(62) 3317 5500 • comercial@jornalcontexto.net

Coluna Boa Prosa - Ed. 269

Boa Prosa Comentários 18 de junho de 2010

Notas Gerais


O bodão da Vila Góis
Corria o ano de 1971. Estudante do curso Técnico de Contabilidade, no Colégio Estadual “José Ludovico de Almeida”, acabei tomando conhecimento de uma estória que vinha causando certa polêmica na Cidade, pois tinha saído, até, na Rádio Carajá. Diziam que, na Vila Góis, região do Patronato “Madre Mazarello”, à época praticamente deserta, estava ocorrendo a “aparição” de um bode, de tamanho descomunal, amedrontando famílias e ensejando as mais diferentes interpretações. “É assombração”, afirmavam alguns. “É impressão do povo”, respondiam outros. O certo é que a estória do “bodão da Vila Góis” vinha ficando mais famosa do que deveria.
Foi quando tive a idéia de tirar o assunto a limpo. Certa noite, convidei um colega de nome Paulo e decidimos desvendar o mistério. Antes, passamos em um bar, dividimos uma dose de conhaque, “para dar coragem” e seguimos, por volta de nove horas. Enquanto andávamos pelas ruas iluminadas (eram poucas naquela época) nada de anormal. Todavia, quando nos aproximamos do local, o medo começou a apertar. Mas, tínhamos o compromisso de esclarecer o caso do “bodão”. Andamos rua por rua, beco por beco, até em locais ermos. E, nada do tal “bodão”. Retornamos, era quase meia noite, um pouco decepcionados.
No outro dia, porém, não satisfeito, resolvi fazer uma nova incursão. Só que foi no período da tarde. Peguei a inseparável bicicleta e fui, mais uma vez, para a Vila Góis. Encontrei um senhor de, aproximadamente, 70 a 80 anos, e falei com ele sobre o assunto.
O velho me respondeu: “Até você, menino? Todo mundo quer saber essa história. Não tem nada de ‘bodão’ nenhum. O que acontece é que o Orestes, nosso vizinho, tem um jegue (jumento) que fica andando por aí, de noite. Dia desses, um rapaz vinha correndo de bicicleta e trombou com o bicho, caiu e se machucou. O jegue urrou com a dor da pancada. Uma mulher, que estava logo atrás, ouviu o barulho, saiu correndo e gritando com medo, pois era sexta-feira. Dizia ela ter visto uma criatura muito feia. Daquele dia em diante, ninguém mais teve sossego por aqui. Já trouxeram, até, um padre para rezar”, disse.
“O senhor me leva à casa do Orestes?”, perguntei.
“Na hora. Vamos lá”, disse o ancião.
E não é que era verdade? Ao chegar à citada residência, estava ali, amarrado a uma goiabeira, comendo uma porção de milho, o jeguinho, todo capenga. Seu nome: “Canário”. Estava desfeito o mistério da assombração, ou seja, do “bodão da Vila Góis”. Fato verídico, com testemunhas.
Nilton Pereira

Esgotamento
O ligeiro atraso nas obras do Parque Ipiranga, de acordo com o que foi explicado, se deve ao fato de ser necessária a implantação de uma rede coletora de águas pluviais, para não se contaminar os lagos que estão sendo formados no local. O que se pergunta é se, quando da concepção do projeto, os responsáveis não sabiam disso? Ou seja: que todo ano chove e a chuva provoca enxurradas?

Puxão de orelha
Pessoas que se acostumaram com a “bajulação nossa de cada dia”, não suportam uma crítica sequer. Julgam-se acima do bem e do mal. Falam o que querem, depois não aceitam qualquer observação. Agentes públicos devem estar preparados para tudo. Afinal de contas, entram para a política sabendo que serão julgados pela opinião pública. Além disso, foi-se o tempo em que era fato comum “pedir a cabeça” dos outros. Muito menos das bravatas tipo “sabe com quem está falando?”. Ou: “Ele (ela) não sabe o que sou capaz de fazer”. Coisa mais feia. Vale a velha máxima: “Quem não tem competência, que não se estabeleça”.

Ameaça
Mês de junho chegando ao final, e está de volta a temporada de férias. Com ela, as pipas. E, o temível e criminoso cerol (mistura de cola com vidro moído, que se coloca nas linhas para, a princípio, cortar a linha da outra pipa) que tem vitimado muitas pessoas por todo o Brasil. Essa prática leva, de lesões leves, até a morte por degola, principalmente de ciclistas e motociclistas. Já é hora de se falar “mais sério” com essa turma, principalmente com os pais e responsáveis. Ou não? Ou, será que ainda vamos presenciar novos casos de vítimas inocentes dessa brincadeira de mau gosto?

Pioneiro
Quando foi inaugurado, por volta de 1964/65, o Posto Santo Antônio (Avenida Goiás com Floriano Peixoto) propriedade do pioneiro Antônio (Tonico) Constante, oferecia, o dia todo, um delicioso cafezinho para os clientes que abasteciam seus veículos. De quebra, para transeuntes, curiosos e pessoas que moravam, e/ou trabalhavam na região, principalmente os mecânicos. Vinha gente de longe, “serrar” uma xícara. Bons temos aqueles.

Comunicação
Foi no governo de Henrique Santillo (1970/72) que a Prefeitura de Anápolis iniciou, efetivamente, um serviço mais profissional de imprensa e relações públicas. Além do “Jornal de Anápolis”, redigido, e impresso no mimeógrafo, nas dependências da própria Prefeitura (Praça Bom Jesus) e que era distribuído nos veículos de comunicação e nos pontos de aglomeração (barbearias, consultórios médicos, dentários, etc.), trazendo as notícias diárias da administração, havia outros serviços modernos. Um deles era a coleta, diária, da relação de pessoas que se hospedavam nos hotéis da cidade e das pessoas que se internavam nos hospitais anapolinos. Cada uma delas recebia um cartão de boas vindas (turistas) e votos de pronto restabelecimento (enfermos), assinados, de próprio punho, pelo Prefeito Santillo. Cuidava disso, o então advogado e jornalista, hoje Ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça, Sebastião de Oliveira Castro Filho.

Adivinhão
Um famoso médico de Anápolis, falecido recentemente, costumava contar a seguinte história. “Recém formado, era clínico geral. Cuidava de tudo. Desde gestantes, até acidentados, baleados, etc. O que mais me impressionava, entretanto, era a curiosidade dos futuros pais que me consultavam, querendo saber o sexo do bebê ainda no ventre da mãe”.
E continuava relatando que, para se ver livre de tal assédio e, como não contava com os recursos da ultrassonografia e outros, da atualidade, arriscava um palpite. “Vai ser menino”. Mas, anotava na ficha, menina. Quando a criança nascia, caso fosse do sexo indicado, ele ficava com a fama de ser uma espécie de adivinho, ou de entendedor do assunto. Mas, quando ocorria o contrário e os pais buscavam satisfações, ele mostrava a ficha. Ou seja: se os pais o interpelassem afirmando que ele errara, o doutor mostrava o papel. Caso houvesse falado que seria menina, e nascesse menino, ele tinha a garantia da ficha, pois, sempre, anotava o sexo contrário do que falara. Tipo assim: “o engano foi de vocês. Na ficha aqui, está menino, podem olhar”. Não errava uma!

Aniversário
A festa do Aniversário de Anápolis, em julho, deverá ser marcada por uma série de eventos, dentre eles, a entrega de importantes obras para a população. Pena que, por conta do calendário eleitoral, muitos candidatos não poderão estar presentes. Vai ser uma festa para o povo, mesmo.

Confraria
Estudiosos da história de Anápolis, pessoas que, de variadas formas, colaboraram, e ainda colaboram, para o desenvolvimento da Cidade, se reúnem, esporadicamente, para reviver atos e fatos que mercaram a trajetória do Município. O incentivador principal é o advogado e radialista José Cunha Gonçalves. Do grupo, constam literatos, executivos, jornalistas, médicos e outros. Dizem que, nesses encontros, velhas recordações sobre muita coisa vivida em Anápolis são trazidas à tona, matando saudades da turma, inclusive com a boa música de décadas atrás. Anapolinos que, hoje, residem em outras cidades, têm vindo participar.

Aeroporto
O empresário, e líder comunitário, Virgílio Barros Abreu envia comunicado a esta coluna acrescentando ricas informações sobre a operacionalidade do Aeroporto Civil JK, mostrada na última edição. Segundo Virgílio, Anápolis já teve linha internacional de aviação, com vôos e decolagens às quartas feiras e domingos, fazendo a linha Rio de Janeiro/Anápolis/Belém/Miami. Diz mais que, por aqui passaram grandes astros do cinema norteamericano da época. Dentre eles, Bob Hope, Lana Turner, Doroty Lummer, Bete Glaber e muitos outros. Acrescenta que a empresa Aerovias Brasil tinha agência em Anápolis e que o obelisco que existe no Aeroporto JK foi construído por Vicente Fritz, renomado construtor da época. Feito, com muito prazer, o registro.

Autor(a): Nilton Pereira

Comentários


Deixe seu comentário Dê sua opinião a respeito desta notícia. Seu e-mail não será publicado.


Código Anti Span Incorreto!
Obrigado! Seu comentário foi postado com sucesso!
Falhou! Preencha todos os campos obrigatórios (*)

+ de Notícias Boa Prosa