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Crescimento econômico gera desafios para a cidade

Economia Comentários 28 de dezembro de 2010

Vários setores da economia local ressentem a falta de mão-de-obra qualificada, dentre eles a indústria farmacêutica e a construção civil. A receita para driblar a crise é a parceria


O Distrito Agro Industrial de Anápolis (Daia) cada vez mais, se parece com um grande canteiro de obras, tamanha é a quantidade de construções e ampliações de plantas produtivas. Esse crescimento tem se refletido em alguns indicadores financeiros. A arrecadação do Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços, o ICMS, por exemplo, deu um salto extraordinário de 2005 para 2009, passando de R$ 11,1 milhões para R$ 427,7 milhões.
Mas não é só a indústria que tem demonstrado crescimento vigoroso. Os setores de comércio e serviços, também, têm alavancado a economia. E, muito embora a população não tenha superado a casa de 400 mil habitantes, como todo mundo imaginava (porém, o censo do IBGE revelou o contrário, que a população residente é de 335.032), nunca na história da cidade se viu tantas construções de casas, edifícios e condomínios.
Tanta movimentação trouxe, também, problemas e desafios a serem superados. Um deles é uma realidade, inclusive, em quase a totalidade das cidades brasileiras de médio e grande portes: a falta de mão-de-obra.
Em Anápolis, essa realidade tem sido vivenciada especialmente em dois setores: na construção civil e na indústria de medicamentos. Para o ano que vem, a expansão de alguns laboratórios vai exigir um quantitativo de aproximadamente 1.500 trabalhadores. No entanto, é preciso que esse pessoal tenha um mínimo de qualificação para ter acesso ao piso de fábrica. Segundo o presidente do Sindicato das Indústrias Farmacêuticas do Estado de Goiás (Sindifargo), Marçal Henrique Soares, o setor é bastante regulado e, até mesmo para os cargos considerados mais simples, como o de limpeza, é necessário que o trabalhador preencha alguns requisitos mínimos para atender as exigências da Vigilância Sanitária. A entidade vem trabalhando parcerias para viabilizar cursos de formação e qualificação de mão-de-obra em curto período de tempo.
O presidente do Sindicato das Indústrias da Construção e do Mobiliário de Anápolis (Sicma), Álvaro Otávio Dantas Maia, também encara a falta de mão-de-obra qualificada no setor como um desafio. A demanda reprimida é significativa e, conforme a avaliação da entidade, não é possível formar tanta gente num espaço de tempo curto. No mês de janeiro, o SENAI e o Sicma vão oferecer diversos cursos, um deles é o de Encarregado de Obras Civis, com 20 vagas para pedreiros que já tenham pelo menos dois anos de experiência comprovada. Ao longo do ano, entretanto, estão previstos outros cursos para atender a outras demandas e níveis de trabalhadores como pedreiro de edificações; instalador hidráulico; gesseiro; pintor de obras e armador de ferragens, dentre outros.
O melhor caminho, até agora, encontrado para superar as adversidades impostas pelo crescimento acelerado da economia tem sido apostar nas parcerias. A Prefeitura de Anápolis, o SENAI, o Centro de Educação Profissional de Anápolis (Cepa), além de outras entidades do setor produtivo e empresas, conseguiram, neste ano, capacitar cerca de 7 mil jovens no Programa Qualificar. Numa parceria com a CAOAHyundai e o SENAI, implantou-se um curso de mecânica no Bairro Paraíso e os formandos foram todos aproveitados pela montadora. No conjunto Filostro e no Bairro Novo Paraíso, foram montadas salas com equipamentos cedidos por empresas, para o curso de costura industrial. As pessoas que não foram aproveitadas, no mínimo, têm a chance de começarem um pequeno negócio com o que aprenderam. Esses são alguns de vários exemplos. O importante é não perder o foco: o desenvolvimento não pode cessar e, para quem está em busca de oportunidades, “o mar está para peixe”.

Autor(a): Claudius Brito

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