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Confrontos entre quadrilhas traz preocupações para as polícias

Segurança Comentários 11 de maio de 2017

Comandante do 3º CRPM, em reunião com empresários anapolinos, conclamou a comunidade para um trabalho conjunto para a redução dos índices de criminalidade


O titular do 3º Comando da Polícia Militar, Coronel Giovani Valente Bonfim Júnior, disse na última quarta-feira, 10, durante reunião com empresários na Associação Comercial e Industrial de Anápolis, que os crimes com características de execução são uma das maiores preocupações das forças de segurança. Na ocasião, foram apresentados números oficiais apontando que o Município, hoje, ocupa a terceira posição no Estado entre as cidades goianas com maior número de crimes de homicídio; latrocínio, roubo e estupro.
Durante a exposição, o comandante do 3º CRPM, sediado em Anápolis e com abrangência em mais 22 cidades, citou dados da Organização das Nações Unidas, os quais revelaram Honduras como um dos países mais violentos na América Latina, com uma taxa de 60 mortes por 100 mil habitantes. E, proporcionalmente, Anápolis estaria, hoje, ostentando uma taxa até um pouco superior, na ordem de 63 mortes violentas para cada grupo de 100 mil habitantes. Destacou, ainda, que entre as sete cidades mais populosas de Goiás, Anápolis é a única cujo gráfico de mortes violentas segue uma escala ascendente. Nos demais, há queda nos indicadores.
A taxa de homicídios no Brasil, ainda de acordo com o Comandante, está situada em 29,1 por 100 mil habitantes. Nos estados, as taxas mais altas, são: Alagoas (63,0), Ceará (52,2), Sergipe (49,4), Rio Grande do Norte (46,2), Goiás (42,7), Pará (42,6), Mato Grosso (41,9), Espírito Santo (41,4), Paraíba (39,1) e Bahia (37,3).
Em relação aos indicadores de Anápolis, o Coronel Giovani demonstrou que comparativamente entre 2016 e 2015, registraram alta: os crimes de homicídio (25,71%); furtos em comércio (30,60%) e furtos em residências (20,03%). Mantiveram praticamente estáveis, com pequena alta, os crimes de roubo a transeuntes (0,46%) e roubo a veículos (2,11%). Por outro lado, registraram queda: os crimes de tentativa de homicídio (-22,83%); roubo em comércio (-13,76%); roubo em residência (-20,08%) e furto de veículo (-8,90%).
No comparativo dos indicadores de abril deste ano com abril do ano passado, o crime de homicídio teve uma elevação bastante significativa: 81,82%. Houve também elevação, ainda superior, nos crime de roubo a residência, de 212,5%. Os demais indicadores tiveram queda: tentativa de homicídio (-56,25%); roubo a transeunte (-28,19%); roubo de veículo (-30,16%); roubo a comércio (-31,42%); furto de veículo (-12,50%); furto em comércio (-31,94%) e furto em residência (-3,15%).
Outro dado apresentado pelo comando do 3º CRPM destaca os municípios com maior incidência de crimes de homicídio, latrocínio, roubo e estupro. Goiânia aparece em primeiro lugar com 38,32%, seguido por Aparecida de Goiânia (11,92%); Anápolis (5,85%); Rio Verde (4,32%); Luziânia (4,24%); Valparaíso de Goiás (4,21%); Águas Lindas de Goiás (3,18%) e Formosa (2,20%). Cerca de 70% dos registros desses crimes, conforme a estatística, estão concentrados em apenas 2% dos municípios goianos.
Drogas
O comandante do 3º CRPM frisou que, em todo o País, a explosão da criminalidade deu-se a partir do início da década de 90, com o aumento do tráfico de drogas, sobretudo, o crack. E, hoje, conforme avaliou, Anápolis vem sentido os reflexos desse problema, por conta de estar localizado em uma rota do tráfico, devido à sua característica de localização.
Analisando o momento atual, o Coronel Giovani relata que as forças de segurança, em especial a PM, tem grande preocupação com os crimes de execução que estão ocorrendo na Cidade, nos quais envolvendo muitos jovens e pessoas já com uma ou mais passagens pela polícia, na maior parte, por roubo, furto e tráfico. “Precisamos saber quem está matando, porque quem está morrendo a Polícia Civil está investigando”, pontuou, acrescentando que uma das metas da PM é estruturar um serviço, até mesmo dentro do 190 já existente, para que as famílias e amigos de pessoas que estejam sob ameaças possam informar a polícia possa agir e, possivelmente, impedir que haja um desfecho trágico para a pessoa ameaçada. O comandante reconheceu que há uma confrontação entre quadrilhas do tráfico e este fato está diretamente relacionado com o aumento das mortes violentas no Município.
Metas
O comandante do 3º CRPM adiantou que está em estudo uma mudança da Companhia de Policiamento Especializado (CPL), da Cidade Jardim para a região do Conjunto Filostro Machado, que é considerada uma região violenta da Cidade. Essa mudança teria, em sua opinião, impacto não só naquela região, na redução da criminalidade, mas em toda a Cidade. A mudança seria mais ampla, transformando a unidade num Batalhão de Operações Especiais (BOPE).
Além disso, enumerou a necessidade de aumentar o efetivo em mais 180 policiais, aumento do número de viaturas para o patrulhamento ostensivo e para o policiamento especializado. Hoje, a CPE está operando apenas com duas viaturas, já que uma foi recentemente sinistrada após uma perseguição a um veículo roubado. Também elencou a necessidade de transferir os presos de Aparecida de Goiânia, a criação do programa de denúncias contra ameaças, a criação de uma unidade de choque, ampliação do efetivo de policiamento com motos e defendeu ainda a necessidade de o Município ter uma representação na Secretaria de Segurança e Administração Penitenciária.
Números
Até a noite da última quarta-feira, 10, foram levantados pelas emissoras de rádio que fazem cobertura da área policial, 81 mortes violentas em Anápolis. Na estatística oficial, são em torno de 60. Essa diferença ocorre por vários motivos, entre eles, por exemplo, uma vítima que sofreu uma tentativa de homicídio e, depois, veio a óbito num hospital. Os crimes de latrocínio (roubo seguido de morte) não figuram na estatística oficial como homicídio. Além do que, conforme pontuou na reunião o Delegado da 3ª Regional da Polícia Civil, Fábio Vilela, há possibilidade diversas de alterações na tipificação dos crimes, por conta das investigações e mesmo pelo rito processual no âmbito jurídico.
Pacto
O Presidente da Acia, Anastácios Apostolos Dagios, anunciou que a entidade vai elaborar uma Carta de Segurança, que será incluída dentro do projeto do Pacto por Anápolis, que visa unir a sociedade organizada em torno das demandas que Anápolis necessita em todas as áreas. Esse documento, inclusive, contendo as propostas que foram apresentadas pelo comando do 3º CRPM e outras que serão apresentadas pela sociedade organizada, será entregue no encontro que está sendo agendado com o Governador Marconi Perillo, no mês de junho próximo.
“Nós não vamos mais pedir Aeroporto, Centro de Convenções. Queremos coisas mais práticas e o reforço na segurança é uma prioridade”, destacou o dirigente da ACIA, reforçando que o Pacto não é da entidade e, portanto, nesta reunião com o Governador, se faz necessária a presença do Prefeito, das lideranças políticas e classistas.

Autor(a): Claudius Brito

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