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Como a cidade se tornou uma das “vitrines” do Centro-Oeste

Infraestrutura Comentários 30 de julho de 2011

Uma série de fatores contribuiu para que, ao longo de pouco mais de duas décadas, a economia anapolina tomasse um impulso surpreendente, sendo hoje destaque para Goiás e o Brasil


“Cidade não é problema; cidade é solução." A frase, atribuída ao arquiteto, urbanista, ex-prefeito de Curitiba e ex-governador do Estado do Paraná, Jaime Lerner, serve como ponto de partida desta reportagem que busca estabelecer uma rota, digamos assim, do desenvolvimento de Anápolis e, mais especificamente, a industrialização e a sua vocação como eixo logístico para Goiás.
A história nos oferece uma contribuição importante para entendermos como esse processo começou. Sim, porque o sucesso não acontece por obra do acaso. Ele advém do trabalho, da dedicação e alguma ou boa dose de sorte. Quando ainda nem era projeto de cidade (a fundação se deu por volta de 1870 e a emancipação em 31 de julho de 1907) Anápolis era um ponto de passagem de tropeiros que seguiam em direção às minas de ouro localizadas em Meia Ponte (Pirenópolis), Corumbá de Goiás, Bonfim (Silvânia), Vila Boa (Cidade de Goiás), dentre outras. Essa movimentação foi um atrativo para o comércio na região.
O cientista social e mestre em História pela Faculdade de Filosofia Bernardo Sayão, Juscelino Polonial, no artigo “Introdução à História de Anápolis”, destaca que a história de Anápolis, tomando por base o aspecto econômico, pode ser dividida em quatro momentos: o primeiro, o já citado no parágrafo acima; o segundo momento seria da década de 10 até a década de 30, marcado pelo incremento populacional e pelo fato de a cidade ter também começado a ganhar uma nova feição urbanística com as novas casas construídas em alvenaria. Este período registra outro fato importante, ou seja, a vinda dos imigrantes italianos, japoneses e, mais tarde, e em maior número, os sírio-libaneses. Estes últimos vieram a constituir a base de dois importantes pilares econômicos para as décadas seguintes: o comércio varejista e o comércio atacadista.
Voltando à tese de Juscelino Polonial, o terceiro momento seria entre as décadas de 30 a 60, quando a cidade efetivamente se tornou um referencial do comércio atacadista na região Centro-Oeste do País. Foi neste período que se deu a chegada da Estrada de Ferro Goyaz que, mais uma vez, trouxe status logístico (essa palavra nem era conhecida na época) e oportunidades de negócios, assim como, alargou a visão do empresariado, que começou a vislumbrar a possibilidade de trazer investimentos industriais. No final da década de 50 e em grande parte dos 70, há que se fazer referência a outros dois ciclos econômicos: o da indústria arrozeira - quando a cidade chegou a abrigar dezenas de cerealistas que beneficiavam o produto que era distribuído em grande parte de Goiás e Tocantins, principalmente. E o segmento da indústria cerâmica, que foi exponencial e serviu à construção de duas capitais - Goiânia e Brasília.
O quarto momento, de acordo com o historiador, está delimitado da década de 70 aos dias atuais, sendo que, neste período, ele cita como fatos importantes a construção da Base Aérea (1973) e do Distrito Agroindustrial, que foi inaugurado no ano de 1976 e considerado um marco no processo de industrialização do Estado. Esta foi uma fase marcada por sonhos e ceticismos. Muita gente dizia que o Daia seria um “elefante branco”, expressão que à época rotulava as grandes obras de governo que não saiam do papel. E aqui cabe uma frase de outro arquiteto contemporâneo Oscar Niemeyer: “A gente tem que sonhar. Se não, as coisas não acontecem”.


Daia se consolida com políticas públicas
Wânia Chagas Faria Cunha, mestra em Geografia e professora na Universidade Estadual de Goiás, ensaio “Contexto Socioeconômico de Goiás na década de 1970 e a adoção da política de industrialização via distritos industriais”, destaca que a década de 1960 constituiu-se “num marco no que se refere à política de planejamento com vistas à promoção do desenvolvimento da produção econômica, até então inexistente. Até esse momento, o Estado limitava-se a administrar os negócios públicos. Tal mudança na forma de governar representou um importante passo para promover o desenvolvimento, especialmente no tocante à modernização da estrutura produtiva”. Conforme relata, durante o governo de Mauro Borges (1961 a 1964), foi criado o Plano de Desenvolvimento de Goiás (PDEG), também conhecido por Plano MB, que era inspirado no Plano de Metas do Presidente Juscelino Kubitscheck. Foi dentro desse planejamento, que o Governo da época começou a criar órgãos e secretaria vinculados, de alguma forma, à plataforma de desenvolvimento econômico e modernização do Estado.
A política para a construção de distritos agroindustriais em Goiás teve o seu ápice no ano de 1973, no governo de Leonino di Ramos Caiado com a Lei nº 7.700 que previa isenções de impostos para e criava a Superintendência de Distritos e Áreas Industriais, que ficaria responsável em escolher os locais e dotar de infraestrutura necessária para acolher as plantas industriais.
Mestre em Economia de Empresas e autora de publicações como “Anápolis- Desenvolvimento Industrial e Meio Ambiente” e “Economia Goiana”, Joana D´Arc Bardella Castro, destacou, na primeira publicação, que a Cidade foi escolhida para sediar o primeiro pólo industrial goiano por várias razões, dentre as quais, elencou o fato de Anápolis apresentar os melhores coeficientes econômicos, população (na época) acima de 150 mil habitantes, por possuir ampla área para a implantação do distrito e por contar com o serviço de três rodovias federais: (BR’s 153, 060 e 414), além de várias estaduais, facilitando o escoamento da produção. “A cidade era considerada a ‘Manchester Goiana’, por ser o município mais próspero do Estado e apresentar uma tradição comercial-industrial, possuir capital social básico adequado e ter proximidade de duas capitais: Brasília e Goiânia”, apontou a pesquisadora.
Após a sua inauguração, em 09 de novembro de 1976, no governo do então Presidente, general Ernesto Geisel, e do Governador do Estado, Irapuan Costa Júnior, o Distrito Agroindustrial de Anápolis passou por um período de dificuldades, já que a área, a infraestrutura oferecida, a localização geográfica privilegiada do Município e a política de incentivos não eram ainda elementos que, por si só, atraíssem os investimentos tirando o foco da região Centro-Sul do País. A partir de meados da década de 80, o governo goiano, na gestão de Iris Rezende Machado, adotou uma política mais agressiva de incentivos fiscais, a partir da Lei nº 9489, de 19 de julho de 1984, que criou o Fundo de Fomento à Industrialização (Fomentar), que substituiu o Fundo de Expansão da Indústria e Comércio (Feincom), oriundo da lei nº 7.700. O Fomentar, conforme a professora Nathalia Cordeiro Laurias, mestranda em Sociologia, no artigo “O papel dos incentivos fiscais no processo de estruturação industrial em Goiás (1998-2006)”, escrito para a Revista de Economia da Universidade Estadual de Goiás (UEG), em 2009, assinalou que o Fomentar previa o financiamento e investimentos fixos previstos em projetos enquadrados no programa, de até 70% da quantia equivalente ao ICMS devido pela empresa (no caso indústria) aprovada no Programa, num período de cinco anos. Prevendo, ainda, infra-estrutura básica para a implantação dos empreendimentos, além de uma série de outros benefícios.
“Porém, a criação do Fomentar não foi suficiente para que o Estado obtivesse desempenho econômico superior ao dos outros estados da região Centro-Oeste. A possível explicação para esse acontecimento seria a deficiência estrutural e escassa de Goiás para suportar o crescimento econômico. Outra possível explicação se apoia na ineficácia do estado ao implementar suas políticas de desenvolvimento regional em comparação aos outros estados.”, salienta Nathalia Cordeiro, destacando que essa constatação levou o Estado a editar uma nova versão do programa de incentivos, batizada de Produzir (Lei nº 13.591, de 18 de janeiro de 2000), criada no primeiro governo de Marconi Perillo. Foram várias mudanças, como o teto de financiamento do ICMS e o seu período de vigência estendidos para 73% do ICMS e por 15 anos. Além disso, foram criados, dentro do Produzir alguns subprogramas, como o Microproduzir, para atender aos pequenos empreendimentos; o Logproduzir, para atender às demandas do setor de logística; o Comexproduzir, para incentivo às empresas que fazem comércio exterior, visando melhorar o saldo da balança comercial do Estado.
Os números mostram que a estratégia de Goiás se consolidou. Segundo pesquisa da Associação Brasileira Pró-Desenvolvimento Industrial, de 2009, divulgada pelo site oficial do Governo (www.noticiasdegoias.go.gov.br), Goiás recebeu 755 empresas que geraram quase 216 mil empregos diretos e 648 mil indiretos, através do Programa Produzir e, atualmente, estima-se que mais de mil empresas estejam contempladas.
Além do programa de incentivos fiscais que favoreceu o crescimento da industrialização em Goiás e, especialmente, em Anápolis, onde está situada a maior concentração de indústrias, outros fatores contribuíram neste processo como a melhoria da infraestrutura e o acesso ao crédito com linhas especiais, sobretudo, do Fundo Constitucional Centro-Oeste (FCO) que, também de acordo com informações oficiais do Governo, em 22 anos, injetou mais de R$ 10 bilhões em projetos de empresas em todos os setores da economia goiana. (CB)


Porto Seco, globalização, lei dos genéricos
O processo da industrialização em Anápolis elenca quatro fatores que foram decisivos ao seu fortalecimento, além das políticas de incentivos ficais adotadas por Goiás: a implantação da primeira estação aduaneira interior (Porto Seco) na região Centro-Oeste, a internacionalização (ou globalização) da economia, a Lei dos Genéricos e a expansão da oferta do ensino superior para atender às novas demandas surgidas com a instalação de novas empresas. Todos estes adventos ocorreram de 1998 até meados da década seguinte.
Começando pela globalização, os argumentos são os números. Desde 2000, o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, através da Secretaria de Comércio Exterior, vem divulgando dados da balança comercial dos municípios. Os números de Anápolis dão um panorama bastante claro acerca da internacionalização da economia. Para se ter uma ideia, no primeiro ano de divulgação, em 2000, as exportações feitas por Anápolis somavam apenas US$ 322,8 mil, passando a US$ 38,7 milhões em 2005; R$ 51 milhões em 2010 e, neste ano, até o mês de junho último, já estabeleceu recorde da série histórica com US$ 123 milhões. As importações, em 2000, eram de US$ 72,9 milhões; passando para US$ 160,9 milhões em 2005; US$ 2,5 bilhões em 2010 (recorde na série histórica) e este ano, até o mês de junho, chegou a US$ 1,4 bilhão.
Toda essa movimentação, no entanto, se deu, principalmente, em razão da instalação do Porto Seco que, conforme a definição dada em seu site (www.portocentrooeste.com.br) “é um terminal alfandegado de uso público, destinado à armazenagem e à movimentação de mercadorias importadas, ou destinadas à exportação, sendo utilizado como facilitador das Operações de Comércio Exterior. Foi o primeiro Porto Seco da região centro-oeste, criado por meio de concorrência pública, em que empresários goianos formaram um consórcio vencedor da licitação, obtendo assim, a licença para a prestação dos serviços aduaneiros”.
O Porto Seco conta com um ramal da Ferrovia Centro-Atlântica, que permite levar a produção goiana até os portos do Sul do País (Santos, Vitória, Paranaguá, Itajaí). E, com a conclusão da Ferrovia Norte-Sul, Goiás terá uma ligação com o Porto de Itaqui, no Maranhão. Uma reportagem publicada no mês de março último, acrescenta alguns dados expressivos para ilustrar a importância da aduaneira, que no ano de 2000, ou seja, praticamente um ano após a sua implantação, registrava uma movimentação de US$ 34,8 milhões e, no ano passado, a mesma conta foi fechada em US$ 2,98 bilhões. Tão expressivo, foi também os 17,1% de crescimento industrial de Goiás, de 17,1%, considerado o segundo maior do País.

Pólo farmacêutico
A Lei 9.787, sancionada em 10 de fevereiro de 1999 pelo então presidente Fernando Henrique Cardoso, abriu um novo leque de oportunidades em Goiás. O dispositivo criou incentivos para a produção de medicamentos genéricos no País. Por definição na própria legislação, “o genérico é um medicamento similar a um produto de referência ou inovador, que se pretende ser com este intercambiável, geralmente produzido após a expiração ou renúncia da proteção patentária ou de outros direitos de exclusividade, comprovada a sua eficácia, segurança e qualidade”.
Essa porta aberta foi aproveitada pelo Governo do Estado, por lideranças políticas e entidades representativas do setor produtivo, que se articularam para trazer este setor para Goiás. Ainda no primeiro ano de vigência da Lei dos Genéricos, decidiu-se que Anápolis seria a cidade escolhida para sediar o pólo de produção de medicamentos. Após a delimitação de locais e legais (leis de incentivo) o próximo passo, envolvendo a iniciativa também do Governo Federal, através do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio ExteriorSecretaria de Desenvolvimento da Produção, foi compor o Plano de Desenvolvimento do APL (Arranjo Produtivo Local) Farmacêutico de Goiânia-Anápolis, que teve a participação, no setor público de representações das secretarias estaduais de Ciência e Tecnologia, Indústria e Comércio, Saúde; Universidade Estadual de Goiás e Prefeitura de Anápolis. No setor privado, as representações foram: Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia), Federação dos Trabalhadores da Indústria do Estado de Goiás (Ftieg), representantes das indústrias farmacêuticas, Federação das Indústrias do Estado de Goiás (Fieg), Sindicato das Indústrias Farmacêuticas e Correlatos de Goiás (Sinfargo), Sindicato das Indústrias Químicas de Goiás (Sindqfgo) e Universidade Católica de Goiás.
Segundo o documento de criação da APL, o Arranjo Produtivo Farmacêutico configurou-se a partir da instalação da Plataforma Tecnológica do Setor Farmacêutico de Goiás em 17 de agosto de 2000, em um encontro que reuniu representantes do CNPq e da FINEP, empresários do setor, entidades representativas do comércio, da indústria e do setor farmacêutico, órgãos de governo, universidades e outras instituições de pesquisa. Ainda segundo o documento, em 2003 foi inaugurada a sede do Instituto de Gestão Farmacêutica Tecnológica (IGTF), localizado no Distrito Agroindustrial de Anápolis, resultado de uma parceria com o Governo do Estado de Goiás, com investimento de R$ 180.000,00. A partir de uma série de ações, os investimentos chegaram a uma velocidade surpreendente e, hoje, o Pólo Farmacêutico goiano é o terceiro maior produtor de medicamentos e segundo maior na produção de genérico no País.
Conforme reportagem publicada no mês de março último pelo jornal Estadão, do Estado de São Paulo, “Anápolis deve tornar-se, dentro de dez anos, o maior pólo de medicamentos genéricos do País”. O jornal cita que o Município foi o alvo dos grandes negócios no setor no ano de 2010, como a compra do Laboratório Neo Química pelo Grupo Hypermarcas e parte do Laboratório Teuto pela multinacional Pfizer. O Hypermarcas, recentemente, anunciou investimentos de R$ 600 milhões em Goiás, uma parte para a conclusão do Centro de Distribuição construído em Anápolis. Outra parte vai para o Município de Senador Canedo, que terá uma planta de produção de cosméticos e produtos de higiene pessoal. “Na avaliação do diretor executivo da Associação Brasileira de Laboratórios Nacionais (Abrasilan), Geraldo Monteiro, a consolidação dos laboratórios nacionais de fabricação de genéricos em Anápolis acabou por atrair a atenção de várias multinacionais”, destacou o Estadão. O pólo farmacêutico goiano conta hoje com 21 empresas, 18 delas em Anápolis, as quais geral cerca de seis mil empregos diretos.




Ensino superior
Pólo universitário ajuda consolidar industriualização
Foi no final da década de 90, que se deu a criação da Universidade Estadual de Goiás, através da Lei nº Lei n. 13.456, de 16 de abril de 1999, cuja sede foi fixada em Anápolis. A UEG veio somar-se a outras instituições de ensino superior existentes, com o intuito de formar mão de obra especializada para suprir às demandas do crescimento industrial e de outros segmentos da economia. A cidade, que foi a primeira em Goiás a receber uma unidade de formação em nível técnica do SENAI, em 1952. Em 2004, a Escola SENAI foi ampliada e passou a abrigar a Faculdade de Tecnologia SENAI “Roberto Mange”, credenciada pelo Ministério da Educação.
Atualmente, Anápolis conta com nove instituições que oferecem cursos em nível superior que oferecem quase 80 cursos, contados apenas os de graduação, além dos cursos de tecnólogos, de pós-graduação e mestrado. A cidade possui ainda uma unidade do Instituto Federal de Goiás (IFG). A formação deste pólo educacional acabou por atrair estudante de várias partes do Brasil, com isso, gerando também o aquecimento de outras áreas da economia local, sobretudo, a construção civil. O que já é um capítulo à parte. (CB)


Instituições de ensino superior em Anápolis

Universidade Estadual de Goiás- UEG
Centro Universitário Unievangélica
Faculdade Católica de Anápolis
Faculdade do Instituto Brasil- FIBRA
Faculdade Latino AmericanaAnhanguera
Faculdade Raízes
Faculdade de Tecnologia Roberto Mange
Faculdade Metropolitana de Anápolis- FAMA
Instituto Federal de Goiás



Os bons indicadores da economia
Nas duas últimas décadas, Anápolis vem colecionando resultados positivos em seus indicadores econômicos. A começar pelo PIB (Produto Interno Bruto), dá para se ter uma dimensão do quanto o Município tem contribuído para a geração de riquezas no em Goiás.
Dados da Secretaria de Estado de Gestão de Planejamento (Segplan), publicados pela Superintendência de Pesquisa e Informação (Sepin), apontam Anápolis como o segundo maior PIB do Estado, ficando atrás apenas da capital, Goiânia. Em 1999, o PIB anapolino era de R$ 1,5 bilhão, saltando para R$ 2,5 bilhões em 2004 e para R$ 6,2 bilhões, no ano de 2008, último dado consolidado. O PIB per capita, que é um indicador de distribuição da riqueza, assinalou em 1999, R$ 5,2 mil (média de ganho anual per capita), passando para R$ 8,2 mil em 2004 e, em 2008, chegou a R$ 18,9 mil. No período de 1999 a 2008, a população em Anápolis cresceu 14,89%, o PIB cresceu 310,6% e o PIB per capita, 257,6%. Fazendo uma comparação, o Estado de Goiás teve um crescimento populacional no mesmo período de 17,8%, o PIB cresceu 239,2% e o PIB per capita, 187,7%. Tomando a referência do Valor Adicionado (VA), o segmento de serviços, em 2008, apresentou maior concentração na composição do PIB, com R$ 2,5 bilhões, seguindo pelo segmento da indústria, com R$ 1,9 bilhão.
No comércio exterior, os dados são, da mesma forma, significativos. No primeiro semestre do ano, as exportações feitas por Anápolis alcançaram recorde da série histórica (2000-2011), com volume de US$ 123 milhões. As importações somaram o volume de US$ 1,4 bilhão. Em relação às exportações, no comparativo com o mesmo período de 2010, houve uma variação positiva de 287,71%. Já as importações tiveram uma variação menor, mas também positiva, de 24,20%. Os principais mercados de destino (exportação), segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), são: Países Baixos (Holanda), China, Alemanha, Irã e França. Já os principais mercados de origem (importação), são: Coréia do Sul, Estados Unidos, Suíça, Alemanha e Japão. A Coréia do Sul tem um tem uma participação de 63,97% no volume de importações, devido, sobretudo, à montadora de veículos CaoaHyundai, instalada no Distrito Agroindustrial de Anápolis. Os principais produtos da balança comercial do Município são o complexo soja, carnes, medicamentos e insumos para a produção de remédios, peças veículos e veículos.
O crescimento econômico de Anápolis, obviamente, gerou reflexo nas receitas municipais que, no ano de 1998, eram de R$ 71,2 milhões, pulando para R$ 197 milhões em 2004 e, no ano passado, alcançou R$ 45,6 milhões. O ICMS, que é arrecadado pelo Estado e distribuído posteriormente aos 246 municípios goianos, conforme um índice estabelecido para esta finalidade, cresceu de R$ 97,5 milhões em 1998 para R$ 173,8 milhões em 2004, chegando a R$ 514,9 milhões no ano passado. O número de empregos declarados na RAIS, ainda de acordo com dados da SegplanSepin, era de 35.641 em 1999; passou a 50.525, em 2004 e chegou a 82.172, em 2010. (CB)

Investimentos
Corredor logístico é a nova realidade

Ferrovia Norte-Sul e a Plataforma Logística Multimodal vão colocar Goiás num novo patamar de desenvolvimento, aproveitando a localização privilegiada em relação aos mercados do País

Lançada em 2007, a Plataforma Logística Multimodal, com sede em Anápolis, é um investimento que deverá alçar Goiás numa posição ainda de maior destaque na economia nacional. A concepção do projeto foi inspirada em experiências de países da Europa, para utilização eficiente dos modais de transporte, combinada com uma estrutura de serviços logísticos para armazenamento e distribuição de produtos.
A escolha de Anápolis se deu em razão de vários fatores, dentre eles: a localização estratégica privilegiada, já que a cidade tem, num raio de 1.200 quilômetros, possibilidade de alcançar 75% do mercado brasileiro, além de estar localizado entre duas capitais- Goiânia e Brasília – e ser cortada por várias rodovias federais (principalmente a BRs 153, 060 e 414), já possuir ligação ferroviária através da Ferrovia Centro Atlântica, além de ser o marco zero da Ferrovia Norte-Sul, que é um dos maiores projetos de integração do Governo Federal. Em território goiano, são 516 quilômetros de trilhos até à divisa com o Estado do Tocantins, com um investimento estimado de R$ 1,5 bilhão, o qual será crucial para alavancar as potencialidade logísticas do Estado, sobretudo, nos segmentos de grãos e minérios que estão se despontando. Além disso, há ainda um projeto do Governo Estadual, com investimentos previstos da ordem de R$ 100 milhões, para a implantação de um aeroporto de cargas.
Consolidando-se os investimentos do aeroporto e da ferrovia, Anápolis terá com a Plataforma Logística Multimodal uma base sólida para a exploração dos modais rodoviário, ferroviário e aéreo, que constitui o foco do projeto. Dadas estas condições, o empreendimento poderá oferecer vantagens competitivas para as empresas operadoras de logística de várias partes do País, já que terão, com a estrutura adequada e um bom posicionamento geográfico, condições de distribuir mercadorias, inclusive para o exterior, via Porto Seco, na região mais central do Brasil.
O Governo Estadual ainda trabalha para definir como a Plataforma Logística Multimodal será gerenciada. O assunto vem sendo, desde a inauguração da infraestrutura básica, discutido exaustivamente com o setor produtivo goiano. O fato é que há muitas empresas interessadas em aportar investimentos no projeto, que poderá servir de modelo para o País.
A Plataforma Logística está situada numa área de 6.967.790 metros quadrados próxima ao Distrito Agroindustrial de Anápolis, também próxima ao Porto Seco e ao pátio de manobras da Ferrovia Norte-Sul que terá conexão com a Centro-Atlântica. Assim, o Município terá acesso, por exemplo, às zonas portuárias do Sul do País, bem como à nova estrutura portuária de Itaqui, no Maranhão. O Governo ainda terá de fazer alguns investimentos na infraestrutura, já que a mesma ficou praticamente abandonada após a sua inauguração. Entretanto, o Governador Marconi Perillo, já sinalizou que se trata de um projeto estratégico para a economia goiana e que será priorizada pelo sua administração. O mesmo em relação ao Aeroporto de Cargas, cujas obras encontram-se paralisadas desde o início do ano. (CB)

Autor(a): Claudius Brito

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