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Computador e visão: a compatibilidade

Saúde Comentários 22 de maro de 2018

Cuidados simples ajudam a evitar o desconforto visual e outros sintomas associados ao uso do computador


Olhos vermelhos, ressecamento ocular, dor de cabeça, vista embaçada... Se você usa bastante o computador, provavelmente já teve alguns desses sintomas em maior ou menor grau. É a síndrome do uso excessivo do computador, um mal que, segundo pesquisas, afeta cerca de 90% das pessoas que o utilizam rotineiramente por mais de três horas ininterruptas.
O computador não vai desencadear ou agravar distúrbios oftalmológicos, como miopia, astigmatismo, hipermetropia e outros, mas o fato é que a convivência da nossa vista com essa tecnologia nem sempre é pacífica. De um lado, pelo uso de modo incorreto, sem os cuidados adequados. De outro, pela dificuldade de nosso organismo em se adaptar a esses equipamentos que, embora se tenham tornado indispensáveis, continuam a ser, do ponto de vista da nossa história evolutiva, grandes novidades físico biológicas.
“Nós, seres humanos, como todos os animais que têm olhos paralelos, fomos feitos para ver predominantemente de longe. Ao observar objetos a mais de seis metros, o fazemos em estado de relaxamento muscular. Para olhar mais perto, precisamos acionar o músculo ciliar, que contrai a lente natural que temos nos nossos olhos, o cristalino. Ao mudar de formato, ele nos dá o foco para perto”, explica o Dr. Adriano Biondi, oftalmologista do Hospital Israelita Albert Einstein.
O uso do computador elevou a exigência desse esforço muscular a patamares aos quais ainda não estamos adaptados. Com um agravante: a nossa capacidade de resposta diminui com a idade, principalmente após os 40 anos. É que, com o passar dos anos, o cristalino vai perdendo a elasticidade e tem mais dificuldade para fazer esse foco automático. Na prática, isso significa que para manter o foco a curta distância demandamos mais da musculatura ocular.
Outra frente de fadiga está relacionada com a luminosidade das telas. Para regular a entrada de luz nos olhos, há um movimento de maior contratação muscular para fechar ou abrir a pupila.

Piscar é preciso
Outro aspecto importante é que, ao nos concentrarmos na leitura das informações que estão na tela, diminuímos o ato de piscar, que é essencial para manter as córneas lubrificadas. Quando estamos relaxados, piscamos em média de 16 a 20 vezes por minuto. Na frente do computador, esses números caem para seis a oito vezes por minuto. Com isso, aparecem os sintomas de olhos secos, como vermelhidão, sensação de areia nos olhos e outros desconfortos.
Os sintomas costumam ser mais incômodos para quem já tem algum problema de visão. Mas, independentemente da existência desses problemas, ninguém deve negligenciar os sintomas do uso excessivo do computador. Esse é um caminho perigoso para a fadiga ocular crônica, a astenopia. Acompanhada de dores de cabeça, na coluna cervical, irritação e prejuízos ao sono, essa fadiga corrói o bem-estar e a produtividade.
Alguns cuidados básicos ajudam a driblar os problemas. Um deles é aplicar a regra dos 20x20x6. A cada 20 minutos, descansar a vista olhando durante 20 segundos para um objeto a mais de seis metros de distância, Além disso, é importante piscar, manter a umidificação do ambiente, a hidratação do corpo e usar colírios (conhecidos como “lágrima artificial”) para lubrificar os olhos quando estiverem secos.
A tela do computador deve permanecer discretamente abaixo da altura dos olhos, a uma distância mínima de 50 centímetros, lembrando sempre que ergonomia e conforto também são fundamentais.
Fonte: Dr. Claudio Lottenberg - Oftalmologista (CRM 49.892 SP) e Dr. Adriano Biondi Monteiro Carneiro - Oftalmologista (CRM 93.970 SP)


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