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Coleta seletiva: conscientização popular é o caminho

Meio Ambiente Comentários 29 de janeiro de 2015

A falta de consciência ambiental da população é apontada como uma das principais causas do baixo índice de reciclagem dos resíduos sólidos (lixo urbano) na Cidade


Informações da Secretaria do Meio Ambiente indicam que de 8 a 10% do total de lixo reciclável produzido em Anápolis são separados e destinados para a reciclagem. Sibele Maki de Souza, diretora de Educação Ambiental, declarou que a quantidade de material reaproveitado é baixa, “pela falta de participação da população”. Atualmente, seis caminhões coletores, por meio da empresa GC Ambiental, detentora da concessão de limpeza urbana, atendem às duas cooperativas de coleta seletiva existentes no município, Coopercan e Coopersolidos.
Seis motoristas, doze coletores que ficam nos caminhões durante a saída para os bairros e 32 cooperados das duas cooperativas fazem parte do grupo que promove o recolhimento de material reciclável no município. Por mês, são coletadas de 60 a 80 toneladas. No total, 61 bairros são atendidos pela coleta seletiva e 20 Pontos de Entrega Voluntária (PEV’s) estão instalados em pontos estratégicos. Sibele Maki evidenciou que “educação ambiental não depende só do governo” e que a “população ainda não entendeu que ela faz parte do processo, inclusive legalmente”.
O secretário do Meio Ambiente, Francisco Carlos Costa explicou que a meta é, até meados de 2016, coletar e destinar para a reciclagem 30% do total de lixo reciclável produzido em Anápolis. “É, gradualmente, ir aumentando a consciência da população e, sobretudo, aumentando os pontos de entrega voluntária”, destacou. Um projeto entre a Secretaria de Meio Ambiente e o PROCON Anápolis vai permitir a instalação, até 2016, de cem novos pontos de entrega voluntária e duas mil lixeiras para dois tipos de lixo, “em que a população, intuitivamente, vai ser estimulada a colocar, num bojo, o material orgânico, aquele que vai para o aterro sanitário, que vai ser enterrado, que é aquele que decompõe rapidamente. E, no outro, a população colocar o material reciclável”. Esta ação se encontra em processo licitatório. Um trabalho de conscientização, também, é feito nas escolas municipais, em que é eleito um professor “multiplicador para educação ambiental”.
O secretário Francisco Carlos informou que a Coleta Seletiva na cidade é executada de quatro maneiras diferentes. A primeira é o trabalho desempenhado pela GC Ambiental, que recolhe material reciclável e o descarta nas cooperativas. Os pontos de entrega voluntária, também, fazem parte do processo. O lixo reciclável é recolhido e enviado para as cooperativas. No Distrito Agroindustrial de Anápolis, empresas recolhem seu material reciclável que, em seguida, é levado pela GC Ambiental e também tem como destino as cooperativas. Por último, existe o trabalho informal dos catadores autônomos de lixo, que, com suas charretes, fazem o papel de “verdadeiras formiguinhas do Meio Ambiente”, nas palavras do próprio secretário.
Cooperativas
Em Anápolis, duas cooperativas atuam na coleta seletiva. Depois que, em agosto de 2014, por força de Lei Federal, catadores, em todo o País, foram proibidos de trabalhar dentro dos antigos lixões, o papel desses grupos passou a ter importância no recolhimento de resíduos recicláveis. A Coopersolidos e a Coopercan, próximas ao Aterro Sanitário Municipal têm, juntas, 32 cooperados, de acordo com informações da área de educação ambiental municipal. A primeira, existente desde 2006, está “consolidada”, de acordo com o secretário Francisco Carlos.
Com dois galpões próprios, prensa e esteira, a Coopersolidos tem parcerias com o Município, Estado e União. Bruno Pereira da Silva é fiscal desta cooperativa e destacou que o início dos trabalhos foi feito por meio de um grupo que atuava de “porta em porta, sensibilizando a população”. Hoje, a cooperativa coleta em torno de 22 toneladas mensais de lixo e a renda dos cooperados gira em torno de um a um salário mínimo e meio. Parcerias com empresas, como a Coca-Cola, permitem a aquisição de equipamentos de proteção individual e o recebimento, sem custo, de materiais recicláveis que, posteriormente, são vendidos. Ele destaca que leva “tempo para a população se conscientizar” da importância da coleta seletiva.
A Coopercan começou em agosto de 2014, com a retirada dos catadores do lixão. “Esta está se constituindo agora. Inclusive, a parte legal, a constituição como cooperativa, com CNPJ, saiu no final do ano passado”, destacou o secretário de Meio Ambiente. “A Coopersolidos já tem a sua autonomia financeira. Ela já gera renda suficiente para os seus cooperados”, acrescentou. No ano passado, foi enviado pelo Executivo Municipal, e aprovado pela Câmara, um projeto que destina um complemento salarial para os cooperados da Coopercan, uma vez que a renda daqueles coletores ainda não alcançava um salário mínimo. Este convênio entre cooperativa e Prefeitura deverá entrar em vigor já neste mês.
Fontes da Prefeitura informaram que, como os catadores foram resistentes ao processo de retirada do lixão, a obtenção de documentação para a formação da cooperativa (e o consequente recebimento de ajuda do Poder Público) ficou impossibilitada durante os primeiros meses.
Desafios
Para a presidente da Coopercan, Arislayne Glaucielle, os cooperados estão trabalhando com dificuldades, depois que foram retirados do aterro. Conforme apuração do Jornal Contexto, alguns chegavam a ganhar em torno de R$ 2 mil mensais naquele local, valor que caiu na Coopercan para aproximadamente R$ 200,00 por mês.
Maria de Fátima Couto atuou durante 35 anos no antigo “lixão”, hoje transformado em aterro sanitário. Aos 53 anos de idade, ela informou que criou sua família “tudo com o dinheiro de lá”. “Eu nunca pensava que eu ia passar por isso”, declarou sobre o fato de estar ganhando R$ 200 por mês, enquanto que no lixão ganhava aproximadamente R$ 1500,00 mensais. Suas contas de água e energia; e o IPTU de sua casa estão atrasadas. Ela informou que, durante o processo de retirada dos catadores da área onde é o aterro, foi feita a promessa de que os trabalhadores iriam para um local melhor. “Que lugar melhor é esse? Seria melhor se eles tivessem cumprindo o que eles prometeram para nós, a Prefeitura. A Prefeitura com a GC”, declarou.
O secretário do Meio Ambiente, Francisco Carlos Costa, explicou que “a renda que estas famílias obtinham no aterro era em condições desumanas o trabalho, em jornadas duplas, jornadas triplas de trabalho, com o uso de crianças e adolescentes catando para as famílias. Então, esta é uma informação que precisa ser depurada”. “Esse catador que, presumivelmente, diz que recebia isto, e ele não quiser se filiar à Coopercan para trabalhar” e “ter essa renda dentro da cooperativa, pode buscar outra atividade, pode mudar de profissão. Porque, para dentro do aterro ele não retorna”, acrescentou, explicando que a retirada foi feita para o cumprimento de Lei Federal.
Serviço - Coleta seletiva de lixo
Dias: segunda a sexta
Horário: das 07 horas às 15h20
Telefone: 62 3902-1237

Autor(a): Felipe Homsi

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