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Coluna Boa Prosa - Ed. 260

Boa Prosa Comentários 16 de abril de 2010

Notas Gerais - Ed. 260


Homem de visão
No início dos anos 50 o então comerciante Onofre Quinan, dono da “Casa Violeta” foi a São Paulo e comprou dezenas de fogões a gás, trazendo-os para vender em sua loja na Praça Bom Jesus. Muita gente à época o taxou de maluco.
- “Aqui em Anápolis não tem gás pra vender. Como é que as pessoas vão comprar esses fogões? Onde vão comprar o gás?”, perguntaram-lhe no primeiro dia.
Foi quando Onofre deu a tacada certeira:
- “Eu vou fornecer o gás para elas. Esta é a jogada. Vendo os fogões e vendo o gás também”, teria dito.
Nascia, ali, uma das maiores empresas que Goiás já conheceu: a Onogás.

Seu Braz e a poupança
Carpinteiro de mão cheia, sistemático até não ter mais aonde, “Seu Braz” era o tipo do homem de poucas palavras. Vindo do Norte de Goiás morou em Anápolis por muitos anos e faleceu em 1988. Alguns anos antes, ele recebeu um dinheiro, parte de uma herança de família e estava confuso sobre o que fazer com a bolada.
“Põe na poupança, pai”, disse-lhe uma das filhas, já que aquele tipo de aplicação era o mais conhecido na época.
“Seu Braz” acompanhado da esposa e dos filhos foi, então, à agência do BRB, que funcionava na Rua 15 de Dezembro e fez todos os procedimentos. Depositou o dinheiro e voltou para casa com o recibo.
Mas, o inesperado iria acontecer... Sem experiência com transações bancárias, “Seu Braz” não dormiu naquela noite. Não concordava em ter deixado aquele monte de cédulas e trazido apenas um pedaço de papel para casa. Mal amanheceu o dia ele se e levantou e correu lá no Banco. Obviamente só estava o guarda. Então “Seu Braz” lhe disse:
- “Eu deixei um dinheiro aqui ontem e vim ver se ele ainda está aí”.
- “Mas o banco só abre às nove horas”, disse o guarda.
- “Não... eu quero ver meu dinheiro é agora”, retrucou o carpinteiro.
O guarda foi à casa do gerente Pedro Alexandre, que morava no pavimento superior e contou a história. Pedro Alexandre desceu e conversou, demoradamente, com “Seu Braz”, explicando que o cofre só abriria em hora programada, e tal. “Seu Braz” ficou lá até o Banco abrir e enquanto o gerente não abriu o cofre, mostrando-lhe o monte de dinheiro que estava ali guardado, ele não foi embora. Fato verídico, confirmado pelo gerente e pelos membros da família de “Seu Braz”.
Esquecimento
Aos poucos Anápolis se esquece de seus pioneiros. Hoje se fala, muito, em grandes indústrias, em Distrito Agro Industrial. Mas, no passado, a economia anapolina era girada por importantes projetos industriais, indo desde a cerâmica, até a fabricação de alimentos. Uma das pioneiras na cidade foi a Fábrica de Bolachas “Santa Filomena”, propriedade de Dirceu Santos Frederico. Nos anos 60 ela oferecia centenas de empregos numa moderna unidade industrial no Bairro Dom Pedro II.

Puxão de orelha
Entra governo, sai governo e não se resolve em Anápolis o problema da ocupação das calçadas na região central da cidade. O pedestre é, literalmente, expulso dos passeios públicos para as vias públicas, porque o espaço é invadido por vendedores ambulantes, muitos deles de outras cidades, alguns verdadeiros “atacadistas”, pois são donos de várias bancas. Ninguém sabe explicar os motivos de não se aplicarem medidas disciplinadoras nesse tipo de atividade. Enquanto isso, a população que paga seus impostos em dia, se vê refém dessa situação. Será que, um dia, isso se resolve?

Solicitude
Poucas autoridades em Anápolis foram tão solícitas para com a imprensa como o então juiz João Barbosa das Neves. Diretor do Fórum, professor de Direito Processual Penal na Faculdade de Direito, ele era adorado pelos repórteres.
Certa vez, Doutor João Barbosa (morto prematuramente em acidente rodoviário entre São Francisco de Goiás e Nerópolis) presidia uma sessão do Tribunal de Júri, na Quadra do CRA. Ainda não havia sido construído o atual edifício do Fórum, que por sinal leva seu nome, devido ao empenho com que o referido magistrado demonstrou para convencer o Governo da necessidade da obra. Estavam sendo julgadas as acusadas de matar uma comerciária, no que ficou conhecido, na época, como “o crime das lésbicas”. Pela repercussão do julgamento, o salão do Fórum, na Praça Bom Jesus, não comportaria os interessados em assistir.
Foi quando chegou uma equipe da TV Tocantins para dar cobertura ao evento. Doutor João Barbosa, sem a menor cerimônia, se dirigiu ao promotor, aos advogados e aos demais presentes e disse:
“Olha aqui... vocês vão me dar licença um pouquinho, eu vou interromper a sessão para falar com o pessoal da TV. É que eles têm horário certo de colocar a matéria no ar e não quero prejudicá-los”. E, assim o fez. Desceu e foi falar com os repórteres. Ato seguinte, retomou o julgamento. Ninguém reclamou. Até porque, o Doutor João Barbosa era uma espécie de unanimidade em Anápolis.

Impiedade
Para os menos avisados no trânsito de Anápolis, um lembrete: As barreiras eletrônicas, os “pardais” e outros equipamentos de sinalização estão mais ativados do que nunca. Avanço de sinal, parada sobre faixa de pedestre e excesso de velocidade, estão sendo punidos exemplarmente. Os carteiros nunca entregaram tantas notificações de infrações de trânsito como nos dias atuais.
Questionamento
Por falar em barreira eletrônica, quando foram instalados os primeiros desses equipamentos em Anápolis (administração Adhemar Santillo - 1997/2000) um importante radialista da época se insurgiu contra a medida.
- “Onde já se viu percorrer toda uma avenida como a Universitária, a 30 quilômetros por hora?”, indagou irritado. Tentaram explicar-lhe que aquela velocidade era, somente, quando da passagem dos veículos pelo equipamento. Mas, ele não concordou:
- “Nada disso, fiquei sabendo que tem um equipamento que acompanha o carro por toda a extensão da avenida” teria dito. Só com o tempo é que ele veio a “cair na real”. Fato verídico.

História
Para os que são contra a instalação de sanitários públicos nas principais praças de Anápolis, a história mostra que, no começo da era cristã, a cidade de Roma contava com 144 desses aparelhos à disposição da população. Atualmente, em Londres e em outras importantes cidades da Europa, eles se multiplicam, inclusive, com acesso para deficientes. É a chamada acessibilidade que, por aqui, só existe em discurso de político.

Tamiflu
Pouca gente sabe, mas todas as partidas de oseltamivir, principal medicamento contra a gripe Influenza A H1 N1, que vêm para o Brasil, ficam armazenadas em Anápolis. Mais especificamente no Porto Seco Centro Oeste. O medicamento origina-se de uma planta, o anis estrelado, ou anis estrelado chinês (Illicium verum), uma árvore que pode ter altura de mais de oito metros, folhas largas, verde forte, com flores de cor amarela e frutos com aparência de estrela contendo uma pequena semente no interior de cada ponta. Possui aroma forte, característico. O fruto, também, em forma de estrela, é a parte utilizada para extrair o ácido xiquímico, material de partida para a síntese do oseltamivir, conhecido, comercialmente, como Tamiflu.

Previsível
Embora grande parte da torcida não concorde, a participação da Anapolina no Campeonato Goiano deste ano não surpreendeu. Ficou em quinto lugar, de bom tamanho por sinal, levando-se em conta o que se fez em termos de preparativos. Está provado que somente dinheiro não resolve. Mesmo com fortes patrocínios e o apoio do Tesouro Municipal, o time não “decolou”. Futebol se faz, hoje em dia, em todo o mundo, com profissionalismo, a partir, inclusive, do comando. De nada adianta ter boa vontade, boas propostas. Quem não entende o mundo do futebol “quebra a cara”. De consolo para a Rubra, fica a situação do Itumbiara, que gastou muito mais e ficou em situação bem mais constrangedora.

Autor(a): Nilton Pereira

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