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Clube Ipiranga está à venda

Cidade Comentários 12 de abril de 2013

Um dos mais antigos centros de recreação e lazer do Estado se inviabilizou economicamente e diretoria decidiu vendê-lo


“Gigante do Jundiaí” e “Clube das Garotas” eram as denominações do Ipiranga Atlético Clube que, ao lado de Anápolis e Anapolina, representava o futebol amador, depois, profissionalizado em Anápolis entre as décadas de 60 e 90. Fundado, em 1952, o Ipiranga experimentou sua fase áurea nos anos 60, quando teve boas participações no Campeonato Goiano de Futebol Profissional, revelando grandes craques como Carlinhos; Pepey; Campeão; Glicério, Dadá, e vários outros. Isto permitiu, dentre outras coisas, que o Clube fosse o primeiro a contar com estádio próprio (Estádio “Irani Ferreira Barbosa”), onde hoje, está o Parque Ipiranga, no Bairro Jundiaí. Contava, dentre outros benefícios, com campo gramado e demais dependências para um projeto profissional.
Tempos depois, o Ipiranga adquiriu o Anápolis Tênis Clube, em área contígua ao seu patrimônio e edificou ali um clube modelo, com piscinas, quadras de esportes, salão social e uma série de projetos sociorrecreativos. Foi, também, seu principal momento, com milhares de sócios e a promoção de muitos eventos, dentre eles, os carnavais das décadas de 70 e 80.
Com a desativação do Futebol Profissional, o Ipiranga voltou-se para o esporte aquático, mais especificamente a Natação, criando uma escola bem frequentada e de onde surgiram grandes revelações para esta modalidade esportiva, inclusive em nível nacional. Mas, também, esta fase passou e o clube iniciou uma espécie de atrofia, inclusive dispondo de parte do patrimônio imobiliário. Também, a frequência de associados e dependentes caiu consideravelmente, o que provocou queda nas receitas. Isto, somado a uma série de desacertos ao longo de muitos anos, acabou por determinar o empobrecimento do Ipiranga. Na década de 90, já mergulhado em dívidas altíssimas, o Clube viu ir embora parte de sua área (onde era o Estádio “Irani Ferreira Barbosa”), dada em pagamento de dívidas à Prefeitura (tributos variados), o que culminou com a implantação do Parque Ipiranga há dois anos. Antes, chegou-se a aventar a possibilidade de a Prefeitura vender a referida área para empresas particulares, o que acabou não se concretizando.
Situação hoje
O atual presidente do Ipiranga, Professor Marcos Bonfim, disse que a situação chegou ao ponto extremo e que, com uma dívida calculada em R$ 2 milhões, não resta alternativa que não seja vender o que sobrou do patrimônio. Mas, até esta venda é problemática, pois a área onde o Clube se encontra instalado é de Preservação Ambiental, onde existem, pelo menos, 16 nascentes de água cristalina o que impede uma série de procedimentos, como edificações e obras civis. Com isso, não há, praticamente, nenhum interesse de empresas do setor imobiliário em adquiri-la. A única manifestação, até agora, partiu da Prefeitura (confirmada pelo próprio Prefeito Antônio Gomide) que já anexou parte do estacionamento do Ipiranga, também para receber dívidas e poderia ficar com o restante do patrimônio, anexando-o ao Parque. Só que foi feita uma oferta de R$ 5 milhões, mesmo assim, divididos em uma entrada de R$ 400 mil, referentes a dívidas imediatas para com os procuradores municipais e, o restante, divididos em 35 parcelas. Reunida para discutir o assunto, a diretoria achou baixa a proposta e não se efetivou, ainda tal negociação.
Do que se sabe, a Prefeitura não poderia fazer oferta maior, devido a impedimentos legais, visto que o valor venal do imóvel é, justamente, na faixa dos R$ 5 milhões. O Presidente do Clube, Marcos Bonfim e o Diretor Financeiro, Euri Dias Campos, afirmam que não há outra saída. “Se alguém tiver uma fórmula, uma ideia que nos ajude a sair desta situação, que a apresente. A dívida só está aumentando, não temos receitas a não ser o que entra na bilheteria nos finais de semana, o que não cobre a folha de pagamento. Temos dívidas para com a Receita Federal, Prefeitura, execuções particulares e, até, de um ex-presidente do Clube”, diz o Professor Marcos Bonfim. Segundo ele, caso se efetive a venda, serão quitadas as dívidas e o restante rateado entre os sócios do clube, criando-se uma espécie de sociedade anônima, com cada associado recebendo o que lhe for de direito.

Autor(a): Nilton Pereira

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