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“De médico e louco todo mundo tem um pouco”

Cidade Comentários 18 de setembro de 2014

Figuras hilárias e, até, misteriosas, fazem parte do imaginário coletivo do anapolino. ‘Hulk’, ‘Marcha à Ré’ e ‘Teresão’ fizeram história na Cidade pela sua excentricidade e características que, ao mesmo tempo, atraem e criam repulsa em parte da sociedade anapolina. Para historiador, cidadão precisam aprendes a conviver com os chamados “malucos”.


Anápolis criou, ao longo da sua história, personagens que se tornaram míticos e lendários. Em torno deles, teceram-se as mais fantasiosas teorias e boatos. Um deles, famoso na cidade, é Cleuton Rodrigues da Silva, 59, apelidado pelos moradores anapolinos de Hulk, uma alusão ao personagem de quadrinhos da Marvel Comics. “É porque antigamente eu era muito forte, trabalhava num frigorífico, era muito forte”, explicou. Nada modesto, acrescentou: “Nós éramos cinco, mas o mais forte era eu”.
Cleuton, que nasceu em Cárceres (MT), veio para Anápolis aos 11 anos de idade, após ter sido abandonado pelos pais. De maneira descontraída, ele concedeu entrevista para o Jornal Contexto enquanto nadava na fonte de água da Praça Dom Emanuel. “Eu moro na rua. Gosto, amo, respeito todos”, declarou Hulk, que se tornou conhecido pela população por apitar nas proximidades de sinaleiros, confundindo os motoristas, que pensam ser um sinal de que a Polícia está perto.
“Eu sou criado simplesmente na rua, mas tenho meu respeito e gosto. Bebo minha pinga, mas tenho meu respeito”, comentou sobre o seu estilo de vida. Quando questionado se já foi maltratado por autoridades policiais, ele atestou: “Jamais. Tenho o maior respeito pelos militares, tenho o maior respeito por eles”. E, Hulk parece ter caído nas graças dos anapolinos, que não demonstram se importar com sua presença ou pelo fato de ele viver nas ruas. “Amo demais Anápolis”, disse a lenda.
Hulk criou suas próprias leis e regras, longe das convenções sociais a que estamos acostumados. Suas atitudes, politicamente corretas, ou não, revelam que seu mundo foge do padrão usual. Ao ser questionado sobre quem o teria deixado nadar na fonte da Praça Dom Emanuel, esclareceu: “Aqui? O prefeito”. “Ele mandou fazer aqui pra mim”, disse com o humor aprendido nas ruas de Anápolis.
Ele disse que usa o local quando está “tomando banho” e declarou sobre quem teria autorizado nadar ali: “Ordem minha, mesmo”. Para o historiador Juscelino Polonial, “eles (personagens como o Hulk) criam suas próprias regras. Porque, para ele, esse mundo em que nós vivemos não tem nenhum sentido. Ele está descolado dele. Criou um mundo próprio. E, nesse mundo, ele vive sua própria realidade, faz suas próprias regras e define seu próprio padrão de comportamento”.
Juscelino Polonial critica a visão preconceituosa que algumas pessoas têm destes indivíduos•. “A sociedade os trata como malucos. Então, se ele é maluco eu vou copiar o que deste camarada? Porque se você observar bem, a gente tem essa defesa. Quando uma pessoa cria problemas demais, a gente fala: ‘é maluco’. Por quê? Porque você não discute com maluco, você deixa para lá. Então, na verdade, essas pessoas dificilmente têm influência (positiva na sociedade), porque elas são, na verdade, meio que exiladas, meio que afastadas da sociedade”, atestou.
“Eu acho que a sociedade tem que saber conviver com tudo isso. Às vezes a sociedade tem o péssimo hábito de querer tudo muito certinho. Isso é uma visão autoritária. Penso que não tem que tomar nenhuma atitude (contra eles)”. E, ironizou sobre a rebeldia guardada dentro de cada cidadão, mas que é cerceada pelas convenções sociais: “Tem que aquele ditado popular que fala que de médico e louco todo mundo tem um pouquinho”.

Personagens lendários
David Bispo de Souza é comerciante e possui uma banca no Mercado Municipal de Anápolis. Ele conviveu, desde a década de 60, com personagens urbanos que passavam por ali. Ele listou alguns dos principais:

Tota - Homem de idade avançada que, nos anos 60, muito gentil com as pessoas, frequentava o Mercado Municipal. Não pedia esmolas e cativou o público pela sua gentileza.
Vela - Personagem da “fala fina” da década de 60. As pessoas lhe davam dinheiro, apenas, quando ele engrossava a voz.

Vaca - Nos idos de 1960, o Vaca ficou conhecido por perseguir as pessoas com pedras ao ser chamado por este apelido.

Maria Manteiga - Recolhia, nas beneficiadoras de arroz, nos anos 60, restos de cinzas e comercializava este produto, utilizado para fazer sabão.

Marcha à ré - Comercializava na década de 70, arroz do tipo ‘Marcha à ré’, o que explica seu apelido. Ficou conhecido por perseguir moços e moças que lhe chamavam por este nome, utilizando paus para agredi-los.

Terezão - Ficou conhecido no final dos anos 70 e início da década de 90 por ser um dos primeiros homossexuais declarados no município de Anápolis. Carinhoso com as pessoas, promovia aparições públicas e divertia o público em circos e teatros, acenando com as mãos e interagindo com as crianças.

Botão - Permanece nas imediações do Terminal Urbano de Anápolis apitando para transeuntes e motoristas.
Índio - Personagem que porta um saco de pano e uma enxada. É conhecido por recolher restos de grama e capim nas calçadas e ruas de Anápolis.

Autor(a): Felipe Homsi

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