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Cidade precisa melhorar a saúde

Saúde Comentários 03 de dezembro de 2010

Problema enfrentando pela quase totalidade dos municípios brasileiros, a política de saúde pública em Anápolis ainda carece de maior estruturação, muito embora alguns avanços recentes estejam bem visíveis. Há perspectivas de melhoras em curto espaço de tempo


Anápolis paga o preço de estar em posição geográfica estratégica (portal de entrada para o Norte de Goiás e do Brasil, localizada entre duas importantes capitais - Goiânia e Brasília - além de exercer forte influência socioeconômica e cultural sobre mais de 30 municípios da região), também, no desenvolvimento da política de saúde pública.
A insatisfação externada por pessoas que buscam e, às vezes, não conseguem atendimento, demonstra que ainda existe uma grande lacuna a ser preenchida nessa área do serviço público. O Governo Municipal ainda não dispõe da logística adequada para fazer frente à demanda, por conta de diversos fatores, dentre eles, recursos financeiros. Para se ter uma ideia, números da Secretaria Municipal de Saúde apontam que a clientela atendida no Município é estimada em 600 mil pessoas, quase que o dobro da população da Cidade. Com esses números e uma demanda cada vez mais crescente, a necessidade de novos e maiores investimentos no setor acaba por sufocar as finanças do Município que corre contra o tempo, objetivando atender, pelo menos dentro do aceitável, à procura feita para o socorro médico em diversas vertentes. E, um dos motivos é, justamente, o crescimento populacional e a maior densidade demográfica, gerados pela imigração que se observa atualmente. A Cidade recebe uma carga de novos habitantes, oriundos de outras partes do Estado e do País, bem acima da média nacional. As condições de trabalho, por conta do crescimento industrial do Município; de estudo, devido ao grande número de escolas do ensino superior e, de atendimento em setores básicos como a saúde, oferecidas por Anápolis são os fatores determinantes para esta espécie de “inchaço” da população. Calcula-se em 15 mil pessoas, a população flutuante em Anápolis.
E, com o anúncio dos chamados megainvestimentos previstos para curto e médio prazos na região, tem-se como certo que a população aumentará consideravelmente nos próximos anos. É o caso da Ferrovia Norte Sul, a ampliação do Distrito Agro Industrial de Anápolis, da Base Aérea e a implantação da Plataforma Multimodal e do Aeroporto de Cargas. Sem se contar o constante aumento no volume de cursos superiores, que atraem centenas de estudantes de várias partes do Estado e do País.
A Prefeitura não se furta em admitir que enfrenta dificuldades, mas acena para um futuro mais promissor. Agora mesmo, está em andamento a realização de um concurso público para a admissão de mais algumas centenas de novos profissionais, entre médicos, enfermeiros, dentistas, assistentes sociais e uma série de outros servidores para reforçarem o sistema disponibilizado, assim como preencher as vagas que vão surgir, em breve, com a abertura de novos pontos de atendimento. Entre essas novas alternativas estão uma Unidade de Pronto Atendimento (UPA) que será construída com recursos do Governo Federal, na região da Vila Esperança, mas que terá a gestão da Secretaria Municipal de Saúde.
Especialidades
Informações da Secretaria Municipal de Saúde dão conta de que, em poucos dias, estará funcionando um centro de diagnósticos, oferecendo, dentre outros serviços, tomografias computadorizadas, exames complementares de alta resolução, assim como procedimentos até então inalcançáveis para grande parte da comunidade. Estes novos equipamentos já foram adquiridos e instalados, dependendo de poucos detalhes para serem disponibilizados à população. Recentemente, a Prefeitura reativou o serviço 24 horas no Hospital “Doutor James Fanstone”, ou CAIS do Jardim Progresso, desafogando, um pouco, o Hospital Municipal, que recebe a maior carga da demanda pública na região. Além disso, há um esforço maior no sentido de equipar e ampliar o atendimento no Mini CAIS “Abadia Lopes da Fonseca”, na Vila São Joaquim, fazendo-o funcionar, também, 24 horas por dia, a fim de se estancar a demanda procedente da Região Oeste, outro problema enfrentando pela Administração Municipal.
Ocorre que o Município esbarra na falta de recursos suficientes para os investimentos necessários. O dinheiro que vem do Governo Federal, em forma de repasses, contempla a Cidade com base em censos anteriores, quando a população era bem menor do que os 335 mil habitantes de hoje. Diante disso, buscam-se fontes alternativas, principalmente convênios e parcerias com o Governo Estadual, com organizações não governamentais e instituições filantrópicas. Mas, apesar de todas as dificuldades, o Governo Municipal entende que vai ser possível melhorar o serviço hoje prestado à comunidade.
Urgências
De acordo com o a própria Secretaria Municipal de Saúde, os atendimentos ambulatorial e clínico são aceitáveis na Rede Pública de Anápolis. Mas eles podem ser melhorados. Ainda se gasta muito tempo na espera de determinados serviços. O setor de pediatria, por exemplo, é um dos principais gargalos, problema, aliás, enfrentado em nível nacional. Não existem profissionais desta especialidade disponíveis ou interessados em trabalhar nas redes públicas. A alegação principal seria a baixa remuneração oferecida. O mesmo se aplica aos casos de cirurgias, principalmente as de alta complexidade, como as cardíacas. Há também casos de demora em atendimentos para exames laboratoriais, cirurgias eletivas, algumas áreas da medicina especializada e serviços complementares. As reclamações se multiplicam nessas vertentes.
O que mais preocupa, entretanto, é o setor de urgência e emergência. Mesmo com a ativação do Hospital de Urgências “Doutor Henrique Santillo” há três anos, iniciativa do Governo do Estado, entregue à administração da Fundação de Assistência Social de Anápolis (FASA) que já cuida da Santa Casa de Misericórdia, ainda há uma demanda reprimida. É que, grande parte dos pacientes procede de cidades limítrofes e, até, de regiões mais distantes de Anápolis. O Hospital opera em sua capacidade plena, 24 horas por dia. Com isso, existe um pleito junto ao futuro governo (Marconi Perillo) para que dê prioridade à ampliação daquela unidade, sob pena de, novamente, se verificar o aumento do fluxo de pacientes com destino a Goiânia, onde, também, já existe saturação no setor.
Entendem as autoridades municipais que com a ativação da UPA da Vila Esperança, até o final de 2011, haverá uma significativa melhora no atendimento emergencial. Também, com a transformação por que passa o Hospital Municipal, que está ganhando novos equipamentos e serviços, espera-se a satisfação maior da comunidade. A Unidade de Saúde da Mulher, a ser implantada no Bairro Maracanã e a construção de uma nova sede para o Centro de Controle de Zoonoses estão entre os investimentos programados para a área a partir de 2011. Ocorre, todavia, que a questão de saúde pública é, sempre, delicada. Ao paciente, muitas das vezes, não interessa as explicações técnicas. Quem busca atendimento quer ver o problema ser resolvido o quanto antes. E é diante desse dilema que o Governo Municipal tem se debruçado. Conforme se apurou, as expectativas são as melhores possíveis, muito embora se saiba que, instalar, montar e fazer funcionar uma unidade de saúde exige uma série de providências que, nem sempre, se resolvem com facilidade.
Outras áreas
O Governo Municipal prevê para Anápolis, uma otimização crescente para a saúde pública, amparado nas estatísticas dos últimos meses. Os serviços de odontologia, por exemplo, estão sendo ampliados com a disponibilidade de novos postos de atendimento e a contratação de mais profissionais da área. Hoje, o Hospital Municipal “Jamel Cecílio”, por onde passam, em média, 500 pacientes por dia, para atendimentos diversos, já conta com plantão odontológico 24 horas. Da mesma forma, estão sendo implantados importantes projetos na área da Psiquiatria, outra demanda reprimida em Anápolis. Além disso, a Prefeitura informa que vai ampliar a rede de atendimento nos bairros, reforçando os pontos do Programa Saúde da Família (PSF) e criando dispositivos diferenciados para que haja uma redistribuição racional dos serviços, a fim de se evitarem os acúmulos na procura de assistência em determinados estabelecimentos, como é o caso do Hospital Municipal. Entendem os técnicos e especialistas, que muitos casos podem ser resolvidos na região de domicílio dos pacientes, sem a necessidade de grandes deslocamentos.
A Prefeitura alega que gasta acima do exigido por lei, com a política de saúde pública. Além dos recursos próprios, o Município ainda compra serviços de outras instituições, entre particulares e filantrópicas, através de convênios e parcerias. Nisto se incluem as cirurgias de alta complexidade e exames com aparelhos sofisticados. É o caso, por exemplo, de cooperativas médicas, laboratórios e outros prestadores de serviços.
Números
A Rede Municipal de Saúde Pública em Anápolis é a segunda maior do Estado, ficando atrás, somente, de Goiânia. Funcionam 46 postos do Programa Saúde da Família, dezenas de gabinetes odontológicos e três centros de atendimento a pacientes psiquiátricos em geral. Além do Hospital Municipal, existem os CAIS Jardim Progresso e São Joaquim; Unidade de Atendimento à Mulher; Centro de Especialidades Odontológicas; Hospital-Dia do Idoso e uma série de serviços complementares.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, o número ideal de profissionais para o atendimento é satisfatório. O mais importante, no momento, seria a ampliação dos espaços físicos e a oferta de leitos. Anápolis está muito acima da média estipulada pela Organização Mundial de Saúde, no que se refere à proporcionalidade população/médicos. O recomendável pela OMS é um médico para cada mil habitantes.

Autor(a): Nilton Pereira

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