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Comércio à moda antiga: uma tradição que resiste ao tempo

Cidade Comentários 20 de julho de 2012

Em um cotidiano tão agitado, onde as pessoas se acostumaram a recorrer às grandes, e tão conhecidas, redes de supermercados ou shopping centers para fazerem suas compras habituais, uma antiga prática no ramo das vendas é mantida, e em pleno centro de Anápolis.


Em uma pequena travessa, que se inicia na saída principal do Terminal Rodoviário Urbano e dá acesso à Praça Oeste, preservam-se traços da cultura do Município desde a segunda metade da década de setenta. Para saber sobre essa mesma importância cultural é preciso se voltar alguns anos na história do local e entender a ligação entre seu início e o fim da Ferrovia.

História
A Ferrovia (Estrada de Ferro Goyaz) que chegou a Anápolis em 1935, fez com que a Cidade prosperasse, mantendo, durante muito tempo, características e fortes relações com este sistema de transporte. Ele dinamizou o processo de urbanização no Estado: antigas cidades, alcançadas pelos trilhos, se modernizaram.
Em Anápolis, a linha férrea cortava a Cidade de ponta a ponta. Tanto é assim, que a principal estação de embarque e desembarque de passageiros e cargas ficava no centro - ainda hoje é possível se ver o prédio principal, que é tombado pelo Patrimônio Histórico Municipal, ao lado de onde, hoje, é o Terminal Urbano. Entretanto, quarenta anos mais tarde, já na década de 70, tanto a população, quanto os poderes políticos, não viam mais a ferrovia como sinal de progresso dentro de uma cidade que se desenvolvia quase freneticamente em diferentes setores. E, a retirada dos trilhos, que há vinte anos era tida, pelo desejo político da época, como o “anseio da sociedade” aconteceu no governo do, então, Prefeito Jamel Cecílio, tendo por motivo principal a necessidade do destravamento do crescente trânsito, especialmente rumo à Região Norte. Outra argumentação era por conta dos acidentes envolvendo automóveis, caminhões e demais veículos, com as composições ferroviárias. Assim sendo, na noite do dia três de maio de 1976, foi feita a última viagem de um comboio da Praça Americano do Brasil para a Estação de Castilhos, no Bairro Jundiaí. Começou-se, no dia seguinte, a retirada dos trilhos e dormentes da Rede Ferroviária Federal, que havia assumido o projeto inicial da Estada de Ferro Goyaz. O Prefeito Jamel Cecílio, durante a grande festa em comemoração à data, disse, ao fim de seu discurso que “Os trilhos saem como chegaram: trazendo progresso”.

Mudanças
Considerando-se que, a partir da década de 60, Anápolis não era mais o retrato de uma vila, e, sim, de uma cidade em desenvolvimento, a população e o comércio foram essenciais nesse progresso quantitativo. A retirada dos trilhos fez com que o comércio se expandisse, ainda mais, na região central. Conforme se pode acompanhar nas fotos do acervo do Museu Histórico “Alderico Borges de Carvalho”, o trecho onde os trilhos estiveram durante anos, dando acesso à Estação Ferroviária ficou vazio, abrindo assim espaço para o comércio e para centenas de residências. E, ali, bem perto da Estação, por onde o trem passava, surgiu uma interessante colônia de comerciantes.
Varejistas; proprietários de vendas de cereais; barbeiros, dentre outros comerciantes típicos da época, fizeram daquele local, uma espécie de mercado informal, estabelecendo seus de negócios. Nas décadas de 70 e 80, esse tipo de venda, como cereais e outros produtos à granel, por exemplo, ainda era popular. Eram poucos os supermercados como os que hoje, proliferam por toda a Cidade e que vendem os mais variados tipos de produtos já embalados e em quantidades padronizadas. Na viela, as mercadorias eram vendidas a granel, ou seja, o cliente chegava e solicitava a quantidade desejada de determinado produto, que poderia ser desde arroz e feijão, até farinha; café in natura, polvilho e outros gêneros alimentícios em forma natural. Porém, a partir dos anos 90 esse traço começou a se enfraquecer, quando as grandes redes nesses ramos se estabeleceram, e, consequentemente, os clientes diminuíram. Hoje, como o costume dessa forma de comprar não foi passado pelas gerações advindas desde aqueles dias, tal tipo de comércio é quase extinto. Um dos poucos pontos que mantém esse segmento comercial é a travessa que alguns chamam de Rua Luiz Holanda (a verdadeira Rua Luiz Holanda, pouco abaixo, foi mudada de nome e, hoje, chama-se Tonico de Pina), não pelo negócio em si, mas pela tradição, como conta ‘Seu’ Antônio Cipriano, o mais antigo varejista do ponto. “Há vinte anos vendia muito, mas hoje em dia as vendas são fracas. Se tivesse que abrir a loja hoje, não abriria, mas a mantenho porque já tenho o ponto, é uma questão de tradição.”, conta. E o que prova essa questão de tradição é o fato de a Malharia Oeste, a Loja de ‘Seu’ Antônio, ter obtido cerca de três prêmios nos últimos anos no ramo de malharia, como a loja mais conhecida e lembrada pelos consumidores. “Tenho clientes fiéis que, mesmo com as grandes lojas do segmento, compram até hoje de mim”, confirma.

Fortes marcas
Uma das fortes características da travessa, que conserva, ainda mais, a sua tradição e não se encontra em outras ruas, são os assovios ritmados que compõe a trilha sonora das partidas dos jogos de dama, promovidas pelos comerciantes dali e os ferroviários aposentados. ‘Seu’ Sílvio Néias, vendedor de produtos à granel, há quase vinte anos na rua, diz ser esse ambiente onde todos gostam de todos o que faz com que se familiarizem com o local. “Gosto de trabalhar aqui. Primeiro, por que sou trabalhador, mas também pela convivência, pelo clima de amizade com o pessoal”, diz.
Apesar de existirem consumidores do tipo de comércio realizado ali, com o passar do tempo o número desses clientes tem diminuído o que tende a continuar com a chegada das grandes redes de supermercados e lojas de renome nacional na Cidade, que mantêm acelerado o ritmo de crescimento. Há quem defenda a tese de que uma alternativa para que a travessa não venha, junto com esse crescimento, ser descaracterizada, seria torná-la uma espécie de rua de lazer, com acesso, somente, aos pedestres, sendo fechada exclusivamente para o comércio tradicional e praças de alimentação, servindo também como ponto para acolher as pessoas dos distritos e cidades do entorno anapolino que circulam diariamente pelo centro.

Autor(a): Da Redação

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