontual e que em curto espaço de tempo tudo se resolveu. “Tanto é assim que não se sentiu mais o odor”, explica o advogado André Luiz Teixeira. Segundo ele, em mais algumas semanas, provavelmente até o final de outubro, todo o projeto estará concluído e, de parte da Estância JR não haverá mais exalação de mau cheiro. “Pode ser de outra fonte, de outra origem. Daqui não.”, disse. André Luiz alegou, mais, que o confinamento que funciona na Estância JR, além de oferecer dezenas de empregos diretos, ainda é responsável pela aquisição de gado de corte nas propriedades da região, assim como fornece “boi em pé” para os frigoríficos de Goiás, girando um importante capital. “Os donos são empresários anapolinos, gente que sempre trabalhou pelo progresso de Anápolis, oferecendo centenas de empregos, valorizando a economia local e que, em momento algum, se negaram a cumprir o que foi determinado. Tanto é assim que estão gastando uma elevada soma para as adequações sugeridas”, concluiu.

Autor(a): Nilton Pereira

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