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Cresce o número de trabalhadores de rua sem Anápolis

Cidade Comentários 01 de julho de 2016

Os chamados ambulantes buscam a sobrevivência por contra da crise no mercado formal


Uma média aproximada de 100 pessoas por semana, a quase totalidade desempregadas, procura a Divisão de Fiscalização e Postura, na tentativa de obter uma licença do poder público municipal para atuarem como vendedores ambulantes em algum ponto da Cidade. “Em 30 anos de trabalho no órgão, nunca presenciei tantas pessoas à procura de licença para o trabalho informal de vendedor ambulante”, revela o gerente de Fiscalização e Postura, José Braz da Cunha, atribuindo à crise e ao aumento do desemprego a grande procura por uma licença.
Apesar das exigências e dificuldades impostas para a liberação do documento, José Braz reconhece que a informalidade cresce em ritmo acelerado. Isso porque, segundo ele, muitos dos que perderam o emprego viram, hoje, nas ruas a única fonte de renda disponível, por causa da recessão. Eles ficam nas calçadas, nos cruzamentos de ruas e avenidas mais movimentados e também em praças, mas uma parte desses novos trabalhadores autônomos prefere correr atrás do prejuízo, literalmente.
São pessoas que circulam entre carros nos semáforos, sempre atrás de alguém que possa comprar suas mercadorias, sem desviar do próprio caminho. Com a falta de oferta de empregos, eles passaram a ocupar todos os lugares e vendem praticamente de tudo: churrasquinho; água; frutas; pipoca; doces; salgados; quitandas; flanelas; panos de prato ou sacos de tecidos para limpeza; limpador de parabrisas, suporte para celulares, redes e, até, brinquedos.
É uma variedade que reflete a quantidade crescente de trabalhadores informais que se estabelecem nos variados caminhos que cortam a Cidade em busca de uma causa justa e necessária - a sobrevivência própria e de seus familiares. E, para garantir “a féria do dia” é preciso fazer melhor e diferente dos concorrentes. Por isso, eles estão em todos os lugares, o que pode ser visto passando de carro, de ônibus ou à pé, para verificar o crescimento do número de vendedores ambulantes.
A Divisão de Fiscalização e Posturas não tem controle absoluto e nem um levantamento preciso sobre a quantidade de trabalhadores informais na Cidade. “No centro, hoje, são 154 vendedores ambulantes com licenças fornecidas pelo órgão”, revela José Braz, explicando que até recentemente eles eram 190. Agora, um pouco menos por recomendação do Ministério Público. Incluindo os que atuam nas imediações de faculdades e outras unidades de ensino, em praças e pontos de grande aglomeração de pessoas, o número de licenças chega a 290.
Além daqueles que usam bancas com autorização do Município, uma infinidade de outros vendedores ambulantes explora o negócio nas mais variadas formas, como motos e outros veículos; carrinhos de mão; bandejas; cestas; caixas de isopor, dentre outros e também em diferentes lugares como nas imediações de unidades de ensino e lugares com maior concentração de pessoas.
Contabilizando todos, José Braz estima que hoje mais de 500 vendedores ambulantes trabalhem por conta própria em diferentes pontos de Anápolis. Não se computam, aí, os chamados vendedores “de porta em porta”, que comercializam cosméticos, perfumes, roupas feitas e confecções, etc. Ele conta que a maior procura por licença é de pessoas que perderam o emprego e não têm qualificação. “Só liberamos licenças depois que os pedidos são criteriosamente analisados”, acrescenta o gerente de Fiscalização e Posturas, revelando que para obter o documento, a pessoa precisa se comprometer em ficar em um local fixo.
Segundo ele, bancas na área central não são mais permitidas em obediência a uma determinação judicial. “Estamos oferecendo como opção as feiras livres e pontos mais afastados, em bairros com um comércio mais forte”, disse José Braz reconhecendo que este é um trabalho que precisa ser feito com muita habilidade para evitar problemas com pessoas revoltadas que não conseguem um emprego formal e que sabem que não lhes restam alternativas.
José Braz contou também que são poucos os ambulantes cadastrados, feitos à época da administração do ex-prefeito Anapolino de Faria e que pagam apenas R$ 250,00 por ano. Os demais, segundo ele, não pagam nenhuma taxa porque com o novo Código de Posturas, ficou mais fácil o controle sobre os ambulantes, com a troca anual de uma numeração afixada nas bancas. “Com isso, evitamos a venda de pontos”, assegura o gerente de Fiscalização e Posturas.
Ele explicou que existem pontos avaliados em mais de R$ 20 mil, mas garante a fiscalização diária, principalmente no centro, dificulta que eles sejam passados de uma pessoa para outra. Explicou, também, que a suspensão de cobrança de taxa evita que os ambulantes acionem a justiça para reclamar seus direitos, quando, por um motivo ou outro, são retirados dos locais onde estão estabelecidos.

Autor(a): Ferreira Cunha

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