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Córrego do Parque Ipiranga pode estar em risco, alerta Prefeitura

Meio Ambiente Comentários 26 de setembro de 2014

Crescimento urbanístico sem controle seria a causa principal do esgotamento do leito


Processo ocorre nas proximidades do Parque Ipiranga. De acordo com a Prefeitura, águas do córrego estão sendo drenadas para a construção dos subsolos de prédios na localidade e, posteriormente, desviadas para as galerias de águas pluviais da região. O ideal, conforme informações da Secretaria de Obras, é que os lençóis freáticos sejam reabastecidos, evitando-se a perda no volume da nascente. Problema pode acarretar diminuição do volume dos espelhos d’água do Parque, alterações do microclima da região e sobrecarga nas galerias pluviais.
Dados da Secretaria Municipal de Obras, Serviços Urbanos e Habitação indicam que o nível do Córrego Ipiranga, nas proximidades do Parque Ipiranga, teve redução de até 50% em seu volume na nascente. Construtoras que atuam na região, de acordo com o que afirmou o engenheiro da Prefeitura Fábio Correa, “estão drenando o lençol (freático) para fazer subsolos nos prédios”.
Este processo, conforme indicou Fábio Correa, “diminui a água” que reabastece o Córrego Ipiranga. As empresas, conforme observou, “desviam a água para as galerias de águas pluviais, por meio das chamadas bocas-de-lobo, o que sobrecarrega a rede”. O volume maior da água captada pelas galerias “extravasa nas épocas de chuva”. Este processo é responsável pela formação das chamadas poças d’água, que afetam vias como as avenidas São Francisco e Pinheiro Chagas, causando transtornos para os moradores e motoristas destas localidades.
Os chamados aquíferos, ou poços de recarga da região do Parque Ipiranga, são prejudicados por esta drenagem. E, como não há uma legislação que regule a situação, o reabastecimento do Córrego acaba sendo prejudicado, já que há o desvio das águas do aquífero. “As águas de recarga do córrego estão comprometidas, pois estão sendo drenadas por estes prédios e direcionadas para as galerias de águas pluviais, sobrecarregando-as”, explicou Fábio Correa.
Para ele, “a Prefeitura precisa fazer uma legislação de controle destas águas, pois, quando se acaba com a água dos aquíferos, o córrego vai secando”. Uma das maneiras para se resolver o problema, continuou, seria a construção de redes que conduziriam a água de volta para o córrego, o que tornaria o processo mais caro para as construtoras. De acordo com o engenheiro, apenas as águas da superfície, provenientes da chuva e as do córrego deveriam ir para as galerias.
O engenheiro citou, ainda, consequências que este desvio da água pode acarretar. Entre os resultados deste processo, estão a diminuição dos níveis do lago do Parque Ipiranga, a secagem do córrego e a consequente diminuição do seu volume, além da sobrecarga do sistema de galerias de águas pluviais existente, pois estas “foram feitas para águas superficiais e não para águas profundas”.
Além disso, indicou que “os córregos contribuem para o desenvolvimento do microclima. Na faixa do córrego, há um controle da troca de ar quente e ar frio. E as trocas se dão dentro das microbacias. Pode haver uma mudança da temperatura e da umidade na região”. Outro fato apontado é que os “terrenos podem ter recalque”, ou rebaixamento, aumentando-se o risco de desabamentos no futuro.
Uma discussão está sendo feita na Prefeitura sobre a necessidade de elaboração de uma legislação que trate do desvio dos cursos d’água para os projetos de edificações. Conforme indicou Fábio Correa, é abordada a necessidade de criação e execução imediatas de uma política de drenagem urbana.

Autor(a): Felipe Homsi

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