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Combate ao racismo marca semana da ‘Consciência Negra’

Geral Comentários 21 de novembro de 2014

De acordo com Secretaria de Desenvolvimento Social do Município, apesar dos avanços, práticas racistas ainda são constantes em nossa sociedade. Um dado alarmante indica que Anápolis está entre as 142 cidades brasileiras que concentram 70% dos homicídios contra os jovens negros


Durante esta semana, várias ações estão sendo desenvolvidas em todo o País em celebração ao Dia da Consciência Negra, comemorado no dia 20 de novembro. A data, instituída pela Lei 12.519, de 10 de novembro de 2011, faz referência à morte de Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, morto no ano de 1695. Em Anápolis, a programação em referência à Consciência Negra incluiu a exibição de documentários, apresentações culturais e mesas de discussão.
De acordo com informações do Portal Brasil Escola, ‘a data de sua morte (Zumbi), descoberta por historiadores no início da década de 70, motivou membros do Movimento Negro Unificado contra a Discriminação Racial, em um congresso realizado em 1978, no contexto da Ditadura Militar Brasileira, elegerem a figura de Zumbi como um símbolo da luta e resistência dos negros escravizados no Brasil, bem como da luta por direitos que seus descendentes reivindicam’.
Simei Silva de Lacerda, gerente do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) do Município disse que, ao longo da história do Brasil, negros sofreram um processo de discriminação social e foram excluídos, em alguns períodos, dos processos educacionais. Um decreto de 1854, por exemplo, proibia que escravos frequentassem as escolas públicas. Adultos negros só poderiam estudar se houvesse disponibilidade de professores.
Para ela, “é importante nós termos um dia para a gente refletir” sobre as condições do negro no Brasil e sobre os processos históricos de exclusão social. Ela lembrou que, no período do Brasil escravagista, aproximadamente quatro milhões de negros foram sequestrados. Ela destacou, também, sobre o processo de exclusão, que as “discriminações acabam por não promoverem uma sociedade pacífica”.
Discriminação
Simei Silva de Lacerda contou que, em 2008, foi vítima de racismo, sendo confundida com uma assaltante de um banco. Hoje, após haver sofrido o preconceito, ela entende que “quem tem acesso, quem tem informação, tem a possibilidade de lutar por aqueles que estão sem oportunidade”. Um dos objetivos de iniciativas como o Dia da Consciência Negra, continuou, é de “pelo menos colocar este assunto (racismo) em discussão”, “trazer este assunto para debate” e “fazer a sociedade pensar”.
O tema da programação do Dia da Consciência Negra promovida pela Secretaria de Desenvolvimento Social, Secretaria de Cultura, UEG, Prefeitura de Anápolis e SINTEGO foi ‘por um mundo sem racismo’. Anápolis hoje é um dos 142 municípios brasileiros que concentram 70% dos homicídios contra jovens negros no País, dado que mostra a importância do Dia da Consciência Negra em âmbito local.
“Jovem negro vai morrer por bala, ele vai ser assassinado. Então a morte no Brasil também tem cor”, declarou a gerente do SUAS, Simei Silva de Lacerda. “Essa questão não prejudica só o negro. Ela prejudica o País”, acrescentou. Entre outros desafios, Simei Silva indicou a necessidade de ações que promovam a igualdade social entre negros e brancos. E enfatizou que os negros são maioria entre os que se encontram em situação de pobreza.
Ela se considera uma “defensora das políticas afirmativas, das políticas de cotas” como “forma para que o Estado corrija uma injustiça histórica (contra os negros)”. Ela entende que “as oportunidades no Brasil são colocadas de maneira diferente” e que os negros, por terem estudado, a maioria, em escola pública e por terem menos acesso a um ensino de qualidade, não concorrerão em igualdades com outros alunos. “Esse jovem (negro) vai ter desvantagens”, citou.

Avanços
Os desafios enfrentados pelos negros no País, conforme indicou Simei Silva, foram acompanhados por vitórias recentes. Como um dos avanços, ela citou a criação, em 2003, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (SEPPIR). A Lei 10.639/ 2003 ‘estabelece as diretrizes e bases da educação nacional, para incluir no currículo oficial da Rede de Ensino a obrigatoriedade da temática "História e Cultura Afro-Brasileira", e dá outras providências’. “Um grande avanço para o reconhecimento da importância da cultura africana na construção da nossa identidade”, destacou. E, por fim, citou a Lei 12.288 de julho de 2010, que criou o Estatuto da Igualdade Racial.

Autor(a): Da Redação

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