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Desaparecimentos mobilizam a Polícia em Anápolis

Geral Comentários 03 de outubro de 2014

Semelhanças nos casos intrigam os investigadores. Os chamados arrebatamentos, em que as vítimas são capturadas e assassinadas na sequência, estão sendo cometidos por homens com descrições semelhantes. Informações da 3ª Delegacia Regional da Polícia Civil indicam que o mesmo grupo esteja capturando e matando as vítimas. Todos os casos indicam acerto de contas ou disputa por território do tráfico de drogas


Algumas capturas de pessoas com o objetivo de executar as vítimas estão mobilizando a Polícia de Anápolis e de alguns municípios próximos. Os “arrebatamentos”, conforme explicou o delegado Álvaro Cássio dos Santos, da 3ª Delegacia Regional de Polícia Civil, são casos que, geralmente, envolvem disputas por território ou acerto de contas de dívidas do tráfico de drogas. Algumas características se repetem na descrição das ocorrências registradas.
Homens com capuz; altos; fortes, armados e conduzindo um veículo Ford/Fiesta escuro “arrebatam” as vítimas para, posteriormente, executá-las. “Nós não descartamos, também, que seja o mesmo grupo (atuando)”, declarou o delegado. “Este foco é localizado. Está acontecendo este fato em Anápolis”, disse, indicando que as facções ou quadrilhas envolvidas nestas capturas atuam no Município descartando, a princípio, a possibilidade de fazerem parte de um grupo atuante em outras regiões do Estado.
“Esse fato, nesse modus operandi, está acontecendo em Anápolis. Então, nós temos convicção de que seja uma briga interna, uma disputa por território”, continuou. Apesar disso, autoridades de outros municípios estão participando da solução dos casos, já que algumas vítimas, após serem arrebatadas, foram levadas para outras cidades e assassinadas. Álvaro Cássio apresentou o nome de quatro vítimas que se enquadram no mesmo perfil de capturas ocorridas em Anápolis.
Há mais casos semelhantes, entretanto, visando evitar que as investigações sejam atrapalhadas, o Delegado Regional preferiu não dar detalhes de todos.

Samara e Carioca
O casal Samara Maria de Oliveira, 29, e Alberto de Andrade Teixeira (Carioca), 37, com idades não confirmadas, foram arrebatados no dia 26 de maio de 2014, por volta das 19 horas, conforme o Boletim de Ocorrência registrado na Polícia Civil. O corpo de Samara foi encontrado na zona rural do distrito anapolino de Goialândia, no dia 29 de maio de 2014. As buscas por Carioca continuam. Os dois foram cercados por quatro indivíduos encapuzados e no Ford Fiesta já mencionando.

Hélio Rufino Borges dos Santos
Os arrebatamentos são diferentes dos sequestros. Nestes últimos, há o pedido de resgate para a devolução das vítimas, o que, geralmente, não ocorre quando pessoas são arrebatadas. Mas, um caso chama a atenção pelo fato de a família haver pago uma soma de dinheiro para reaver o capturado. O auxiliar administrativo Hélio Rufino Borges dos Santos, 27, foi levado no dia 05 de julho de 2014, às 22 horas. Por meio de ligações telefônicas, o autor do crime, conforme o boletim de ocorrência, pediu a quantia de R$ 20 mil para liberar a vítima. O valor foi pago, mas, mesmo assim, Hélio Rufino foi executado. Seu corpo foi encontrado na saída para Petrolina.

Felipe Michael da Silva
“A família é a primeira a dar a notícia e dar a informação. A gente instaura o procedimento e vai ouvir o comunicante, vai ouvir a família”, informou do delegado Álvaro Cássio sobre o processo para que os casos de arrebatamento cheguem à Polícia. E, em muitas das vezes as famílias se envolvem na busca pelos filhos capturados. É o caso de Aparecida Cleusa da Silva, 43, mãe de Felipe Michael da Silva, 23. Seu filho desapareceu no dia cinco de março de 2014, em casa, às 08 horas, conforme relato da namorada de Felipe.
Conforme o boletim de ocorrência, quatro indivíduos encapuzados; usando luvas; calçando tênis; trajando calças jeans, camiseta e blusa moletom, portando, cada um, uma pistola, entraram na casa onde Aparecida morava com seu filho e o levaram. Ela reclama da “falta de informação” por parte da Polícia na investigação do desaparecimento de Felipe. Reconhece que ele já havia sido preso por tráfico de drogas, aos 18 anos, mas que, desde então, não tinha mais envolvimento com o mundo do crime.
“Depois que meu filho desapareceu, eu fui até no inferno”, relatou, afirmando que compareceu ao Ministério Público para saber do paradeiro de Felipe. “Para eu achar meu filho eu faço qualquer coisa”, continuou. Ela indicou se dar conta da possibilidade de o filho estar ferido ou morto: “Essa parte é a que mais me dói”. “Como está meu filho? Será que ele está vivo? E se ele estiver vivo, será que ele está bem?”, se indaga. “Depois que meu filho sumiu eu não tenho mais vida”, disse Aparecida em tom emotivo.
“Eu quero meu filho, vivo ou morto”, exclamou. Para ela, existe a possibilidade de Felipe Michael da Silva estar vivo. “Eu sinto que ele não está morto. Morto não”, desabafou. Ela fez uma tatuagem no corpo com os seguintes dizeres: “viver o hoje, pois, o amanhã só a Deus pertence”. A frase era dita pelo seu filho constantemente.

Autor(a): Felipe Homsi

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