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Depois do Vendaval: O poder da fé no limite entre a vida e a morte

Geral Comentários 04 de outubro de 2014

“Depois do vendaval, os estragos são grandes. É preciso de tempo para reconstruir o que foi derrubado. Este tempo varia de pessoa para pessoa, mas certamente Deus nos acode e ajuda a colocar tudo novamente no lugar


“Depois do vendaval, os estragos são grandes. É preciso de tempo para reconstruir o que foi derrubado. Este tempo varia de pessoa para pessoa, mas certamente Deus nos acode e ajuda a colocar tudo novamente no lugar. Ele nos faz mais fortes, resistentes e prontos para novos desafios”. Este relato ou, mais do que isso, esse desabafo, resume o drama vivenciado pelo Reverendo Wildo Gomes dos Anjos e sua esposa, durante o período em que ele convalesceu após ser submetido a cirurgia para tratamento de uma apnéia grave.
Foram 15 dias na UTI, 10 dias na semi-UTI e um total de quase três meses de recuperação. Durante boa parte deste tempo, Wildo dos Anjos travou uma batalha gigante pela vida, batalha esta permeada pela fé, a oração e o trabalho incansável da sua esposa guerreira Rosane Borges Gomes, que em todos os momentos incitou os obreiros, amigos e a todos do círculo de convivência do Reverendo a orar com ela para que o milagre pudesse operar e tirá-lo da linha tênue que separa a vida e a morte.
“Depois do vendaval” é o título do livro assinado pelo Reverendo Wildo Gomes e sua esposa Rosane. A obra traz em detalhes toda dor e sofrimento, as conquistas e o aprendizado que ficaram desse período turbulento. Uma situação que todos nós, de alguma forma, estamos sujeitos a passar de alguma forma e que, com certeza, não é fácil de enfrentar.
O livro traz o relato de médicos da equipe que assistiu Wildo dos Anjos na sua obstinada batalha pela vida. Além dos textos das mensagens que eram encaminhadas por Rosana às pessoas narrando o que estava ocorrendo e os pedidos de oração para que cada etapa dessa difícil passagem fosse vencida.
A leitura de “Depois da tempestade” é, portanto, um convite à reflexão sobre as nossas fragilidades e as nossas forças; sobre a nossa fé e no seu poder transformador.
Na entrevista concedida ao CONTEXTO, o Reverendo Wildo Gomes fala mais sobre “Depois do vendaval”, ou seja, do que ocorreu antes e depois do seu tratamento. E, também, sobre a Missão Vida, instituição que dirige desde 1983, vocacionada para assistir mendigos e que, hoje, é uma referência no Brasil e em outros países.

Qual o propósito do senhor, e da coautora, Rosane, sua esposa, com a publicação do livro “Depois do Vendaval”?
Nossa intenção é dividir com as pessoas que para Deus não existe estrago que não possa ser reparado, por mais terrível que seja a situação. O livro Depois do Vendaval traz detalhes de um dos momentos mais difíceis da minha vida, provocado por um erro médico durante uma cirurgia em julho de 2012.
O senhor falou que, por ocasião do vendaval que enfrentou, andou pelo “vale da sombra e da morte”. Como é este vale e que lembranças o senhor trouxe de lá?
Não é raro ouvirmos depoimentos de pessoas que, nos momentos em que estiveram perto da morte, como foi o meu caso, viram uma luz azul distante ou ouviram uma voz dizendo que não era chegada a sua hora. Eu digo que, nos quinze dias em que estive em coma, nunca vi ou ouvi nada. Não tenho nenhuma lembrança desse período e acho, inclusive, que esta é uma maneira de Deus nos preservar do sofrimento pelo qual passamos. Mesmo depois de sair deste estágio e ouvir as histórias de minha esposa Rosane, meus irmãos e médicos, confesso que tive dificuldades em acreditar que tudo aquilo tivesse acontecido comigo e eu não me lembrasse. Na verdade, as lutas começaram realmente quando passei a ter consciência do que tinha vivido e as sequelas começaram.
Eu vou fazer ao senhor, talvez, uma das mais antigas e intrigantes perguntas do pensamento humano. Porque coisas ruins acontecem a pessoas boas? Na sua opinião, por que Deus permite isso?
Se pensarmos em provações, a vida de Jó certamente virá à nossa mente. Ele era um homem íntegro, reto, temente a Deus e que se desviava do mal (Jó 1:1), e, mesmo diante desses adjetivos e circunstâncias, passou por momentos de sofrimento e dor inimagináveis. No auge da angústia, permaneceu fiel à sua fé e a Deus. Não entendo e certamente não entenderei, de forma plena, por que Deus permitiu que tantas desgraças viessem sobre ele, sua família e servos. Uma das razões que consigo vislumbrar é que no sofrimento crescemos. O sofrimento produz consoladores.
Um dos 13 especialistas que o assistiu, o médico Samir Bittar, costuma dizer que “na medicina como na fé, é preciso nunca desistir”. No meio do vendaval, acaso o senhor se sentiu tentado a desistir da fé, ou da medicina?
Em momento algum eu pensei na possibilidade de amaldiçoar Deus ou deixar de servi-lo. Estou apenas passando um tempo na terra e em breve estarei na presença do meu Senhor quando gozarei eternamente de sua bondade e companhia perenes. Quanto aos médicos, tive a felicidade de ter pessoas extraordinárias cuidando de mim, dentre estes o Dr. Samir Bittar, Dr. Marco Aurélio Borges Barbosa, Dr. Benjamim Spadoni e tantos outros homens e mulheres de Deus, verdadeiros anjos de carne e osso ao meu lado. É certo que vivi momentos de desânimo, em que a minha esperança de me restabelecer parecia se esvair, mas nesses momentos, eu clamava ao Senhor e Ele me sustentava e me dava forças para continuar lutando.
O senhor tem evitado o assunto, talvez por elegância, mas reservadamente aos amigos tem falado que foi um erro médico que quase o levou a morte. Que relação, ou sentimento, o pastor tem hoje com aquele, ou aqueles que, por negligência ou imperícia, causaram danos irreversíveis a sua saúde?
Todos os profissionais de saúde que me acompanharam, não só durante o período de UTI e internação hospitalar, foram e são unânimes em dizer que o que ocorreu foi um erro grosseiro por parte da equipe responsável pela cirurgia ortognática. Tanto o cirurgião quanto o anestesista me garantiram que uma semana após o procedimento eu estaria pronto para voltar às minhas atividades de rotina. Alguns amigos, advogados, promotores, desembargadores sugeriram, algumas vezes, que eu ajuizasse um processo contra os responsáveis. Em momento algum, no entanto, titubeei em dizer não, mesmo o lado horroroso do Wildo querendo muito fazer isto. Digo com toda sinceridade que não teria dificuldade nenhuma em cumprimentar, conversar ou até mesmo conviver com estas pessoas, pois Deus me perdoou e certamente Ele quer que eu tenha a mesma atitude.
Vendavais costumam deixar resultados trágicos, negativos. Que lição o senhor aprendeu sobre o vendaval que marcou a sua vida? O que apareceu, o que veio depois desse vendaval? Qual é o saldo?
Aprendi que Deus não poupa ninguém. Mesmo aqueles que são envolvidos com seu Reino estão sujeitos a crises e sofrimento. Na Bíblia há muito mais base para sermos “cristãos sofredores” do que “vencedores”. Tem-se pregado muito um Evangelho que “faz bem”. O grande lance da vida não é “não sofrer” e sim não ser vencido pelo sofrimento. O sentimento que tenho é que tudo o que preguei ao longo dos mais de trinta e cinco anos de ministério é verdade: “No mundo tereis tribulações; mas tende bom ânimo, eu venci o mundo” (Jo 16:33). Depois de um vendaval, sempre temos muito trabalho para recolocar as coisas em seus devidos lugares. A minha luta pessoal tem sido incessante para juntar os pedaços e retomar 100% de minhas atividades. Mas posso dizer que nunca viajei, preguei e escrevi tanto como nos últimos dois anos.
Agora vamos falar sobre obras. Como andam os projetos ligados à Missão Vida? O senhor ainda está à frente de sua administração?
Inauguramos no mês de julho o Centro de Recuperação da Missão Vida em Rolândia/Paraná e estamos concluindo mais uma unidade na Região Sul, na cidade de Londrina. Recentemente um grupo de missionários foi enviado para o Amazonas para dar início à construção de mais um Centro de Recuperação de homens em situação de rua. Este será o primeiro núcleo na região Norte do país. E, quanto a mim, continuo de pé e à frente da Missão Vida, como não deixei de fazê-lo nem mesmo nos dias de internação hospitalar. Como costumo dizer para os colaboradores da instituição: Estamos apenas começando!
Como foram as comemorações dos 31 anos da Missão Vida e o lançamento do livro Depois do Vendaval ocorridos no último final de semana?
Tivemos a presença de amigos e colaboradores de mais de dez estados brasileiros. O livro vinha sendo aguardado e eu e Rosane não temos a menor dúvida de que ele fará muito bem ao coração de todos aqueles que tiverem acesso a essa publicação e o nosso desejo é que a fé dos leitores seja renovada e fortalecida por meio do nosso testemunho.

Autor(a): Vander Lúcio Barbosa

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