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Coluna Boa prosa - Ed. 264

Boa Prosa Comentários 14 de maio de 2010

Notas Gerais


Cena de rua
Sol do meio dia, um domingo qualquer. Paro o carro no sinal que fechou, no cruzamento da Avenida Brasil com a Rua Barão do Rio Branco. Aproxima-se um garoto e vai logo dizendo:
- “Tem um Real aí, tio?”
- “Pra que você quer um Real?”
- “Comprar passagem pra Goiânia. Eu e o meu pai”
- “Cadê seu pai?”
- “Está ali ó”, disse-me, mostrando um homem barbudo, magro recostado numa árvore.
- “O que vocês vão fazer em Goiânia?”
- “Vamos ver se encontramos trabalho. Aqui em Anápolis está difícil”
- “Mas, onde vocês moram?”
- “A gente mora na rua. Tem vez que alguém dá um lugar pra gente ficar, mas depois manda a gente sair”
- “E sua mãe, cadê ela?”
- “Minha mãe morreu em Brasília quando eu tinha seis anos. Fique sozinho com meu pai. Nossa família é de Minas, mas é tudo gente pobre como nós”
- “Seu pai faz o quê?”
- “Ele era pedreiro, mas ficou doente da coluna e não aguenta pegar peso. Nós dois trabalhamos em qualquer coisa. Lavamos carro, limpamos quintal. Até cachorro a gente lava”
- “Com é o seu nome?”
- “Gabriel”
- “Gabriel de quê?”
- “Souza Fernandes”
- “Quantos anos você tem?”
- “Onze”
- “Você não estuda?”
- “Moço, a gente não tem nem onde morar, quanto mais escola...”
- “Quer ir morar comigo lá em casa? Te dou roupa, sapato, coloco você na escola”, provoquei-lhe.
- “Quero não. Não deixo meu pai por nada nesse mundo. Ele é tudo que tenho”
Fiquei calado. Foi quando minha mulher perguntou:
- “Cê tá chorando?”.
Não respondi. Mas, duas lágrimas quentes que corriam na minha face, responderam por mim.
Peguei uma nota de dois reais, dei ao menino. Talvez nunca mais volte a ver o Gabriel. Mas, com certeza, nunca vou esquecê-lo. Aprendi uma grande lição com ele.
O sinal abriu, arranquei com o carro. Continuei em silêncio. Vida que segue...
Nilton Pereira

Melando?
E não é que a propalada ampliação da sede da Câmara Municipal corre o risco de não sair? Não se trata da falta de verbas. Acontece que a ONG “Olho Verde em Defesa do Meio Ambiente e do Consumidor”, presidida pelo advogado Evandro Coutinho, que trabalha as questões ambientais no Município, está questionando, a princípio, informalmente, a legalidade de tal obra em cima da Praça “31 de Julho”.

Puxão de orelha
Por onde andariam as lideranças de Anápolis que alardearam, e muito, a disposição de brigarem pela implantação do entreposto da Zona Franca de Manaus na cidade? Parece que o assunto morreu e que, já se dá por perdido o projeto. Pelo menos, esta é a impressão. Da mesma forma, ninguém mais falou no Aeroporto de Cargas, e, muito menos, na Zona de Processamento de Exportação a ZPE, assuntos que, por sinal, renderam muitas entrevistas e pronunciamentos inflamados de nossas autoridades.

“Briga internacional”
Munir Calixto foi, indiscutivelmente, um dos mais importantes empresários de Anápolis nas décadas de 60 e 70. Além de implantar vários loteamentos, como Bairro Calixtolândia; Jardim Calixto; Parque Calixtópolis; Vila Calixto Abrão; Industrial Munir Calixto e outros, ele foi um dos fundadores da Escola “Maria Montessori”, da Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais - APAE - em Anápolis.
Mas, teve um episódio que marcou sua trajetória na cidade. Certa feita, Munir foi a São Paulo e, lá, adquiriu sobras de produtos cosméticos trazendo para Anápolis. Colocou em embalagens próprias, batizando-as de “Produtos de Beleza Liz Taylor”, quem sabe numa homenagem a Elizabeth Taylor, uma das musas do cinema em todos os tempos, de quem colocavam uma silhueta lembrando a aparência da artista nos frascos e embalagens dos produtos colocando-os à venda por preços populares.
Acontece que andaram plantando informações de que um grupo de advogado dos Estados Unidos estava a caminho do Brasil para processar o Munir Calixto, por estar explorando, indevidamente, o nome da atriz famosa. E, o mais intrigante é que parte da imprensa, inclusive de Goiânia, entrou na onda, chegando a divulgar tal viagem dos gringos. Quando era procurado para falar sobre o assunto, Munir acrescentava mais mistério ainda, afirmando: “quando eles chegarem a gente resolve”. Claro que tais advogados nunca apareceram por Anápolis, pelo simples motivo de nem existirem. Munir continuou vendendo seus produtos até quando se interessou.

Tratamento
Justiça seja feita, o Dnit está dando “uma geral” na BR-060, trecho Anápolis/Goiânia. Além do conserto da pista em vários trechos, está sendo feita uma roçagem do matagal às margens da importante rodovia. E, por falar em BR 060, muita gente anda admirada ao trafegar por ela e ver, em vários trechos, o lago da barragem do Ribeirão “João Leite”.

Comodidade
Comentário de um professor do ensino médio em Anápolis: “Não passo mais trabalho de pesquisa para meus alunos. Eles colam tudo da internet. Alguns não se dão ao trabalho nem de deletar a fonte e o nome do autor”. Está certo o professor. Mas, não são, somente, alunos do ensino médio que cometem esse tipo de falcatrua. Tal comportamento é mais comum do que possa parecer, em escolas de nível superior. Existe, até, quem elabore teses de graduação, incluindo mestrado e doutorado, tudo com base em cópias feitas na internet. É este o retrato nu, e cru, do ensino brasileiro.

Vai parar
Como acontece em todos os anos de Copa do Mundo, o Brasil vai, literalmente, parar em junho. Os jogos serão, em sua maioria, no período da tarde. E, ninguém vai querer perder. Até os valorosos deputados federais (estaduais também) estão falando em recesso branco, durante a Copa. País rico é assim mesmo...

História
Apesar de parecer, a denominação “Primeiro de Maio” para a rua que liga a Praça Santana à Praça das Mães, não tem esse nome por conta do Dia do Trabalho. É uma homenagem à promulgação da primeira lei orgânica do Município de Anápolis, que aconteceu no dia 1º de maio de 1896. Era intendente (espécie de prefeito) de Anápolis, Antônio Pereira Dutra. Fonte: livro “Anápolis Suas Ruas, Seus Vultos, Nossa História” (Amador de Arimathéa-Dô).

Grilagem
Importantes áreas públicas de importantes bairros de Anápolis estão sendo cercadas. A princípio, com arame. Depois, vêm os muros. Numa boa.

Pioneiro
O radialista Carlos Cândido foi o primeiro em Anápolis e, possivelmente, um dos primeiros do Brasil, a ter a coragem de tocar música sertaneja no chamado horário nobre das emissoras de rádio. Antes, tais músicas eram ouvidas, somente, nas madrugadas ou, durante a noite. Hoje, o “som rural” toma conta, até, das mais badaladas casas de shows do eixo Rio/São Paulo.

Defeito
Quem procede de Brasília e quer entrar em Anápolis pelo Bairro de Lourdes, tem de tomar muito cuidado. Não existe o chamado ‘recuo’ na entrada do “Trevo Leleco” , o que já motivou vários acidentes no local. A entrada é brusca, obrigando a imediata diminuição da velocidade. Sem contar que não existe sinalização suficiente no local. O Dnit bem que poderia dar uma olhada na situação. Ou não?

Autor(a): Nilton Pereira

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