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Colégio Zeca Batista: Alunos especiais estão sem professor

Cidade Comentários 29 de janeiro de 2015

Governo Estadual dispensou 14 profissionais que atuavam na Educação Inclusiva da instituição. Pais relatam prejuízos para os seus filhos, alguns com autismo, que necessitam atendimento especial. Diretora aborda as dificuldades de “oferecer para o aluno tudo aquilo de que ele tem direito e necessita”


O Colégio Estadual Zeca Batista, com 60 alunos que recebem educação inclusiva, por serem portadores de deficiência, teve 14 de seus profissionais dispensados. De acordo com a diretora, Simone Pescara de Freitas, “o Zeca Batista abraçou essa causa e desenvolve essa ação de inclusão na sua totalidade” para atender às necessidades. Esta instituição educacional tinha, até o ano passado, “todo esse aparato profissional para fazer o trabalho”, com contratos temporários de três anos, tendo sido dispensados no início de 2015. Fora do ensino especial, o Colégio tem 170 alunos.
A diretora informou que a unidade terá dificuldades em “oferecer para o aluno tudo aquilo de que ele tem direito e de que ele precisa”. Já matriculados, mas sem professores de apoio que dão suporte aos alunos especiais durante as aulas, os estudantes correm o risco de ficarem sem estudar, conforme relatou a professora Simone. Em alguns casos, os pais são aconselhados a “não vir (para o colégio), porque é um risco” para eles estudarem sem o profissional de apoio. “Ele vem para que, então? Para passar o tempo e correr um risco?”, questionou.
Entre os profissionais dispensados, estão professores; professores de apoio; intérprete; higienizador, auxiliar de serviços gerais e coordenador de merenda. “Como pais, eles não querem correr o risco. Então, eles não trazem os filhos”, afirmou sobre o posicionamento de alguns pais de alunos especiais. De acordo com a diretora, na Subsecretaria Regional de Educação de Anápolis “falam que vão recontratar” e “não contratam”.
O trabalho que era desempenhado pelos educadores dispensados, foi evidenciado por Simone Pescara de Freitas. Alguns atuavam em uma sala de ‘atendimento educacional especializada’, instalada com recursos do Ministério da Educação. Alunos autistas do Colégio são atendidos por estes profissionais no Projeto Refazer, que oferece apoio e condições, de acordo com a diretora, para que aprendam e para que sejam respeitados o limite e o potencial deles. Dentro de sala de aula, havia um professor de apoio, que “fica com o aluno que precisa de uma atenção maior”.

Eliane Conegundes Ribeiro de Oliveira tem um filho autista matriculado no 7º ano do Colégio Zeca Batista. Ela é uma “criança que, pelo laudo médico, pelo próprio desempenho dele, deve estar matriculado no ensino regular, mas com direito ao atendimento especial, garantido pela Lei do Autista. É mais do que o professor de apoio fazer uma diferença, é um direito legal, é uma obrigação que o Estado tem de dar esse apoio ao meu filho, a todos esses que estão matriculados no ensino regular e tem direito ao atendimento especial”, mencionou.
Para a mãe, “ele tem condição de acompanhar, junto com os outros, dentro da sala”, entretanto, “precisa de alguém ao lado dele”. Ela diz ter “total” segurança na escola. Mas, lamentou que terá um prejuízo “parcial” com a dispensa de professores de apoio. Ela destacou o papel desempenhado pela escola. “A diferença é que ele aprende do modo dele. A necessidade especial dele é atendida, amparada. Hoje, eu sinto meu filho, realmente, completando a aprendizagem, passo a passo”, concluiu.
Paulo Luís Vieira e Lucimar Taveira são pais de João Felipe, que tem hiperatividade. O pai afirmou que o prejuízo, com a retirada dos professores, será de “cinquenta por cento ou, talvez, até mais. Quer dizer: ele vai ser atendido na sua totalidade se estiver como estava antes. Todos os profissionais à disposição daqueles alunos”. A mãe destacou que, “antes de ele vir para o projeto refazer (programa do Colégio para autistas), já frequentou outras escolas. Mas, ele mordia, beliscava, ele chutava e, não comia sozinho. Não sentava para nada. E, hoje, em casa, ele vê tevê, ele mexe em computador, ele usa seu próprio tablete e já come sozinho”.
Sirlene Afonso Alves dos Santos é mãe do aluno especial Gabriel Henrique Afonso, que está no 6º ano. Ela afirmou que “não esperava” matricular seu filho e receber a notícia da dispensa dos educadores, pois ambos (aluno e mãe) vieram “com expectativa muito grande”. Nesta sexta-feira, pela manhã, pais de alunos especiais do Colégio Estadual Zeca Batista se reunirão com a Subsecretária Regional de Educação de Anápolis, Sonja Maria Lacerda, para saber qual será a posição tomada pela Secretaria Estadual quanto aos profissionais dispensados e quanto a possíveis novas contratações.

Autor(a): Felipe Homsi

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