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Dengue recua, mas a população ainda precisa ficar atenta e manter o combate

Saúde Comentários 07 de abril de 2017

Últimos números divulgados mostram um recuo de mais de 85% no número de notificações. Este ano, nenhum óbito foi confirmado


A população anapolina pode comemorar. Os registros oficiais da Secretaria Estadual de Saúde, referentes à semana 13- de 01 de janeiro a 1º de abril deste ano- dão conta que, em relação ao mesmo período do ano passado, o número de notificações de casos de dengue teve uma queda de 85,81%. O que não quer dizer que a população deve baixar a guarda. Muito pelo contrário, é preciso ainda muito alerta, uma vez que chuva e ao calor, criam ambientes propícios à proliferação do Aedes aegypti. O mosquito também é vetor de outras doenças, como a febre chikungunya e a zika.
Conforme o boletim de acompanhamento da dengue da SES-GO, este ano, o número de casos notificados de dengue foi de 1.241, contra 8.749 no ano passado. Outra informação ainda mais relevante é que, este ano, não há ainda registro de óbito e de suspeita de óbito. No ano passado, na semana 13, Anápolis liderava o ranking estadual, com seis mortes oficialmente reconhecidas por complicações de dengue, num universo de 24 em todo o Estado.
Embora os números sejam positivos, não chega perto dos dados de 2012, quando o número de casos notificados de dengue, na semana 13, ficou em apenas 674. No ano, em 2.199. De lá para cá, veio subindo significativamente. Em2013, foram 8.723 notificações, no ano seguinte, caiu um pouco, para 7.816. Porém, em 2015 o número de notificações saltou para 11.421 e em 2016, para 16.032.
Conforme ainda o balanço da SES-GO, Anápolis está entre os 171 municípios classificados na faixa de “baixo risco”. 60 cidades estão na faixa de “médio risco” e apenas 12, na faixa de “alto risco”. Na semana 13 de 2016, a situação era a seguinte: 74 municípios na faixa de “alto risco”, entre eles Anápolis; 83 na faixa de “médio risco” e 89 na faixa de “baixo risco”. Este indicador leva em consideração os municípios com maior coeficiente de incidência de dengue, ou seja, o número de casos por 100.000 habitantes.
Goiás
Em Goiás, o número de notificações de dengue também encolheu na comparação entre os dados da semana 13 de 2016 e a de 2017. No ano passado, foram 199.118 notificações, contra 24.518 este ano. Uma redução de 83,56%. O número de casos confirmados caiu de 73.102 para 8.481, uma redução de 88,40%.
No ano passado, o número de óbitos por dengue e suas complicações chegou a 24. Este anos, apenas 01 foi confirmado até agora. Há 16 casos suspeitos em investigação, sendo: Goiânia (06); Aparecida de Goiânia (02); e Águas Lindas de Goiás, Aragoiânia, Goianápolis, Luziânia, São Miguel do Passa Quatro e Senador Canedo, com 01 caso em cada município.
Aedes e dengue: vetor e doença
Quando falamos em dengue, em geral a primeira imagem que nos ocorre é a do mosquito Aedes aegypti. Porém, é importante fazer a distinção. Para que a dengue ocorra, são necessários três componentes: o vírus que causa a doença (são quatro sorotipos), o mosquito, que transmite o vírus (chamado vetor da doença) e uma pessoa susceptível (que nunca teve contato com o sorotipo de vírus que está sendo transmitido pelo vetor).
Do ponto de vista do mosquito, é preciso esclarecer que o Aedes aegypti nem sempre é o “vilão”: nem todos os A. aegypti transmitem a doença, porque nem todos estão infectados com o vírus da dengue. Para que a transmissão da doença aconteça, é preciso que o vetor esteja infectado e infectivo – o que são coisas diferentes.
O mosquito fêmea (sim, apenas as fêmeas picam, já que elas fazem isso para amadurecer seus ovos) se torna infectado quando suga o sangue de alguém doente, no curto período em que esta pessoa tem várias partículas do vírus circulando em seu sangue. Neste momento o mosquito terá o vírus em seu “estômago”, mas ainda não é capaz de transmiti-lo. Entre 10 e 12 dias depois, as partículas do vírus dengue se disseminam pelo organismo do A. aegypti, se multiplicam e invadem suas glândulas salivares: neste momento, o mosquito fêmea se torna infectivo e, somente a partir daí, poderá transmitir o vírus a outra pessoa.
Ao mesmo tempo em que pica para sugar o sangue, o Aedes cospe saliva, que tem uma série de substâncias analgésicas e anticoagulantes, que o ajudam a não ser notado e a conseguir sugar o maior volume possível de sangue. Neste processo, as partículas de vírus são injetadas na corrente sanguínea da pessoa, junto com a saliva do mosquito.
Na prática, um percentual muito pequeno de A. aegypti está infectado com o vírus dengue. Em primeiro lugar porque nem todas as fêmeas picam uma pessoa com o vírus dengue. Em segundo lugar, porque nem todos os mosquitos que picam alguém com o vírus dengue conseguem sobreviver até o momento em que se tornam infectivos e podem, então, começar a transmitir a doença.
Quanto maior a longevidade média de uma população de mosquitos, maior a chance de que ela possua indivíduos que consigam se tornar infectivos. Ao mesmo tempo, quanto menor o esforço que as fêmeas fazem para colocar seus ovos, maior a garantia de longevidade da população. O esforço das fêmeas do mosquito acontece em dois momentos principais: para procurar uma fonte de sangue (necessário para amadurecer os ovos) e para depositar seus ovos (que precisam do ambiente aquático para eclodir e se desenvolver para os estágios de larva, pupa e, finalmente, mosquito).
Assim, fica fácil entender que quanto maior a disponibilidade de locais para que as fêmeas depositem seus ovos, maior a chance de ter uma população longeva de mosquitos – e maior a chance de encontrar mosquitos infectivos, capazes de transmitir a dengue. Em outras palavras, agindo para eliminar os criadouros potenciais do mosquito, estamos dando a melhor contribuição possível para colaborar com a diminuição das epidemias de dengue. (Fonte:Instituto Oswaldo Cruz)

Autor(a): Claudius Brito

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