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Cidade necessita de mais cursos profissionalizantes

Cidade Comentários 11 de dezembro de 2010

Em que pese contar com um projeto educacional aceitável para os padrões nacionais, Anápolis, pelo perfil que passou a desenvolver nas últimas décadas, carece de mais alternativas no ensino especializado


Com um parque industrial cada vez mais crescente, inclusive com o aporte de diversos projetos inovadores, como é o caso das indústrias farmacêutica e automobilística em franco desenvolvimento, Anápolis ressente de uma estrutura mais avançada em termos de preparação de mão de obra. A contribuição dada, até agora, por organismos tradicionais, como o “Sistema S” (SESI, SENAC, SENAT, SENAI e similares) acrescido com a chegada, há alguns anos, de Centro de Educação Profissional (CEPA) e, mais recentemente, do Instituto Federal de Educação Tecnológica (Ifet), a estrutura ainda se mostra acanhada ao se projetar o futuro em médio e, em determinados casos, em curto prazo. É que a expansão das empresas existentes e a chegada de novos empreendimentos, alguns de grande porte, têm absorvido todo o contingente disponível. Prova disso é a listagem de ofertas de empregos publicada, diariamente, pelo SINE (Sistema Nacional de Empregos) e por agências especializadas. Sobram vagas, exatamente, pela falta de qualificação em nível médio.
Do outro lado desta avaliação conclui-se que a Cidade é bem servida no que diz respeito à graduação, ou terceiro grau. São dezenas de cursos superiores, incluindo os mais procurados, como Medicina; Engenharia; Farmácia, Odontologia, Direto e outros. Neste ponto, Anápolis está bem à frente de muitas cidades até mais conhecidas na mídia nacional. Para os analistas, o que estaria faltando é, justamente, o setor intermediário, a formação de técnicos para ocuparem as vagas no setor produtivo, o que tem provocado um forte movimento migratório, com agentes de outras regiões do Brasil procurando Anápolis para o preenchimento das referidas vagas. Ocorre, entretanto, que, para se chegar a este nível de ensino, é importante que a educação de base seja de boa qualidade e ofereça, no tempo certo, o quantitativo de estudantes para este ingresso. E, é aí que entra a participação do Estado e do Município. Muito embora alguns investimentos estejam bem visíveis, melhorando, sensivelmente a proposta educacional pública nos últimos anos, ainda resta muito a se fazer. As redes Municipal e Estadual de educação já têm os projetos para este enfrentamento inevitável.
Rede Estadual
O ensino público na chamada estrutura de base, ou fundamental, abrangendo o alunado dos antigos primário e ginasial tem duas tutelas em Anápolis. Uma do Estado, gerida pela Delegacia Regional de Ensino e, outra, do Município, através da Secretaria Municipal de Educação. Juntas, as duas redes administram dezenas de escolas, distribuídas pelo centro, bairros, distritos administrativos e alguns povoados. Na Rede Estadual, além do ensino convencional, funcionam outros projetos complementares, como o EJA (Educação de Jovens e Adultos) cuidando, prioritariamente, da escolarização para pessoas com idade acima da média. A estrutura física, em termos de espaço, é satisfatória na Rede Estadual, embora muitos estabelecimentos sejam inadequados para uma proposta educacional mais moderna. São prédios antigos, muitos deles de concepção disforme e destoante das novas modalidades didáticas. Vários desses colégios estaduais não têm locais para a prática esportiva e, o que é pior: não contam com área de escape para as devidas edificações.
Além disso, nota-se uma espécie de defasagem estrutural. Grande parte das escolas carece, imediatamente, de reformas, ampliações e adaptações. Nos últimos anos o Governo do Estado, via Secretaria de Educação, cuidou de alguns investimentos, reformando por completo alguns estabelecimentos, ao mesmo tempo em que providenciou grandes mudanças em outros prédios. Escolas tradicionais como a “Antensina Santana” e o Colégio Estadual “José Ludovico de Almeida’ foram totalmente reformadas. No Jardim Progresso, a Secretaria Estadual de Educação demoliu a Escola “Herta Leyser” e está edificando um novo prédio, mais moderno e funcional com promessa de funcionar em 2011. Mas, há setores onde as escolas do Governo Estadual são precárias. Algumas delas foram edificadas com a utilização de placas pré-moldadas de concreto, não oferecendo as condições ideais de conforto e segurança para os estudantes que as frequentam.
A Rede Estadual, em Anápolis, tem 51 escolas, incluindo algumas conveniadas e outras que funcionam em parceria com o Município. Uma novidade é que, até 2016, por força de lei, a Rede Estadual repassará a gestão do ensino fundamental (antigo primário) para o Município, o que, por sinal, vem sendo feito paulatinamente. A partir de então, a responsabilidade da Rede Estadual ficará, tão somente, para o ensino médio, ou antigo segundo grau, assim como outras vertentes, o que aliviará, em parte, a necessidade de se criarem vagas ou novas escolas. Isto, sem contar os cálculos com base no Censo 2010 realizado pelo IBGE, dando conta da diminuição das famílias. A demanda por vagas, por conta do menor número de filhos por núcleo familiar, vai provocar uma menor velocidade na busca por vagas.
Números
De acordo com a Subsecretaria de Ensino em Anápolis, nos 51 estabelecimentos sob sua responsabilidade no Município, sendo 41 pertencentes ao Estado e 10 conveniados. (o órgão responde, também, pela Rede Estadual em 11 outras cidades limítrofes) estão matriculados 29.594 alunos, assistidos por 3.097 servidores. São 2.190 professores efetivos e 561 contratados. Atuam, ainda, 907 servidores efetivos e 306 contratados. Além da Escola “Herta Leyser” que está sendo reconstruída, a Subsecretaria está anunciando a ampliação de escolas importantes do ponto de vista logístico, dentre elas, a “Gomes de Souza Ramos”, na região da Grande Vila Jaiara e a “Padre Fernando”, no setor de Vila Formosa. Ainda, de conformidade com a Subsecretaria, para o ano letivo de 2011, cujas matrículas estarão abertas a partir de 10 de dezembro, a princípio, não haverá problema de vagas. As matrículas serão feitas pelo telefone 0800 6456556 ou, pela internet, no endereço WWW.matricula.go.gov.br.

Rede Municipal
A Rede Municipal de Ensino vai aumentar sua oferta de 30 mil, para 33 mil vagas. O maior quantitativo será para as escolas de Educação Infantil, antigas creches. De acordo com a Secretaria, há uma demanda reprimida no setor que precisa ser minorada. Hoje estão matriculadas 1.720 crianças. Para 2011, após a construção de novas e a ampliação de antigas unidades, esta oferta crescerá para 2.407. Serão edificadas cinco novas creches. Mas, de acordo com a Secretária Virgínia Mello, Anápolis necessitaria de nove mil vagas só para a Educação Infantil.
Existem três frentes prioritárias do Governo Municipal para se melhorar a política de Educação Pública sob sua responsabilidade. A primeira delas é a demanda, cada vez mais crescente, para vagas na Educação Infantil (creches). A segunda, é a deficiência que se observa na estruturação das escolas. Muitas delas não atendem satisfatoriamente às condições básicas de saneamento, segurança e funcionalidade. A terceira é quanto à qualidade do serviço oferecido. Em virtude disso, a busca de recursos para a construção de novas unidades passou a ser incessante por parte da atual administração. Algumas construções estão praticamente asseguradas e devem ser iniciadas assim que os entraves burocráticos forem definidos.
Novas vagas
As unidades a serem edificadas fazem parte da segunda edição do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC-2) do Governo Federal e os recursos foram alocados recentemente. Além disso, existe a perspectiva de ampliação de parcerias com o chamado terceiro setor (ONGs, igrejas, lojas maçônicas, sindicatos, etc.) para se aumentar a oferta de vagas nas creches, o maior desafio da Prefeitura. Ocorre que com o mercado de trabalho absorvendo, cada vez mais, mulheres, existe o aumento da demanda para esse tipo de serviço.
Ainda, segundo dados da Secretaria Municipal de Educação, algumas regiões da Cidade estão passando por uma verdadeira explosão demográfica, como é o caso do Setor Oeste. Em 2011, de uma só vez, serão entregues mais de mil casas do Conjunto Copacabana. Isto significa um total aproximado de cinco mil pessoas e, dentre estas, muitas crianças necessitadas de salas de aulas, incluindo creches. A alocação de recursos no Governo Federal passou a ser prioridade do atual Governo Municipal, visando fazer frente à procura de vagas que vai ocorrer em curto prazo.
Mais qualidade
Quanto à qualidade, a terceira meta prioritária, a Secretaria avançou muito nos últimos anos. Além da formação continuada de professores, a aplicação de um plano de carreiras e vencimentos e a formação pedagógica, a qualidade ambiental de muitas escolas foi substancialmente melhorada. Muitas delas já adotaram a informática como regra natural para o bom andamento do serviço. Outras definiram projetos das áreas esportiva, cultural e social. Há uma expectativa de que, em breve, será efetivada a adoção da escola de tempo integral, experiência que já vem sendo feita em algumas unidades.
Mas, o maior avanço na Rede Municipal para 2011 será a aplicação de um concurso público objetivando a contratação de mais 607 servidores, a maioria professores, tendo em vista o crescimento da demanda com as novas escolas a serem construídas e a ampliação de outras. Recentemente, a Rede Municipal adquiriu 16 ônibus zero quilômetro para o transporte de alunos, assim como, investiu na capacitação de professores que ainda não tinham a graduação superior. Hoje, cerca de 200 deles estão cursando faculdade e em pouco tempo a Rede Municipal não terá mais qualquer professor em sala de aula sem a formação acadêmica.

Autor(a): Nilton Pereira

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