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Coluna Boa Prosa - Ed. 258

Boa Prosa Comentários 01 de abril de 2010

Notas gerais - Ed. 258


O menino e o Presidente
Maurício Hellou, executivo do Porto Seco Centro Oeste, conta que, num dia qualquer de 1968, por volta da hora do almoço, estava em companhia do avô (Barbahan Hellou, um dos maiores comerciantes da história de Anápolis) no alpendre do sobrado que ainda existe na esquina da Avenida Goiás, com a Rua General Joaquim Inácio, na Praça do Bom Jesus. Foi quando, de lá, avistou um Galaxie (automóvel da marca Ford) preto, de onde desceu um homem alto, terno escuro e que chamava a atenção pelo avantajado nariz. Outros carros estacionaram ao lado.
Maurício teria dito ao avô:
- “Aquele homem está parecendo o Presidente Costa e Silva (Artur da Costa e Silva 1899/1969). Eu vou lá ver”.
- “Bobagem, menino”, teria dito o avô.
Mesmo assim ele foi, e, se aproximou do homenzarrão. Perguntou na bucha:
- “O senhor é o Presidente da República"?
- “Sim sou eu mesmo. Vim aqui na sua cidade participar de um almoço, mas cheguei meio cedo e resolvi visitar esta pracinha”, disse o General.
Segundo Maurício, foi juntando gente, até se formar uma pequena multidão em volta do Presidente controlado, à distância, por uma equipe de seguranças, que não interferiram. Em meio ao povo, surgiram repórteres das rádios, comerciantes e outras lideranças. Depois, o General foi embora participar do compromisso sócio/político para o qual fora convidado e que Maurício Hellou não se lembra, pois era, ainda, uma criança.
PS. Costa e Silva foi Presidente da República entre março de 67 e agosto de 69. Notabilizou-se por ser considerado “linha dura” e foi em seu governo que se instituiu o famigerado AI-5, ato institucional que dava plenos poderes ao Presidente.
Histórias de Anápolis.

Dito Pantera
Mecânico de profissão, “Dito Pantera” era mais conhecido em Anápolis como juiz de futebol, nos anos 60 e 70. Invariavelmente, todo final de semana, apitava duas, até, três, partidas entre amadores e varzeanos. Era “carne de pescoço”. Apitava tudo e ninguém contestava. Se reclamasse, “Pantera” metia o dedo no nariz do jogador reclamante. O que ele marcava, estava marcado. E pronto. O segredo de Dito Pantera? Quando entrava em campo para apitar um jogo estava, sempre, acompanhado de um revólver 38.

Aecinho e Ernaninho
O renomado jornalista Chico Ornellas (Estadão e outros) escreveu recente artigo no jornal O Diário de Mogi, editado na cidade Mogi das Cruzes, São Paulo. No artigo, intitulado “15/03/85 Um Dia Para Esquecer”, ele narra fatos relacionados com a eleição (pelo Colégio Eleitoral) de Tancredo Neves à Presidência da República e os atos que se seguiram, culminando com a morte do presidente eleito em 21 de abril daquele ano. Na narrativa, Ornellas cita a participação de “Aecinho” (o hoje Governador de Minas Gerais, Aécio Neves, neto de Tancredo) e “Ernaninho” (o ex-prefeito de Anápolis, Ernani de Paula). Os dois eram amigos e chegaram a dividir um apartamento em Belo Horizonte. Depois, foram trabalhar na campanha de Tancredo. Aécio, com a morte do avô, assumiu uma diretoria da Caixa Econômica Federal e levou junto Ernani. Este, tempos depois, retornou a São Paulo. Ornellas fala sobre o relacionamento de “Ernaninho” e “Aecinho”, narrando, inclusive, que Aécio foi padrinho de casamento de Ernani com Sandra Melon e, depois, padrinho de batismo de Carol, filha do casal.

Impunidade
Anápolis talvez seja a única cidade no Brasil onde as pessoas dirigem falando ao telefone celular sem serem admoestadas. Apesar de ser falta grave, punida com multa e perda de pontos na Carteira de Habilitação, os motoristas de Anápolis, em grande parte, não estão “nem aí”. Impunidade total.

Maldição
Agora a coisa resolve! A Rede Globo entrou na parada... É o que dizem por aí. O Brasil inteiro se escandalizou com as deprimentes cenas de pessoas, de todas as idades, fumando crack a “droga maldita”, a poucos metros do Palácio do Planalto e do Congresso Nacional, em Brasília, mostradas em rede nacional esta semana. E, se não for agora, o Brasil mergulha, de vez, no mar profundo do narcotráfico, de onde não tem retorno. Corremos o risco de virar uma Colômbia de vinte anos atrás.

Campanha
E, já que o Governo faz tanta campanha contra Aids, contra dengue, contra sarampo, contra isso, contra aquilo, não seria oportuno fazer uma grande campanha nacional alertando sobre os males do crack, que já é um caso de saúde pública? Assunto para os governantes pensarem.

Puxão de orelha
Somente uma pequena porcentagem dos estudantes das escolas públicas e particulares em Anápolis (possivelmente em outras cidades também) sabe cantar, corretamente, o Hino Nacional Brasileiro. Sem contar os outros: Da Bandeira, Da Independência, etc. Seria falta de estímulo, ou desinteresse de quem é responsável pelas políticas de educação no Brasil? É bom lembrar que, em outros países (Alemanha, por exemplo), esse gesto cívico é tema obrigatório. Lá, até jogador de futebol, para ser inscrito nas ligas, tem que saber cantar o hino nacional de cor. Mas, é por isso que o Brasil é o Brasil e, a Alemanha, é a Alemanha.

O abrigo
O Abrigo dos velhos “Professor Nicéphoro Pereira da Silva” foi idealizado, em 1945, por membros da Loja Maçônica “Lealdade e Justiça”, tendo à frente Ariowaldo Tahan. Sua inauguração deu-se em duas etapas: 1948 e 1950. O terreno para a edificação foi doado por Jonas Duarte e os recursos para a construção vieram de promoções como rifas, bingos, bailes e outros. Os primeiros médicos a atenderem os internos da instituição, foram Luiz Fernando Silva; Henrique Fanstone; Sírio Quinan, Joaquim D’Abadia e Ivan Roriz. O Abrigo funciona, até hoje, prestando inestimáveis serviços à sociedade anapolina.

Sonho
O sonhos dos anapolinos em verem funcionando na cidade um centro de convenções, para feiras, desfiles, congressos e outros eventos que reúnem grande público, está, definitivamente, adiado, sem data prevista de retorno. Promessa de muitos candidatos, este projeto deverá, mais uma vez, constar das campanhas eleitorais deste ano. Podem anotar.

Risco
A exemplo do que acontece em outras cidades, Anápolis tem espalhados pelas ruas, notadamente do centro, vendedores de “remédios” à base de plantas, os chamados raizeiros. O que ninguém garante, todavia, é se os vendedores têm, com certeza, o conhecimento das ervas. E, o que é pior: os compradores, também, será que conhecem, realmente, o produto que estão comprando?

Pombos
Aves silvestres, mas que acabaram por se tornarem urbanas, devido a uma série de fatores, os pombos, que se constituem em atração nas praças públicas de muitas cidades do Brasil, (incluindo Anápolis) são veículos importantes para a transmissão de muitas zoonoses (doenças de animais) que atingem, também, o homem. E é bom lembrar: o abate dessas aves é proibido pelas leis ambientais do Brasil. Crime punido com prisão, sem direito a fiança.

Desconhecimento
Quando foram instaladas as primeiras lombadas eletrônicas em Anápolis (administração Adhemar Santillo - 1997/2000), muita gente achava que a velocidade (40 Km/h em média) deveria ser observada em todo o trajeto da via e, não, somente na passagem pelo equipamento. Um conhecido radialista de Anápolis fez, à época, um veemente protesto, afirmando que aquilo era “um atraso. Onde já se viu transitar por uma avenida a 40 quilômetros por hora?”, perguntou indignado em seu programa.

Autor(a): Nilton Pereira

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