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Denúncias de maus tratos contra idosos

Cidade Comentários 21 de junho de 2013

Criada há, apenas, um mês, Delegacia de Proteção à Pessoa Idosa em Anápolis tem recorde de denúncias, a maioria procedente


Já são quase 90 as denúncias sobre maus tratos, agressões físicas, abandono e exploração econômica de pessoas idosas em Anápolis, número que surpreendeu, até, o delegado de polícia Manoel Vanderic Filho, que comanda a estrutura que cuida de apurar tais ocorrências. Segundo ele, há casos estarrecedores e a maioria tem como autores, pessoas do relacionamento das vítimas, como filhos, netos e, até, bisnetos. A maioria se refere ao abandono em que os idosos são submetidos, muito embora, vários deles desfrutem de situação econômica satisfatória, como patrimônio e aposentadorias. “Grande parte desses senhores e senhoras, é explorada pelos filhos que se apossam de seus bens, principalmente do dinheiro da aposentadoria para alimentarem vícios, despesas supérfluas e outras contas, sem oferecerem, em troca, o mínimo de assistência ao idoso”, disse o delegado.
Segundo ele, alguns casos chamam a atenção, como o de um senhor que foi localizado pelos agentes policiais em estado deplorável. “Este homem tem filhos e parentes, mas estava jogado em uma cama, com grande parte do corpo necrosada e carcomida por câncer. Ele estava, literalmente, apodrecendo, sem que os familiares lhe dedicassem qualquer tipo de atenção”, disse Manoel Vanderic.
Outros casos
O delgado narra, ainda, o caso de uma senhora que “vivia” em um sofá, nos fundos de uma residência, enquanto os parentes mais ligados a ela consumiam todo o dinheiro de sua aposentadoria em farras e bebedeiras deixando-a passar as mais elementares privações, como alimentação e higiene pessoal. Outro caso é o de um senhor, proprietário de vários imóveis, mas que estava relegado ao abandono, enquanto a família desfrutava de todo o seu patrimônio.
Alguns desses assuntos foram, superficialmente, resolvidos. No caso, por exemplo, do senhor proprietário dos imóveis, a família foi chamada à responsabilidade e se comprometeu a cuidar dele. Houve, inclusive, uma reconciliação com a esposa, de quem estava separado e os dois voltaram a morar juntos em uma chácara de propriedade da família. Quanto à senhora que estava abandonada nos fundos da casa, os filhos e demais parentes foram intimados e se comprometeram a dar-lhe a devida assistência. O homem localizado com câncer já em estado avançado, foi removido para o Hospital Municipal a fim de receber atendimento.
O delegado Manoel Vanderic Filho disse que estas situações são altamente complexas. “O objetivo não é punir os responsáveis pelo abandono no primeiro momento. Tentamos, de todas as formas, convencê-los a mudar de atitude, passando a cuidar dos parentes idosos, o que é previsto em lei. Muitos concordam e estamos acompanhando caso a caso. Se, porventura, não ocorrer o cumprimento do acertado em TAC (Termo de Ajuste de Conduta) a Polícia Civil tem como indiciar os parentes pelo crime de abandono”, justificou o delegado. Mas, para ele, a melhor situação é buscar o entendimento e a compreensão. “Muitos desses idosos relutam em deixar o ambiente em que se encontram, mesmo que se lhes ofereça abrigos em casas especializadas. Temos parceiros que se predispuseram a aceitar esses idosos e dele cuidarem. Outra coisa que buscamos é ampliar a rede de apoio, conseguindo profissionais de outras áreas, como psicologia, assistência social e médica, para reinserirmos essas pessoas ao convívio social”, disse.
Manoel Vanderic Filho, que acumula as atribuições de Delegado do Idoso, com a chefia do Sexto Distrito Policial, se disse preocupado com a situação em que muitas pessoas de idade avançada se encontram. “É um fenômeno social dos tempos atuais. Praticamente não há mais comprometimento de filhos e netos com os idosos. As pessoas são desprezadas como material descartável e, isto, chega a ser desumano”, alegou. Ele disse que a estrutura da Delegacia ainda está longe do ideal. Falta uma série de aparelhos estruturais, mais pessoal, equipamentos e logística. “Mas, com o que temos, já é possível se fazer alguma coisa. O principal, já conseguimos, que foi chamar a atenção da sociedade para este fato real e cruel, só agora revelado”, concluiu.

Autor(a): Da Redação

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