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CNI: Dirigente demonstra preocupação com os rumos do País

Economia Comentários 09 de outubro de 2015

Vice-Presidente da Confederação Nacional da Indústria, Paulo Afonso ministrou palestra para empresários na Acia


A conjuntura econômica e seus reflexos na industrialização nacional foi o tema básico da palestra proferida aos sócios, convidados e diretores da Associação Comercial e Industrial de Anápolis na noite de quarta-feira, 07, pelo empresário goiano Paulo Afonso Ferreira, Vice-Presidente da Confederação Nacional da Indústria. Ele veio a Anápolis atendendo a convite da ACIA, tendo em vista a preocupação da entidade quanto aos rumos da economia nacional e, muito especialmente, no setor de indústrias, uma das principais forças do Produto Interno Bruto do Município.


A sala de Reuniões “Deocleciano Moreira Alves” ficou lotada, tendo em vista o interesse demonstrado pelos empresários de Anápolis a cerca da palestra que durou mais de uma hora. O empresário, que é, também, Presidente do Conselho de Assuntos Legislativos, um grupo que atua dentro do Congresso Nacional e acompanha todas as propostas direcionadas à política de industrialização do País, fez, inicialmente, uma análise da conjuntura nacional, assegurando que os problemas do Estado Brasileiro estão na raiz das dificuldade da governança e da governabilidade. Falou que se trata de um estado que não faz o que deve ser feito e que faz o que não precisa se fazer e discorreu sobre a incapacidade de proverem-se serviços eficientes nas atividades básicas do Estado, como saúde, educação, segurança e infraestrutura. O empresário abordou, também, a indefinição de prioridades e agendas que não evoluem, insegurança jurídica como produto de conflitos de competência entre poderes e entes da Federação e regulações excessivas e ineficientes com foco em procedimentos burocráticos ao invés de resultados. Segundo ele, “para se abrir uma empresa no Brasil é necessária uma médiade17 procedimentos, o que coloca o País na 142ª posição no ranking mundial em excessos de burocracia”.


Paulo Afonso Ferreira disse, também, que o Estado Brasileiro precisa mudar para ser eficiente eficaz, que o setor privado é parte do processo de mudança, que a prestação de contas à sociedade deve ser constante, que é preciso destravarem-se os obstáculos com reformas estruturais e que o diferencial das sociedades bem sucedidas reside em criar instituições funcionais que tenham capacidade de tomar decisões, e negociar soluções e desenvolver ambientes favoráveis à propriedade.


 


Análise da conjuntura.


Ao analisar a conjuntura nacional, Paulo Afonso Ferreira disse que o Brasil vive um dos momentos mais complexos de sua história, mas que o empresariado brasileiro já enfrentou outras situações difíceis e graves, superando-as, que é preciso evitar-se que a crise se aprofunde e torne ainda mais difícil a superação dos problemas e que as regras do jogo determinam os resultados. Disse, mais, que o momento atual exige correção de rotas, urgência no enfrentamento de questões econômicas e politicas institucionais, que são obstáculos ao desenvolvimento do País. Para ele, os problemas devem ser solucionados pelo sistema político, mas com o apoio da sociedade. Paulo Afonso acrescentou que é necessário haver perspectiva mais ampla sobre a agenda que precisa ser enfrentada e que outro problema da atual conjuntura vem dos impactos na competitividade das empresas e a baixa produtividade do trabalhador.


Ainda, durante a palestra, Paulo Afonso Ferreira disse que, atualmente, a confiança do empresário industrial é a menor desde 1999 e que o Índice Nacional de Expectativa do Consumidor alcançou seu mais baixo grau de todos os tempos. Assegurou, ainda, que o Real, a moeda brasileira, está em franca trajetória de desvalorização frente a outras moedas e que o saldo comercial cresce com a queda das exportações e importações. Outro dado mostrado registra a queda no comércio varejista em mais de 2,4 por cento nos sete primeiros meses deste ano. Criticou, ainda, a elevação da taxa de desemprego e a queda no rendimento médio real e de massa salarial no Brasil atualmente. A tendência negativa no faturamento das indústrias e a ociosidade no parque fabril nacional, que é a maior em 12 anos, foram assuntos comentados pelo Vice Presidente da CNI.


 


Cenário atual


Diante dos dados estatísticos, Paulo Afonso Ferreira disse que chegar-se ao superávit e atingir-se o ajuste geral vai exigir outras ações oficiais, medidas dificultadas pelo clima de insegurança política vivida entre os poderes constituídos (Executivo e Legislativo, principalmente) que estão, quase sempre, em rota de colisão. Disse, mais, que a situação econômica precária de praticamente todos os estados e municípios contribui para a atual crise vivida.


O Vice Presidente da CNI abordou, ainda, questões política equivocadas que se verificam no Congresso Nacional e que atingem muito diretamente, a proposta de industrialização do País. Segundo ele, há, em média, cinco mil ações tramitando no Congresso (Senado e Câmara Federal) com referências à política de industrialização do Brasil. É um recorde mundial, de acordo com ele.


Como riscos no atual contexto, ele citou a tributação sobre lucros e dividendos, proposta pelo Governo; o retrocesso na Lei de Propriedade Industrial, o retorno da CPMF a tributação de juros sobre o capital próprio e o Imposto Sobre Grandes Fortunas. Como oportunidades, Paulo Afonso Ferreira citou o aperfeiçoamento do sistema de licenciamentos ambientais; o Negociado Sobre o Legislado, a Reforma Tributária, e a convalidação dos incentivos fiscais.


Na parte final da palestra, Paulo Afonso Ferreira disse que é momento de se unirem as forças empresariais, em conjunto com a sociedade organizada e se exigir da classe política a tomada de posições mais enérgicas para se recuperar o tempo e as oportunidades perdidos.


O Presidente da ACIA, empresário Anastacios Apostolos Dagios, considerou altamente produtiva a Reunião e conclamou os presentes a sempre comparecerem aos debates que são essenciais para o fortalecimento do empresariado anapolino. Aproveitou para ler o manifesto emitido pelo Fórum Empresarial do Estado, contra a criação de novas regras tributárias em Goiás.

Autor(a): Da Redação

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