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Criada Associação de Pais e Amigos dos Autistas

Cidade Comentários 12 de fevereiro de 2016

Movimento foi iniciado a partir de debates na Câmara Municipal. Objetivo é defender direitos e buscar melhor amparo aos portadores da doença


A criação de uma associação para defender os direitos das pessoas portadoras de autismo, é o resultado da audiência pública realizada na Câmara Municipal, às vésperas do feriado de carnaval, para discutir o assunto. A iniciativa do debate partiu da Vereadora Geli Sanches (PT). “Um dos objetivos desta associação é difundir o tema e levantar estudos sobre o assunto”, explicou a parlamentar.
A vereadora ressaltou que já houve muito progresso em Anápolis, mas ainda precisa melhorias. “Precisamos de um pronto atendimento. Quando um autista em surto, por exemplo, não temos para onde levá-lo. Também não há lazer e o preconceito ainda existe, pois as pessoas ainda não entendem o mundo do autista. Precisamos levantar políticas públicas para poder auxiliar e aceitar o autista como ele é”, disse.
Um dos convidados do evento foi o psiquiatra, Daniel Victor Arantes, que desenvolve um importante trabalho com autistas na cidade. Ele fez esclarecimentos importantes para a plateia do evento, composta de autistas, pais, cuidadores e estudiosos sobre a questão. “O autismo é quando o cérebro não se configura de uma maneira adequada. De uma forma genérica, o cérebro se configura de uma maneira distinta, não seguindo o padrão habitual. Geralmente, os sintomas se manifestam até os três anos, e às vezes a criança pode apresentar um desenvolvimento normal e começa a retrair. Muitas vezes os sintomas não são muito evidentes. Existem casos muito típicos e clássicos, e também os mais simples como transtorno borderline, que são de difíceis diagnósticos”, explanou.
O psiquiatra disse que o tratamento pode ser mais eficaz quando o diagnóstico for realizado precocemente. “Quanto mais cedo a análise, mais fácil será o tratamento. Poderemos trabalhar melhor com o paciente e apresentar um mundo de forma mais positiva a ele. A criança autista está voltada ao seu mundo interno, e o diagnóstico precoce pode colaborar para uma melhor socialização.”, afirmou.
Toda a família de um paciente com autismo precisa ser ajudada, pois a exigência de um tratamento adequado é grande. A professora Soraya Chagas Andrade tem uma filha de 11 anos com autismo. Ela contou que as dificuldades enfrentadas são inúmeras. “Minha primeira dificuldade foi quando minha filha foi convidada a se retirar da escola, quando ela tinha 2 anos e 8 meses. Na época já existia a lei de inclusão, mas a escola queria que eu pagasse uma pessoa além da mensalidade escolar para tomar conta dela, pois minha filha não se adequava ao perfil. Na época fiquei muito fragilizada e deprimida, mas não quis expor minha filha. Coloquei minha filha com seis anos na rede pública e tive um respaldo do governo, que logo dispôs um cuidador para auxilia-la”, declarou.
A professora acrescentou que ainda enfrenta dificuldades na sociedade. “Muitas vezes sinto o preconceito das pessoas. E também temos problemas com profissionais especialistas sobre o tema na cidade. Também é muito complicado conciliar a vida profissional com a vida materna e os afazeres do dia a dia, pois temos que nos dedicar ao autista de uma maneira intensa”, disse.
No final da audiência, fizeram a apresentação e a leitura do estatuto da já configurada Associação de Pais e Amigos do Autista de Anápolis e elegeram sua diretoria.

Autor(a): Da Redação

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