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Comoção nos funerais da vereadora e radialista Vilma Rodrigues

Cidade Comentários 16 de maro de 2018

Parlamentar lutava para tratar de um craniofaringioma, um tumor benigno localizado na base do cérebro, em uma região delicada


Foi sepultada na manhã de quinta-feira, 15, no cemitério do Distrito Administrativo de Interlândia, o corpo da vereadora Vilma Rodrigues. Há cerca de 45 dias, ela se encontrava internada no Hospital Araújo Jorge, em Goiânia, tratando de um câncer. O Prefeito Roberto Naves decretou luto de três dias no Município.
A confirmação da morte de Vilma Rodrigues ocorreu na tarde de quarta-feira, 14. O velório, no entanto, só começou na madrugada do dia seguinte, no salão paroquial da Igreja Sant’Ana, por onde passaram várias autoridades, amigos e pessoas do povo que acompanhavam a trajetória da parlamentar, que estava no cumprimento de seu primeiro mandato e foi a segunda mais votada para o cargo no pleito de 2016. Ela se elegeu pelo PSC com 3.557 votos. Antes, havia ficado conhecida do grande público pelo trabalho desenvolvido no rádio anapolino. Também, era reconhecida como cozinheira de mão cheia e, com frequência, aparecia em programas de TV apresentando as suas receitas.
Uma marca registrada de Vilma Rodrigues era sorriso sempre cordial e alegre. Mesmo com pouco tempo de mandato parlamentar, ela demonstrou altruísmo e luta por uma sociedade mais justa, sobretudo, para a classe das pessoas idosas, uma consequência do trabalho desenvolvido pelo seu filho, o Delegado Manoel Vanderic Filho, que criou a Delegacia do Idoso.
Na chegada do corpo de Vilma Rodrigues, durante a madrugada, o Delegado Manoel Vanderic, inclusive, fez um depoimento emocionado, dizendo que nos 45 dias em que a acompanhou no tratamento em Goiânia, “foi um ensinamento maior de tudo o que eu tive nos meus 34 anos de idade”, disse, afirmando que Vilma Rodrigues, “sofria” pelas outras pessoas e não por ela mesma. “Ela pensava nos idosos, nas crianças com leucemia, nas pessoas pedindo dinheiro para comprar coisas para os seus familiares”, lembrou. “Tenho certeza de que ela tinha, aqui, uma missão igual a de São Francisco”, pontuou Manoel Vanderic. “Hoje aqui não tem sofrimento. Tem gratidão por tudo o que a senhora fez pela gente por tantos anos. Rezo para que a senhora chegue ao céu com a alegria que deixou aqui”, arrematou.


Em março do ano passado, em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, o Jornal Contexto “provocou” uma entrevista com as quatro representantes da bancada feminina na Câmara Municipal, a maior, aliás, na história da Casa. Separamos, desta entrevista, os trechos da participação da Vereadora Vilma Rodrigues. Segue:

Qual expectativa de vocês em relação ao mandato que ora desempenham? O que esperam deixar com esta experiência na vida política?

VILMA RODRIGUES - Minha expectativa é não decepcionar as pessoas que confiaram o voto a mim. Que eu consiga concretizar as minhas propostas de campanha e, acho que esta é a expectativa de todos os vereadores, principalmente, nós mulheres, porque por sermos um número menor (de vereadoras) e sermos um número muito maior de eleitoras. Isso gera uma expectativa grande para todas nós. Portanto, queremos concretizar as nossas propostas, projetos e que, com isso, as pessoas possam acreditar mais na classe política.

Teve alguém, alguma coisa especial, que a influenciou a tomar o rumo da carreira política?

VILMA RODRIGUES - A minha grande inspiração, acho que foi o meu filho (Delegado Manoel Vanderic). Eu tenho certeza disso, porque ele faz política desde que nasceu sem ser político, sem ter pretensão política. E, mesmo assim, acho que ele é um grande político, uma pessoa que busca apoio de todos os lados para ajudar a outras pessoas. Então, isso veio aflorando dentro de mim, através do trabalho dele. E, também, como disse a colega Geli, por esta questão da falta da mulher que tenha esta coragem e esta ambição, primeiro, de enfrentar a política. E, quando lá a gente chega, percebe que administra a política é como administrar a família, porque você tem que fazer política dentro de várias etapas na sua vida.

Vocês acreditam que ainda falta muito para a mulher ocupar, em definitivo, o seu espaço nos cenários políticos nacional, estadual e, principalmente, em Anápolis?

VILMA RODRIGUES - Falta muito, muito. Acho que isso se deve, em parte, ao machismo que existe hoje ainda em muitas famílias. As mulheres, em grande parte, se julgam ainda submissas ao homem. Eu sempre me julgava inferior ao homem político. Achava que não teria capacidade para isso, sendo uma dona de casa, uma mãe, uma cozinheira. Hoje eu vejo que não é por ser cozinheira e dona de casa que sou menos capacitada. Isso, então, leva um tempo muito grande para se assimilar e a mulher perde a oportunidade de não aproveitar este tempo.


Qual a visão de vocês em relação ao momento político que o País atravessa?

VILMA RODRIGUES - Eu não vejo como caótico este momento que estamos agora. Vejo como um momento, um ciclo bem distinto. Mas, a gente tem agora a oportunidade de tomar decisões importantes. Nós nunca havíamos visto o que está acontecendo agora: juízes, políticos, empresários sendo punidos por corrupção. Então, acredito que já estamos vivendo um momento novo e espero que isto continue e a população entenda bem este momento e apoie as decisões que estão sendo tomadas com medidas extremas, às vezes, mas que estão realmente punindo a corrupção. Vejo, então, que essa é uma chance que temos de mudar a política. E a gente faz parte dela. A mudança não é só de cima para baixo. Ela também pode começar de baixo para cima. Esta oportunidade chegou e tem de ser muito bem aproveitada. Nunca mais a gente vai ter aquela velha política, nós estamos repaginando o País. Eu acredito nisso e por isso estou na política.


Qual o sonho de vocês enquanto mulheres, enquanto vereadoras e cidadãs?

VILMA RODRIGUES - O meu grande sonho é terminar o mandato conseguindo ver que os direitos dos idosos são respeitados; que a pessoa portadora de deficiência consiga se locomover dentro da cidade e consiga ter uma vida em que ela possa usufruir um pouco mais dos seus direitos. Eu sonho muito que o idoso não precise mendigar uma medicação a qual ele tem direito; que não precise mendigar uma consulta e que ela seja respeitado.

Quem vocês homenageariam neste Dia da Mulher?

VILMA RODRIGUES - Acho que, como todas as minhas colegas aqui, eu gostaria de homenagear a minhas mãe, mas também as minhas irmãs. No entanto, eu vou resumir isso tudo e homenagear uma mulher que é o símbolo da nossa luta; que é o símbolo do que o meu pai trabalhou desde que eu me entendo por gente, que é com idosos. Vou homenagear a Dona Alice, que nasceu na miséria e nunca soube o que era viver, ela só sobreviveu. Vou homenagear todas as mulheres que eu conheço na pessoa da Dona Alice, que morreu por falta de atendimento. E quero, também, homenagear minhas amigas vereadoras, as mulheres da minha família. Todas elas carregando uma imagem da mulher sofredora e lutadora que é a Dona Alice.

Autor(a): Claudius Brito

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