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Colégios Arlindo Costa e Zeca Batista se destacam na inclusão social

Cidade Comentários 02 de setembro de 2016

O primeiro, com 46 alunos e o segundo com 64, desenvolvem um trabalho considerado de excelência, apesar de enfrentarem dificuldades com a falta de material pedagógico, jogos que despertem a atenção e o raciocínio, dentre outras deficiências


Com duas unidades de ensino atuando ativamente no trabalho de inclusão escolar, ambas pertencentes à Rede Estadual, Anápolis vem se destacando no atendimento aos alunos com necessidades educacionais especiais, apesar de a legislação em vigência ser clara quanto à obrigatoriedade de se acolherem e matricularem todos os estudantes, independentemente de suas necessidades ou diferenças.
São os Colégios Arlindo Costa, na Vila Santa Isabel e Zeca Batista, na Vila Góis. O primeiro com 48 alunos especiais cadastrados no sistema e, o segundo, com outros 64 inscritos no processo de inclusão, matriculados nestas condições, com ou sem laudos médicos. No entanto, por força legal, todas as demais escolas existentes no Município, sejam elas públicas ou particulares, lidam hoje com esse tipo de problema, reforçando a tese segundo a qual, vivencia-se, mundialmente, um momento em que se trabalha indistintamente a inclusão escolar de alunos com necessidades especiais na rede regular de ensino.
Para debater esta questão, o Colégio Arlindo Costa promoveu na manhã da última quinta-feira, 1º de setembro, o seu 1º Encontro de Inclusão, reunindo pais, alunos e convidados para mostrar que o seu trabalho de inclusão é desenvolvido de forma diferenciada, sem fugir de uma metodologia apropriada que beneficia a todos os alunos com necessidades educacionais especiais para que eles não fiquem alheios ao que é ministrado em sala de aula. “Em nossa escola, atendemos a todos os tipos de deficiência”, explica a professora Elaene Andrade, especializada no Atendimento Educacional Especializado (AEE).

Laudos
O AEE é um atendimento específico para alunos com necessidades especiais que foram matriculados com laudos que atestam algum tipo de problema que eles enfrentam. O laudo dá a estes alunos o direito de contar com o apoio de um professor específico para auxiliá-los durante as aulas e também ao AEE, um atendimento agendado para o contraturno escolar, feito por um professor especializado em várias áreas de deficiências.
Para os alunos sem laudos, a escola, também, disponibiliza um professor que ajuda os alunos com necessidades especiais nas dificuldades que enfrentam, mas sem o direito ao apoio de um professor especializado em AEE. Os Colégios Arlindo Costa e Zeca Batista oferecem este tipo de atendimento, proporcionando aos alunos com necessidades especiais variadas ações que flexibilizam o conteúdo das matérias ministradas em sala de aula e para adaptar as avaliações. “Oferecemos aulas mais diversificadas, especificamente para atender aos alunos em suas dificuldades”, acrescentou Ilda David de Rezende Quintanilha, professora especializada em AEE do Colégio Zeca Batista, a primeira unidade de ensino pública a trabalhar com a inclusão em Anápolis e que hoje continua atendendo ao maior número de alunos com necessidades especiais.
Elaene Andrade e Ilda Quintanilha explicam que em suas escolas os alunos com necessidades especiais são inseridos em classes comuns, com procedimentos educativos adaptados, conforme as suas necessidades específicas. Elas garantem que a presença de alunos com necessidades especiais junto com os ditos “normais” não provoca problemas de convivência. Para elas, há uma interação natural entre todos os alunos, sem registro de atos preconceituosos ou de exclusão e nem mesmo de bullying.

Variações
Tanto o Arlindo Costa como o Zeca Batista são colégios que trabalham com vários tipos de deficiência - autistas; cadeirantes; cegos; surdos; mudos; interativos (TDAH); com déficit de atenção e concentração, com deficiência intelectual e outros tipos de deficiências. Mesmo lidando com uma grande variedade de deficiências, as duas unidades de ensino enfrentam dificuldades para desenvolverem esse trabalho, devido à falta de material pedagógico; jogos que estimulem a concentração e o raciocínio; papel; lápis; tesoura; livros em alto relevo para cegos, dentre outros produtos e materiais específicos.
Além disso, uma parte das famílias de alunos que têm Atendimento Educacional Especializado, um método que facilita o desenvolvimento escolar, oferecido no contraturno, não tem condições de levar seus filhos com necessidades especiais fora do horário escolar normal. “Isso acaba prejudicando os alunos porque a eles são oferecidas atividades que incentivam o seu desenvolvimento, complementando ou suplementando o que é ministrado em sala de aula.
O Colégio Zeca Batista desenvolve, ainda, um projeto específico, exclusivo para autistas. Ilda Quintanilha lembra que o autismo se apresenta de diferentes formas, umas mais graves e outras mais leves, mas todas com uma dificuldade qualitativa que afeta a maneira como uma pessoa comunica-se com a outra e se relaciona com o mundo à sua volta. “Tem autista que não frequenta o ensino regular”, explica Ilda Quintanilha acrescentando que o autismo mais severo compromete a linguagem, o raciocínio, além de dificultar a verbalização. Para os casos mais graves, o Colégio desenvolve o projeto Refazer, aos denominados autistas clássicos, que não têm condições de participarem da grade curricular normal, oferecendo a eles um ensino diferenciado que trabalha também a interação do autista com a sociedade.

Encontro reúne ex-alunos, familiares e professores

As experiências vivenciadas por ex-alunos com necessidades educacionais especiais, pais e professores envolvidos no processo de inclusão social, desenvolvido pelo Colégio Arlindo Costa, foram mostradas na manhã do último dia 1º de setembro, no 1º Encontro de Inclusão promovido por aquela unidade de ensino, considerada, juntamente com o Colégio Zeca Batista, unidade pólo de inclusão em Anápolis na, ainda, incipiente política de inclusão social do Brasil.
A ênfase do encontro se concentrou na premissa segundo a qual pessoas com condições e necessidades especiais não têm doença. “É, apenas, uma condição”, ressaltava um grande cartaz que serviu de cenário para apresentações, depoimentos e outras atividades. “Elas não estão à procura de uma cura. Só estão à procura de aceitação”, finalizam os dizeres do cartaz, fazendo coro ao pensamento de familiares de alunos com necessidades especiais para quem estas pessoas precisam mais de aceitação e amor do que de cuidados especiais.
Professora na Escola Maria Montessori, da APAE de Anápolis, Renata Augusta tem um filho com deficiência intelectual e TDAH, um transtorno neurobiológico caracterizado por sintomas de desatenção, inquietude e impulsividade. Matriculado no Colégio Arlindo Costa depois de passar por diversas unidades de ensino da rede particular, hoje o filho da professora da APAE, de nome Victor Augusto está com 17 anos e no 1º ano do ensino médio.
Ela conta que seu filho sempre colocava resistência quando era levado para as escolas que frequentou, por causa da dificuldade de adaptação e, mais ainda, da falta de apoio que um processo de inclusão exige. “Meu filho não tinha motivação nenhuma para frequentar uma escola”, disse Renata Augusta, revelando que depois que ele foi transferido para o Colégio Arlindo Costa, se sente motivado e adaptado. “É um processo muito positivo”, garante a professora, satisfeita com o desenvolvimento de seu filho com necessidades especiais.
Depoimentos
Durante o encontro, alguns de ex-alunos com necessidades especiais deram depoimentos sobre a exitosa experiência educacional que tiveram no Colégio Arlindo Costa e, a que ponto chegaram, depois de concluírem seus estudos, inclusive surdos mudos. Foi o caso de Jéssycka Nattasha hoje formada em designer gráfico, com pós-graduação e trabalhando na área de comunicação da UniEvangélica. Com o apoio de uma professora de LIBRAS (Linguagem Brasileira de Sinais), a ex-aluna, juntamente com outra surda-muda Ana Arantes, também ex-aluna, hoje acadêmica do curso de pedagogia, elogiou o papel que o colégio desempenha no trabalho de inclusão, afirmando que elas chegaram aonde se encontram, graças ao apoio e à aceitação que receberam no Colégio Arlindo Costa.
O diretor da unidade, Luciano Almeida Pereira, fez um relato do trabalho que o Colégio desenvolve, garantindo que se trata de um serviço de excelência a favor da inclusão e em benefício da comunidade. Ele destacou o papel que os professores de alunos com necessidades especiais desempenham, lembrando que além de ser especializados na área da inclusão, são pessoas depreendidas e que merecem o respeito e a consideração de todos. Outros professores, também, falaram sobre a importância do projeto de inclusão social, com destaque para o amor e a aceitação que o Colégio oferece aos alunos com necessidades especiais.
Convidado pela diretoria do Colégio, o jornalista Vander Lúcio Barbosa, Diretor Presidente do Jornal Contexto destacou o trabalho que é feito na área da inclusão naquela unidade pública de ensino e afirmou que recebeu, depois de presenciar depoimentos e apresentações de alunos com necessidades especiais, uma verdadeira lição de vida.
Vander Lúcio falou sobre sua convivência com pessoas com necessidades especiais, afirmando que todas, independentemente do grau do problema que enfrentam, necessitam de amor e aceitação. “É esse o grande trabalho da inclusão social”, sentenciou o jornalista, para quem a pior deficiência é o preconceito que acomete pessoas que procuram se distanciar e de conviver com o próximo que tem alguma necessidade especial. (Ferreira Cunha).

Autor(a): Ferreira Cunha

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