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Cinema: Anapolinos ainda não aderiram à “cultura” digital

Geral Comentários 23 de abril de 2015

Para representante do setor, o uso da tecnologia digital nas salas de cinema anapolinas está longe de ser uma “revolução”. Marcos Fernandes Vieira prega, ainda, mais políticas públicas de incentivo à ampliação do número de salas no interior do Estado


“Revolução foi quando surgiu o cinema. Aquela imagem fantástica, de cem anos atrás”. Esta é a declaração de um apaixonado pelo cinema. Marcos Fernandes Vieira é o diretor do Cine Prime, localizado no Anashopping, cujas quatro salas comportam 750 espectadores. “Aquilo foi uma revolução”, destaca. Ele lamenta, ainda, a baixa procura por salas de cinema na cidade. E, relembra cinemas como Cine Roxy; Cine Santana, Cine Vera Cruz e Cine Santa Maria, que, em décadas anteriores, tinham sessões com até duas mil pessoas.
Para ele, as melhorias advindas do cinema digital são reais, com a evolução do sistema de cores e som. O custo para a veiculação dos filmes, também, baixou. Marcos exemplifica a partir da experiência com o Cine Prime. No sistema de películas 35 milímetros, utilizado antes do digital, o custo por aluguel de filme chegava a R$ 20 mil. Apesar das vantagens, o empresário não espera que o público nas salas anapolinas aumente. “Para mim vão melhorar só os custos. Em matéria de trazer mais público para o cinema, deve ficar a mesma coisa”, menciona.
Ele explica a dificuldade em trazer pessoas ao cinema a partir da difusão da tecnologia digital nos lares brasileiros. E, explica que o público tem acesso a um “verdadeiro cinema dentro de casa”. “Hoje, você tem tudo para não vir ao cinema”, continua. A pirataria, também, não ajuda em nada. Marcos Fernandes explica ainda que existe uma “falta de cultura” da população em relação ao cinema. Como exemplo, ele cita o fato de que muitos espectadores, ao chegarem ao cinema e perceberem que o filme é legendado, voltam para casa e desistem desta forma de entretenimento.
Questões econômicas, também, contribuem para o desinteresse. Conforme descreveu, caso o filme não chame a atenção, como as grandes produções, dificilmente as salas irão se encher. Recentemente, em uma tentativa de atrair públicos diferenciados para o Cine Prime, Marcos enviou, como cortesia, 200 ingressos para a Câmara Municipal de Anápolis, que foram distribuídos aos vereadores. “Eles não foram”, conta. Apesar do quadro negativo do cinema anapolino, ele espera “que (a situação dos cinemas) melhore. Que melhore para todo mundo”.

Poder público
O encanto e a fascinação pelo cinema são visíveis nos olhos de Marcos Fernandes Vieira, diretor do Cine Prime. Mas, esta empolgação logo é perturbada quando o cinéfilo se lembra das suas tentativas frustradas de levar à Prefeitura Municipal projetos na área cinematográfica. Ele reclama que investimentos altos são feitos em outras formas de entretenimento, como o futebol. Mas, o cinema é deixado de lado. Ele entende que ações voltadas ao setor poderiam incentivar as crianças: “Desde criança, a pessoa já começa a gostar de cinema, a criar o hábito de vir às salas de projeção”.
Segundo Marcos Fernandes, “antigamente, não precisava disso”, ao mencionar épocas em que as salas ficavam, naturalmente, lotadas. “Bastava abrir as portas do cinema. Poderia estar passando o que fosse. A juventude era cinema”, esclarece ainda. Marcos cobra, também, que o Governo Federal amplie os incentivos para a implantação de salas de cinema no interior do País.

Custos
O cinema digital diminuiu os custos de manutenção das salas. Ao invés dos antigos filmes 35 mm, mais caros, atualmente as produções cabem em dispositivos como os pen-drives. As distribuidoras, no lugar de cobrarem pelo aluguel, ganham, no caso do Cine Prime, 50% do valor arrecadado com a bilheteria de cada sessão. “Em matéria de despesas, o custo (do digital) será menor”, referenda o empresário. As máquinas que rodam filmes 35 mm têm dois motores, para rodar e rebobinar as películas. O custo para manutenção destes aparelhos, em termos de gastos com energia, é maior que o da digital.
O diretor do Cine Prime informa que conta com duas salas funcionando no sistema digital. As outras duas, ainda, rodam os filmes no sistema de película 35 mm. Ele espera, em breve, digitalizar as demais salas. O custo de manutenção do cinema chega a 80% do faturamento mensal.

Autor(a): Felipe Homsi

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