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Desarticulada rede de prostituição internacional

Geral Comentários 08 de fevereiro de 2013

Os criminosos agiam na Bahia e atraíam mulheres jovens, com baixo nível cultural e social. Goiás é visto como o estado de maior incidência desse crime


Após uma operação conjunta, policiais da Espanha e do Brasil desarticularam no início deste mês, uma rede que atraía jovens brasileiras para explorá-las em casas de prostituição espanholas. As garotas eram mantidas encarceradas nos locais, informaram as autoridades dos dois países. Cinco pessoas foram detidas: três no Brasil e duas na Espanha, e seis mulheres que viviam presas em dois clubes de prostituição de Salamanca e Ávila foram libertadas. Segundo a polícia espanhola, a investigação teve início em novembro depois que o oficial de ligação brasileiro em Madri alertou sobre a denúncia de uma mulher segundo a qual “sua filha estava detida contra a sua vontade sendo explorada na prostituição” na Espanha.
A rede agia em Salvador e atraía "mulheres jovens, com baixo nível cultural e social, precária situação econômica e com necessidade de ganhar dinheiro devido a famílias dependentes", explicou. Após serem levadas à Espanha com a "promessa de que ganhariam muito dinheiro de uma maneira muito fácil", as meninas eram submetidas a rígidas normas de conduta e viviam presas.

Dívida
A organização, que ensinava às mulheres como não serem paradas nos controles de fronteira, fingindo viajar como turistas e exigia quatro mil euros de cada uma por tê-las introduzido no país, segundo a polícia. As autoridades brasileiras e espanholas realizaram uma operação conjunta de atuação para desarticular a organização. Foi exibida uma página na internet com imagens de agentes dos dois países registrando o funcionamento dos prostíbulos na Espanha. As polícias dos 14 países da comunidade iberoamericana concordaram em outubro em aumentar a cooperação na luta contra o crime organizado internacional. Trata-se de um intercâmbio de todo tipo de informação policial para avançar de forma conjunta e agir contra as formas de criminalidade que ameaçam os direitos fundamentais, como a vida, a liberdade e a segurança das pessoas, entre elas o tráfico de seres humanos.

Em Goiás
Calcula-se que nos últimos dez anos, mais de 60 processos sobre tráfico de mulheres foram protocolados na Justiça Federal em Goiás. A estimativa aproximada é de 600 vítimas. São dados da pesquisa “Tráfico de Mulheres em Goiânia - Olhares sobre as Necessidades das Mulheres Traficadas”. O tráfico humano está relacionado com adoção ilegal; casamento servil; servidão por dívida, exploração da prostituição e tráfico para fins de trabalho escravo, remoção de órgãos, entre outras. De todos esses, o mais comum é o de mulheres. Estima-se que 80% das vítimas brasileiras sejam mulheres.
A condição de escravidão e de vítima se dá porque, mesmo quando elas são aliciadas e levadas para o exterior conscientes de que a “proposta de trabalho” envolve a prostituição, ao chegarem lá elas têm o passaporte apreendido pelos chefes dos bordeis e ficam sem pagamento, impedidas de sair e principalmente de voltar para o Brasil.
A partir do início dos anos 2000, as goianas são um alvo preferencial do tráfico e o Estado é visto como o principal “exportador” de mulheres, para países como Espanha e Itália. Na Espanha, um centro de atendimento a vítimas de exploração sexual registrou que três entre cada quatro atendimentos eram de mulheres brasileiras, e, todas, goianas. Na maioria dos casos, a busca por uma nova vida, fora do país, oportunidade ou superação da miséria, chance de ajudar a família, os filhos, são algumas das razões que levam mulheres se envolverem nessa situação. Anualmente esse crime chega a movimentar US$ 50 bilhões em todo o mundo. Os números são estimados porque, afinal, não há registros dos negócios que envolvem o tráfico de pessoas.
Goiás ocupa a primeira posição do ranking nacional de tráfico de pessoas, atividade que submete suas vítimas a cárcere privado, exploração sexual, consumo de drogas, ameaças, trabalho escravo e venda de órgãos humanos. De acordo com dados de inquéritos apurados pela Polícia Federal, com uma população sete vezes menor que a de São Paulo, o Estado goiano foi responsável, na última década, por 140 (18,6%) dos 750 casos registrados em todo o País. São Paulo ocupa a segunda posição, com 96 inquéritos (12,8%), seguido por Minas Gerais com 72 casos (6%), Rio de Janeiro, com 53 (7%), e Pernambuco com 35 (4,6%).
O coordenador da unidade de governança e Justiça do Escritório das Nações Unidas Sobre Drogas e Crime para o Brasil e Cone Sul, Rodrigo Vitória, disse que o tráfico de pessoas atinge 2,5 milhões pessoas em todo o mundo. "Esse é o segundo negócio mais lucrativo do mundo, movimenta US$ 32 bilhões por ano, só perde para o tráfico de drogas".

Autor(a): Nilton Pereira

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