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Delegada discorda de pesquisa polêmica

Violência Comentários 05 de abril de 2014

IPEA divulgou que brasileiros acreditam que o comportamento feminino influencia estupros e agressão doméstica


O resultado de uma pesquisa sobre a tolerância social à violência contra mulheres, realizada pelo Sistema de Indicadores de Percepção Social (Sips), do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), causou espanto e revolta de pessoas em todo o País. Os resultados apontavam que pessoas do sexo feminino seriam, de alguma forma, responsáveis pela violência doméstica e estupro da qual são vítimas. O País inteiro reagiu diante da resposta do estudo, que mostrou uma sociedade fria, machista e arcaica.
Nesta semana o CONTEXTO procurou a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher de Anápolis para buscar mais respostas e saber se as estatísticas dos casos ocorridos no Município traziam evidências para sustentar o resultado dos estudos do IPEA. E, de acordo com a delegada Aline Vilela, “a pesquisa é fajuta e o órgão, especializado em economia, não teria competência para falar sobre comportamento social”.
Para obter esse resultado, o IPEA entrevistou mais de três mil pessoas. De acordo com o Instituto, a grande maioria acredita nas seguintes afirmações: “Se as mulheres soubessem se comportar haveria menos estupros”; “mulheres que usam roupas que mostram o corpo merecem ser atacadas”; “tem mulher que é pra casar, tem mulher que é pra cama”; “em briga de marido e mulher não se mete a colher”.
Segundo a delegada, além de não acreditar que a sociedade pense dessa forma, os crimes de estupro não dependem da roupa que a vítima esteja usando. Um exemplo citado por ela foi um estuprador em série, preso no ano passado, em Anápolis, em que nenhuma de suas vítimas tem características semelhantes. “O perfil que deve ser avaliado aqui deve ser o do agressor. Esse estuprador mesmo agia quando tinha oportunidade”, avaliou. A delegada complementou que até em termos de horário e local o criminoso não obedecia a uma regra. Ele estuprou tanto pela manhã, por volta das 7 horas, quanto à tarde, por volta das 17 horas.
Do início de janeiro a 31 de março deste ano, a Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher registrou 327 ocorrências. Dentre elas, três foram estupros e o restante, casos de violência doméstica variada. Ressalte-se que nem todos os registros de violência doméstica viraram inquérito policial. Muitas das vezes, as vítimas decidem não levar a denúncia adiante.
Mesmo diante desse alto índice de desistência, a delegada mantém sua opinião. “Nenhuma vítima deve sentir culpa. Elas se sentem totalmente humilhadas e violadas. Em vários casos, quando elas deixam de levar adiante a denúncia é por ser doloroso relembrar tudo o que ocorreu, por terem medo de serem desacreditadas”, concluiu.

Autor(a): Wanessa Mereb

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