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Comércio externo em alta

Economia Comentários 22 de janeiro de 2010


As exportações e importações, feitas a partir de Anápolis, registraram recordes históricos no ano de 2009, segundo revelam os dados da balança comercial, que acaba de ser divulgada pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). De janeiro a dezembro do ano passado, as vendas para o exterior tiveram um volume de US$ 68,1 milhões. Um crescimento de 300% em relação ao mesmo período de 2008, ano marcado pela crise mundial originada pelo colapso no mercado imobiliário dos Estados Unidos, que se refletiu por vários países contaminando outros setores econômicos.
Ainda em relação às exportações, a marca é histórica para o período 2000-2009. Ou seja: desde que os dados da balança comercial dos municípios começaram a ser divulgados pelo MDIC. Até então, o maior volume de vendas externas havia sido registrado em 2006 (US$ 47,9 milhões). Em 2008, as exportações ficaram em pouco mais de US$ 17 milhões.
Já em relação às importações, 2009 registrou um volume também recorde para a série histórica, alcançando um volume de US$ 1,5 bilhão, contra R$ 1,3 bilhão do ano de 2008, então a melhor marca. O incremento no período foi de 10,5%. Com as importações em volumes bem superiores às exportações, o saldo da balança comercial de Anápolis também registrou o maio déficit: US$ 1,4 bilhão.
Três países concentraram mais de 60% das exportações feitas por Anápolis: França, com participação de 25,91%; Irã, 20,80% e Coréia do Sul (13,36%). Por outro lado, as importações ficaram 82,99% concentradas em três países: Coréia do Sul (55,77%), Estados Unidos (14,61%) e Suíça (12,61%). A Coréia do Sul, portanto, pode ser considerada o principal parceiro de Anápolis, nas transações internacionais. A corrente de comércio (soma das exportações e importações) chegou a mais de US$ 847 milhões. A explicação é a movimentação da montadora CAOA/Hyundai no Distrito Agroindustrial que, inclusive, deve promover um aumento dessa movimentação por conta do início de outras linhas de produção, dentre elas o modelo Tucson.
Veículos, peças de automóveis e medicamentos, são os itens mais importados. Já o complexo soja lidera as exportações feitas por Anápolis, com algo em torno de 71 por cento de participação nas vendas externas. Mas, a lista tem ainda equipamentos de radioproteção, carnes e também vários medicamentos produzidos pelas indústrias do pólo farmacêutico local.

Principais países de destino (exportações)
1. França
2. Irã
3. Coréia do Sul
4. Estados Unidos
5. Eslovênia
6. Países Baixos
7. Cuba
8. China
9. Índia
10. Hong-Kong

Principais países de origem (importações)
1.Coréia do Sul
2.Estados Unidos
3.Suíça
4.Alemanha
5.Índia
6.Japão
7.China
8.França
9.Itália
10.Belarus

Análise da notícia

Por Antônio Teodoro (*)

A nível Brasil, segundo os dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC), ao longo do ano que passou, as empresas de 2.362 cidades venderam para mercados estrangeiros US$152,99 bilhões, enquanto, em 2008, as exportações totalizaram US$ 197,94 bilhões. Ou seja: temos uma queda de 23% nas exportações, ou, em termos reais, US$ 44 bilhões deixaram de entrar em nossas divisas. Isso significa que há um agravamento no déficit da Balança Comercial, o que se consolidou em 2009 e deverá aumentar em 2010 e 2011.
Ainda, segundo o Ministério, no ano passado, o Centro-Oeste apresentou a menor queda das exportações em relação a 2008. Os três estados e o Distrito Federal exportaram conjuntamente US$ 14,02 bilhões, valor 0,97% menor que o registrado dois anos atrás (US$ 14,16 bilhões). O Mato Grosso liderou o ranking regional com vendas de US$ 8,49 bilhões. Logo depois vieram Goiás (US$ 3,61 bilhões), Mato Grosso do Sul (US$ 1,78 bilhão) e o Distrito Federal (US$ 130,08 milhões).
Mas, e nossa cidade? Como se apresentou frente a este resultado?
A Balança Comercial de Anápolis fechou o ano de 2009 com US$ 68 milhões em exportações e US$ 1,5 bilhões em importações. Com este resultado, que não figura nem entre os três piores do Estado, consolidamos aquela velha idéia de que é necessário investir em nosso parque industrial e agregar valor aos nossos produtos para que possamos direcionar nossa produção ao mercado internacional.
Outro ponto dentro desta curva do déficit na balança está no que se refere à importação das matérias primas dos laboratório instalados no Município, o que acaba gerando este desequilíbrio, além do que, grande parte dos medicamentos produzidos são comercializados nacionalmente.
O que notamos, também, é que há uma grande quantidade de produtos importados com valor agregado, ou seja, produtos que já passaram por uma linha industrial e possuem um valor de negociação mais elevado. Isto acaba proporcionando margens melhores aos vendedores. São itens que, para alguns fornecedores são produtos finais, e para a nossa economia industrial, são tratados como intermediários.
Com forte presença de derivados de soja, esta commodity se destaca por representar quase 80% de nossas exportações. No ano de 2008, os bagaços e outros resíduos sólidos da extração do óleo de soja representaram apenas 9,53% das exportações, enquanto em 2009, chegou-se a 71%. Outro ponto a se observar é que, em 2008, o óleo de soja refinado em recipientes com capacidade de cinco litros, era o principal produto exportado, com 25,95%, e em 2009, isto representou apenas 3,6%.
Assim, temos produtos com valor agregado mais moderado em comercialização no exterior. Outro destaque é para a ampliação da participação de itens exportados como a tripa bovina e outras miudezas, que até 2008 não constavam em nosso quadro de produtos exportados.
Enfim, o que temos é que, quando observada nossa economia, ela ainda requer cuidados, mesmo após todos os avanços dos processos industriais, pois estes conseguem retornar maiores lucros e acabam por desenvolver em aspectos tecnológicos, gerando um salto qualitativo ao qual precisamos para consolidar nosso desenvolvimento econômico e construir uma cadeia industrial eficiente.
Temos um dos melhores parques farmoquímicos do Brasil, com forte atuação no mercado interno, além de localização logística privilegiada e programas de incentivo a indústria.

(*) Antônio Teodoro - Economista formado pela Universidade Estadual de Goiás, com MBA em Gestão Estratégica de Empresas, tendo como linhas de pesquisa a Economia do Trabalho, Desenvolvimento Econômico e Economia Brasileira.

Autor(a): Da Redação

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