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Cidade tem muitas casas construídas sobre lixões

Cidade Comentários 24 de abril de 2010

Locais de dispensa do lixo urbano em décadas passadas, e que foram aterrados nos anos 90 para a implantação de um novo depósito, podem estar contaminando a água e o solo anapolinos.


A limpeza urbana é um dos carros-chefes da atual administração municipal. As ruas estão mais limpas. O sistema de coleta ganhou mais dinamismo desde que uma nova empresa assumiu a tarefa, via licitação. A eficiência nas ruas da cidade, porém, esconde um fato: antigos lixões, que foram soterrados há anos, estão contaminando o solo e o lençol freático em diversos setores de Anápolis. A tragédia vivida recentemente por moradores de Niterói, no Rio de Janeiro, onde um antigo lixão soterrou casas, matando dezenas de pessoas, faz levantar a discussão sobre o assunto em todo o País. Em Anápolis não é diferente.
Segundo o engenheiro e ex-secretário de Infraestrutura, Fábio Maurício Corrêa, “na década de 90 os lixões a céu aberto foram aterrados. Entretanto, não foi feito um trabalho de retirada dos dejetos”. Para ele, isso ocorreu devido à inviabilidade de realização do tratamento de todo o lixo acumulado durante anos no Município. “Estamos falando de um trabalho enorme; seriam necessários em torno de 100 mil viagens com caminhões caçamba para o recolhimento de todo o material. Sem contar que não existe um local adequado para se colocar tanto resíduo urbano”.
Hoje, a impossibilidade de se limpar as áreas localizadas sobre os antigos depósitos de lixo se dá, também, pelo processo de ocupação urbana. O conjunto “Morado Nova”, que fica próximo ao “Filostro Machado”, é o retrato da situação. Quando da construção do referido conjunto, através do Governo do Estado, houve o questionamento sobre a obra, justamente pela existência do lixão. O trabalho, inclusive, ficou paralisado por um bom tempo. Durante a realização desta reportagem, o Jornal Contexto perguntou a alguns moradores do “Morada Nova” onde ficaria o antigo depósito de lixo do bairro. Todos foram unânimes: o conjunto foi construído sobre o antigo lixão.
Imagens feitas no local revelam que grande parte do lixo soterrado no referido terreno continua intacta, poluindo pequenos reservatórios de água, assim como o solo da região. Ainda, segundo moradores do local, a contaminação da área pode ser comprovada pela impossibilidade de se cultivar plantas no solo que fica sobre os entulhos.

Prefeitura
Para Fábio Maurício Corrêa “com certeza, ainda há a formação de gases e substâncias tóxicas no interior das áreas soterradas”. De acordo com ele, pode haver um agravamento da situação se o lixo for deslocado para as nascentes de água. Isso ocorre principalmente durante os períodos chuvosos intensos.
O diretor de Meio Ambiente de Anápolis, Luiz Henrique Fonseca, porém, afirmou que não há dados suficientes, ou estudos detalhados, sobre a contaminação nas áreas dos antigos lixões. Para ele, uma agravante é a constante mudança de secretários no poder público municipal, o que inviabiliza o acesso a dados antigos na Prefeitura. “Aqui, mudou secretário, temos dificuldades de acesso a informações. Se morrer um secretário, estamos perdidos”, ironizou o chefe da pasta.
Ainda, segundo o diretor de Meio Ambiente, o trabalho é dificultado por causa da quantidade de lixo existente sob as áreas soterradas. “É muito lixo. Retirar todo o entulho escondido é inviável”. Não foram anunciadas por Luiz Henrique, entretanto, que medidas serão tomadas em médio ou longo prazos, para o início da descontaminação dessas áreas.
O diretor ofereceu dados referentes ao trabalho de reciclagem e tratamento do lixo no Município. Hoje, 31 bairros contam com o sistema de coleta seletiva, o que, segundo ele, “não representa nem 10% da totalidade dos bairros”. Além disso, Apenas 2% do lixo da cidade são reciclados.

Especialistas
Estudos apontam que o acúmulo de dejetos urbanos nas áreas aterradas, provoca a contaminação do solo e dos mananciais de água próximos. Além do Conjunto “Morada Nova”, várias outras localidades sofreram processo de aterramento de lixões.
Nas proximidades da Vila Jaiara, junto à bacia do Córrego Reboleiras, havia um depósito. O local era rota de passagem dos aviões que decolavam da Base Aérea de Anápolis. Antes do aterramento, era comum o desvio das aeronaves para evitar a colisão com aves, principalmente urubus, que frequentavam o lixão. O local foi aterrado, mas o lixo não foi tratado.
O agrônomo e professor da Universidade Estadual de Goiás, Iron Francisco Vieira, citou um dos problemas ambientais causados pelo depósito de sujeira em áreas aterradas: “O chorume, líquido de cor escura proveniente da decomposição de resíduos orgânicos, libera gás carbônico (CO2), gás metano e água. Essa mistura dissolve metais, que acabam contaminando o solo e mananciais de água”.
O professor acrescenta que a fermentação das substâncias orgânicas presentes nos antigos lixões pode provocar a queima de madeira e plástico, liberando substâncias altamente perigosas para a saúde humana. “É um problema social, pois temos famílias que vivem próximas ao local e estão em contato constante com as substâncias que são liberadas pelo lixo”.

Autor(a): Felipe Homsi

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