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Crimes sexuais superam os de homicídio

Violência Comentários 08 de novembro de 2013

Os casos de estupro aumentaram quase 20% no Brasil e preocupam o Governo


Mesmo com os avanços oriundos de leis como a “Maria da Penha”, que, teoricamente, inibem as agressões contra as mulheres, o número de estupros no Brasil subiu 18,17% em 2012, em comparação com 2011. É o que indica o 7º Anuário Brasileiro de Segurança Pública, do Fórum Brasileiro de Segurança Pública. De acordo com o estudo publicado esta semana, em todo o País, foram registrados 50,6 mil casos, o correspondente a 26,1 estupros por grupo de 100 mil habitantes. No ano anterior, a taxa era de 22,1.Roraima, Rondônia e Santa Catarina foram os estados com as maiores taxas de estupro para cada 100 mil habitantes. As menores taxas, por sua vez, ocorreram na Paraíba, no Rio Grande do Norte e em Minas Gerais. Goiás fica em uma posição intermediária.
De acordo com os dados do documento, o total de estupros (50,6 mil casos) superou o de homicídios dolosos (com a intenção de matar) no País. Foram registradas 47,1 mil mortes por homicídio doloso em 2012, subindo de 22,5 mortes por grupo de 100 mil habitantes em 2011, para 24,3 no ano passado, uma alta de 7,8%.
Alagoas continua liderando o ranking de homicídios dolosos com 58,2 mortes por grupo de 100 mil habitantes, mas houve redução da taxa. Em comparação com 2011, o índice recuou 21,9%, ou seja, passou de 2,3 mil mortes em 2011, para 1,8 mil mortes em 2012. No grupo de estados com as menores taxas de morte por grupo de 100 mil habitantes estão Amapá (9,9); Santa Catarina (11,3); São Paulo (11,5); Roraima (13,2); Mato Grosso do Sul (14,9), Piauí (15,2) e Rio Grande do Sul (18,4). A população carcerária cresceu 9,39%. Em 2011, havia 471,25 mil presos no País, número que saltou para 515,5 mil em 2012. Já as vagas nos presídios cresceram menos - eram 295,43 mil em 2011 e passaram a 303,7 mil no ano passado, aumento de 2,82%.
Questão carcerária
Em média, no Brasil, para cada 10 vagas nos presídios, existem 17 detentos. Boa parte desses encarcerados (38%) é de presos provisórios, com casos ainda não julgados. Em sete estados, mais de 50% da população carcerária ainda aguardam julgamento: Mato Grosso (53,6%); Maranhão (55,1%); Minas Gerais (58,1%); Sergipe (62,5%); Pernambuco (62,6%), Amazonas (62,7%) e Piauí (65,7%).
O gasto total com segurança pública totalizou R$ 61,1 bilhões no ano passado, um incremento de 15,83% em relação ao ano anterior. Investimentos em inteligência e informação alcançaram R$ 880 milhões, ante R$ 17,5 bilhões em policiamento e R$ 2,6 bilhões em defesa civil. São Paulo foi o estado que destinou mais recursos ao setor: R$ 14,37 bilhões, dos quais R$ 5,73 bilhões foram usados apenas com o pagamento de aposentadorias.

Anápolis pode chegar a 150 homicídios
A situação vivida no Centro Oeste não difere muito da média nacional. Ainda sem dados oficiais, o Estado de Goiás se acha em uma situação intermediária, muito embora osíndices, principalmente de crimes contra a pessoa têm aumentado nos últimos anos. A Capital Goiânia, já registou mais de 500 assassinatos este ano, número considerado excessivo. Em Anápolis, terceira maior população do Estado, o número de assassinatos este ano já superou ao que se registrou durante todo o ano de 2012. No ano passado aconteceram 156 crimes de morte. Em 2011 foram 86, coincidentemente, o mesmo número de 2010. Este ano, aindanocomeço de novembro, esta marca já está sendosuperada. Oficialmente, até o começo da semana, eram 152 casos, segundo relato da Delegacia de Homicídios. É que mais de 30 ocorrências estão na lista dos “crimes a esclarecer”, calculando-se que boa parte seja, de fato, homicídios. Não se contabilizam, também, casos de pessoas que são vitimas de tentativas e que acabam morrendo, posteriormente, nos hospitais. As polícias, tanto Civil, como Militar, atribuem este fenômeno social como decorrência do que se observa no Brasil inteiro. O narcotráfico(consumo e comercializaçãode drogas, principalmente crack e cocaína) é apontado comofator determinante paramaisde 80 por cento dos casos registrados. “O perfil das vítimas é definido: jovens entre 15 e 32 anos, classe média baixa, poucaescolaridade e procedentes, em sua maioria, de famílias desestruturadas”, declarouum experiente delegado de polícia. Para ele, o grandeproblema está no chamado “acertode contas, quando os comandantes do tráfico querempela droga que foi distribuída e os pequenos traficantes não dãoconta do dinheiro”, alegou.
Outro fator considerado na pesquisa, que coloca Anápolis na situação emreferência, é omesmo que ocorre na maioria dasoutras cidades. O sistema carcerário é precário. A Cadeia Pública do Município experimenta o mesmo que acontece emsuas congêneres de todo o País: superlotação efalta de estrutura para projetos de reeducação dos detentos. Hoje, em Anápolis, há uma populaçãocarcerária calculada em 500 presos, em um espaçoque, tecnicamente,não comportaria 200. Também não existe,ainda, um local para abrigar menores infratores e dar a eles uma oportunidade de ressocialização. Nas dependências improvisadas do Centro de Internação Juvenil, que fica nointerior do Quartel do Quarto BPM estão cerca de 30 garotos, onde não haveria espaçonem para 10.
Para resolver, pelo menos, parte desta situação, está sendo construído um minipresídio, com capacidade para 350 detentos em média, cujas obras, de acordo com a Agência Goiana de Transportes eObras Públicas já têm 25 por cento concluídas. Anuncia-se, ainda, para os próximos meses, a construção de um centro de internação para menores infratores, obras com recurso do GovernoFederal e contrapartida do Governo do Estado.

Autor(a): Nilton Pereira

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