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Continuam os problemas da Segurança Pública em Anápolis

Segurança Comentários 28 de dezembro de 2010

Além das mudanças consideradas de rotina, poucos foram os avanços na política de segurança pública em Anápolis no decorrer de 2010. Não há muito o que comemorar


Numa cidade que estabeleceu, este ano, o recorde de crimes de homicídio (mais de 80), a maior parte associada ao tráfico e ao consumo de drogas, em especial do crack, Anápolis tem pouco a celebrar no quesito segurança pública. Além disso, a evolução estrutural, principalmente no que diz respeito ao contingente das polícias Civil e Militar, assim como o aparelhamento das mesmas, ficou muito aquém do que se esperava, na avaliação da crônica especializada e de próprios setores da Segurança Pública.
A criação 28º Batalhão de Polícia Militar, que substituiu à 24ª Companhia Independente, transferida para a vizinha cidade de Goianápolis foi, a rigor, a mais importante modificação na estrutura daquela força policial. Mas, por enquanto, a mudança teria ficado, apenas, no campo institucional, uma vez que o novo batalhão carece, e muito, de maior aporte financeiro e material, para desenvolver bem o seu papel. Também houve, dentro da rotina de caserna, a mudança em alguns postos de comando, a maior parte já depois da metade de um ano em que ocorreram eleições e tem-se como certo que haverá uma mudança, praticamente geral, nos postos de gestão da Polícia Militar em todo o Estado, incluindo, logicamente, Anápolis. O que ocorreu de positivo foi a manutenção do programa “banco de horas”, com recursos da Prefeitura sendo injetados na Polícia Militar, para garantir-se uma presença mais efetiva dos policiais nos serviços de patrulhamento da Cidade.
Polícia Civil
Da mesma forma, na Polícia Civil, pouca coisa teve evolução durante o ano de 2010 em Anápolis. Às voltas com muitos problemas estruturais, dentre eles a falta de acomodação e de espaço físico para atuarem, agentes, delegados, escrivães e outros servidores da área dependem, e muito, de improvisações para o desenvolvimento normal do trabalho. Mesmo que se tentasse, durante o ano, não foi possível, por exemplo, serem definidos locais para o funcionamento de algumas delegacias. É o que ocorre com o Quinto DP, que funciona em local improvisado, nas dependências do Terminal Rodoviário “Josias Moreira Braga”, (Estação Rodoviária), ele que já mudou de local um sem número de vezes, desde que foi instalado.
Também o Segundo Distrito Policial atravessou o ano ocupando um prédio pertencente à Prefeitura que, inclusive, quer reavê-lo, nas proximidades do Terminal Rodoviário Urbano. Outra distrital que passou 2010 sob ameaça de despejo foi o Sétimo DP, no Conjunto Filostro. Ele, também, deve deixar o local, mais uma vez, já que a Prefeitura necessita do prédio para a implantação de projetos educacionais e está alugando, por um ano, uma casa no Bairro de Lourdes para a acomodação daquela distrital.
Estes seriam, a rigor, os principais problemas de estruturação das polícias que, passado mais um ano, não tiveram a devida atenção dos níveis de governo a que estão subordinadas. Soma-se a isso, o irregular funcionamento do Instituto de Medicina Legal que, a exemplo de outros anos, não tem o quadro de médicos legistas, e peritos, completo, chegando, em determinadas situações, a ficar sem os referidos profissionais por mais de 24 horas. No mês de novembro a diretoria regional da Polícia Civil anunciou um remanejamento de alguns postos-chave sem, contudo, influenciar no organograma da instituição. Sem contar que, no começo de 2011, com o novo Governo e, certamente novo secretário de Segurança Pública, os comandos regionais serão mudados, no chamado efeito cascata, atingindo as delegacias regionais. Com isso, a comunidade ressente de um melhor policiamento, inclusive para se desvendarem crimes considerados problemáticos e, até, insolúveis, como o assassinato do médico Illyon Fleury, cujo desfecho, até hoje, passados mais de dois anos, não ocorreu. Além do mais a população clama por um combate mais efetivo ao tráfico de drogas e outros delitos cujos índices aumentaram consideravelmente.
Cadeia Pública
Tem-se como certo, entretanto, que o maior problema da segurança pública em Anápolis está na política carcerária, a começar pela falta de um centro para a internação de adolescentes e jovens em situação de risco ou, acusados da prática de atos anti-sociais, incluindo assaltos; roubos; atentados, lesões corporais de todos os níveis e, até, assassinatos. Passou-se mais um ano e a situação não avançou praticamente nada. Da mesma forma, a propalada construção do mini-presídio, prometida e anunciada por diversas vezes, atravessou 2010 sem qualquer definição.
Um terreno doado pela Prefeitura com a finalidade de abrigar o projeto do novo presídio continua do mesmo jeito. Igualmente, a liberação de recursos por parte do Ministério da Justiça para a referida obra é, ainda, apenas, notícia de jornal. O projeto para a edificação do presídio estaria circulando pelos gabinetes em Brasília e, com a mudança que haverá nos ministérios, com a posse da Presidente Dilma Rousseff, certamente vai sofrer mais atrasos ainda.
Da mesma forma, passou-se um ano e não se resolveu a questão da ala feminina do Centro de Inserção Social “Monsenhor Luiz Ilc”, mais conhecido como Cadeia Pública de Anápolis. Nos 12 meses que se passaram, com a ala feminina interditada pela Justiça devido à falta de condições de habitabilidade, as mulheres detidas em Anápolis por força de mandado judicial ou por flagrante delito, continuam sendo enviadas para cadeias de cidades próximas, principalmente para o Centro Penitenciário “Odenir Guimarães”, em Aparecida de Goiânia.
Há um aceno, por parte do Governo Marconi Perillo, que se instala em janeiro de 2011, para investimentos na área da segurança pública em Anápolis, inclusive com a construção de quatro CIDS (Centro Integrado de Desenvolvimento Social) complexos que englobam as forças policiais e a estrutura de acompanhamento de pessoas envolvidas, como vítimas ou, como acusadas em casos de delitos. Também há o compromisso dos deputados estaduais eleitos, Carlos Antônio (PSC) e José de Lima (PDT) de se empenharem para a resolução dos problemas mais graves da segurança em Anápolis. Da mesma forma, há o compromisso do deputado federal Rubens Otoni (PT) de buscar, junto às instituições federais, os recursos para as obras do mini-presídio.

Autor(a): Nilton Pereira

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