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Depois de dois anos mercado imobiliário tem ritmo normal

Boa Prosa Comentários 15 de abril de 2012

Esta é a tese que a maioria dos empresários que atuam nos segmentos imobiliário e da construção defendeu para explicarem que o crescimento não foi uma bolha, mas veio para atender a demandas reprimidas


Depois de dois anos de intenso crescimento, o mercado imobiliário em Anápolis, embora ainda muito aquecido, segundo especialistas do ramo ouvidos pelo CONTEXTO, tende a “acalmar”. Há controvérsia se teria ocorrido uma espécie de bolha, que os economistas costumam apontar como o crescimento acima do normal de um determinado mercado, provocando correria de investidores, mas que acaba “estourando”, como uma bolha de sabão, devido, justamente, a esse crescimento desenfreado.
No caso de Anápolis, há uma variável interessante: a cidade tinha até pouco tempo uma demanda muito grande de imóveis para todas as classes sociais. E, hoje, há ofertas que atendem as necessidades das classes “E” a “A”. Para se ter uma ideia, somente o programa Minha Casa, Minha Vida do Governo Federal contabilizou, de 2009 a 2011, 6.125 unidades contratadas, totalizando cerca de R$ 320 milhões de investimento, beneficiando, segundo a própria Caixa, a mais de 24,5 mil pessoas. São, na maioria, casas populares que atendem a famílias com renda de, até, R$ 1,6 mil. Por outro lado, dentre em breve, será lançado um megaempreendimento, o Terra Alphas, do mesmo grupo empresarial do Alphaville, que tem como foco de mercado, condomínios fechados para abrigarem a casas com alto padrão de construção. Além disso, também há muita oferta de apartamentos para as classes média e alta. Enfim, há ofertas para todos os bolsos e gostos.
O presidente da Associação das Imobiliárias de Anápolis (AIA), Ederval Araújo, analisa que, neste momento, há mais oferta do que procura para casas e apartamentos e menos oferta e mais procura para lotes. Como o que rege o mercado é a chamada lei da oferta e da procura, segundo observa, há a tendência de estabilização nos preços dos negócios envolvendo imóveis edificados. Ele não vê possibilidade de queda, porque o preço do lote está em alta e, quando se agrega valor a ele, ou seja, quando se constrói, obviamente, haverá um peso disso na casa ou imóvel que se construiu. Na região do Bairro Jundiaí - diz - para onde tem se convertido boa parte dos prédios de apartamentos, os lotes chegam a custar de R$ 2,8 a R$ 3 mil o metro quadrado. “Se subir mais, vai ser difícil encontrar comprador para os imóveis devido ao preço”, alerta.
Para o presidente da AIA e diretor da WE Imobiliária, o crescimento de Anápolis deve ainda ficar bastante concentrado nas regiões sul, sudeste e leste, do que nas regiões Oeste, Norte e Nordeste. Ele cita o exemplo de que o Bairro Jundiaí tem uma grande rede bancária, restaurantes e bares, estabelecimento de saúde e de ensino. Com isso, cresce o interesse das pessoas em adquirir um imóvel onde se encontrem mais facilidades para, por exemplo, o deslocamento para o trabalho ou a condução dos filhos à escola, além do lazer da família. Isso não quer dizer, entretanto, que as demais regiões não despertem interesse, mas essa é uma expectativa de muita gente que vem para o Município para trabalhar ou estudar, o que, aliás, explica a forte demanda em razão do grande número de cursos ofertados pela rede de ensino superior, além dos empregos gerados no comércio e, principalmente, na indústria, cujo crescimento nos últimos 10 anos, foi excepcional. E o mercado de imóveis não deixou as oportunidades passarem.
O crescimento do mercado imobiliário em Anápolis teve um crescimento tão significativo nos últimos anos que, segundo o delegado do CRECI (Conselho Regional de Corretores de Imóveis), Francisco Carlos Lobo, somente nos últimos dois anos, em números exatos, foram regularizados 186 corretores. É um procedimento que leva, em média, dois anos. A pessoa que deseja ingressar deve ter formação escolar em nível médio, formação no curso Técnico em Transações Imobiliárias, com opções também para os cursos de Ciências Imobiliárias ou Gestão Imobiliária. Ou, então, deve passar pelo Teste de Transação Imobiliária, Uma vez aprovado e publicado o resultado no Diário Oficial, a plenária do Conselho julga se efetivamente o candidato está apto a receber a ‘carteira vermelha’. Hoje, a classe dos corretores é formada por um contingente de 500 profissionais. A Cidade conta com, nada menos, do que 85 imobiliárias na ativa. Dá para se ter uma dimensão do que este setor representa para a economia local, embora não haja uma estatística oficial de quantos empregos são gerados no segmento, nem o volume de recursos que anualmente movimenta com os negócios de compra, venda e aluguel de imóveis. Mas, com certeza, o setor imobiliário, agregando também a construção civil, tem uma força muito grande na geração de riquezas e oportunidades.

Valorização grande dá lugar à estabilidade
O empresário Carmo Ribeiro, há mais de 30 anos atua no setor imobiliário em Anápolis e, com a experiência e a bagagem de quem é possuidor, afirma que o setor, nos últimos 10 anos, teve um crescimento surpreendente. Os imóveis tiveram uma valorização grande de três anos para cá. No entanto, diz, a tendência agora é que o mercado fique estável. Ele não acredita que haja retração de preços, mesmo porque, o mercado estaria acompanhando a evolução do poder aquisitivo da população.
De acordo com Carmo Ribeiro, Anápolis se transformou num grande polo empresarial e num centro universitário de referência. Isso, evidentemente, trouxe um aquecimento, mas o mercado continua ativo e, em sua opinião, deve permanecer assim, porque existe demanda. Conforme disse, há uma tendência se firmando que são as construções de alto padrão e os condomínios fechados. “É uma tendência que veio para ficar”, pontuou, acrescentando que isso ocorre porque, praticamente, esse tipo de empreendimento até um passado pouco distante, não existia na Cidade.
Para o diretor da Carmo Imóveis, existem opções para quem deseja adquirir imóveis para morar, para investir e, também, há uma demanda forte no segmento de aluguel. Para ele, esse dinamismo do mercado de imóveis traz muitos benefícios à economia do Município, já que antigamente, muitos investidores optavam por adquirir os imóveis em Goiânia ou em Brasília. E, atualmente, há muitas opções de lançamento no mercado. O dinheiro não vai para fora. Gira, portanto, a roda da economia local.

Mercado precisa de mais agilidade
O empresário André Martins da Costa Codro, da Formatto Engenharia, também crê num mercado mais estável, em termos de acomodação de preços. No entanto, ainda com forte expansão de novos empreendimentos. Ele prevê que, este ano, deve entregar em torno de 700 moradias que são financiadas pelo Minha, Casa Minha Vida, para a faixa de público com rendimento de até três salários mínimos. E, outros 100 imóveis virão dentro da nova etapa com casas que custam em torno de R$ 106 mil com três quartos, sendo um suíte. O lançamento ainda será em breve, mas as vendas já estão ocorrendo.
Para ele, o mercado de Anápolis tem um equilíbrio para imóveis de morar e de investimento. Além de construções mais compactas, estas destinadas principalmente ao público universitário. “É importante que o setor da construção esteja preparado para trazer as novidades que o mercado requer”, ressalta, acrescentando que o setor da construção teve de se qualificar através do Programa Brasileiro da Qualidade e Produtividade do Habitat (PBQPH), com as certificações de padrão ISO, dentre outras, para se profissionalizar e, até, não deixar o mercado ser invadido por empresas vindas de fora, embora isso esteja ocorrendo, devido Anápolis ser, hoje, uma vitrine do desenvolvimento econômico no País.

O empresário reclama, por outro lado, que mesmo com a contribuição que o segmento dá à economia do Município, há ainda muita burocracia por parte da Prefeitura nos procedimentos para a liberação de processos. Em alguns casos, a demora chega a 10 meses. “Nós temos que começar agora para lançar somente no ano que vem”, pondera, acrescentando que as transformações que estão acontecendo na Cidade têm impactado positivamente na área da construção civil e, para acompanhar esse processo, as empresas precisam também de agilidade.

Aluguel de imóvel comercial é boa opção
A opinião é do empresário Idelvan Silvestre da Costa, da Imobiliária Residência. Para ele, as pessoas que desejam investir em imóveis em Anápolis, tem um filão interessante que são os imóveis comerciais. Isso porque, além da valoriza do imóvel, há, também, o ganho com o aluguel que pode ser um excelente complemento de renda para o investidor. O mesmo seria aplicável aos imóveis residenciais, embora, neste caso, a liquidez seja um pouco menor.
“Aplicar em imóvel para locação é um ótimo investimento”, receita Idelvan Silvestre, observando, entretanto, que o investidor deve ter a orientação de empresas e profissionais especializados, para não ter dor de cabeça com um negócio mal feito. Inclusive, pondera, qualquer pessoas que vai fazer um negócio com imóvel, deve desconfiar se o preço estiver muito abaixo do mercado, o que pode ser um sinal de golpe.
O empresário compartilha da opinião de que o mercado continua dinâmico, mas sem haver mudanças significativas em relação a preços. Conforme observa, as construtoras e incorporadoras estão realizando projetos para atenderem aos mais diferentes estratos sociais e, em muitos casos, os empreendimentos estão sendo comercializados em tempo recorde. Para Idelvan, houve, nos últimos anos, uma mudança no comportamento do mercado, sendo que atualmente, há muito investimento em condomínios fechados e prédios de apartamentos, por questões de segurança e praticidade. “Temos quatro condomínios horizontais e mais três grandes que estão chegando. Então, há demanda. Não vi, até agora, nenhum empreendimento que não esteja vendendo”, assinala.
Para Idelvan Silvestre, investimentos e projetos públicos importantes como o anel viário e a expansão do perímetro urbano, têm favorecido o surgimento de novos empreendimentos imobiliários e as empresas estão trabalhando hoje dentro deste cenário, formas de fazer com que os clientes tenham melhores opções para pagar o imóvel que estão adquirindo, seja com a flexibilização da entrada, seja na oferta de parcelamentos maiores, através do sistema financeiro.

Autor(a): Claudius Brito

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