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Chuvas castigam Anápolis

Infraestrutura Comentários 23 de outubro de 2010

As pesadas chuvas dos últimos dias reabrem o debate sobre a verdadeira situação do sistema viário de Anápolis. O problema é crônico e exige soluções consistentes. Falta, entretanto, dinheiro para se resolver tudo


A exemplo do que vem ocorrendo há anos seguidos, as primeiras chuvas mais pesadas da atual estação, deixaram um rastro de consideráveis estragos no sistema viário de Anápolis. Não existem, a rigor, culpado ou culpados, diretos pelo problema. É uma situação vivida pela esmagadora maioria das cidades brasileiras, onde falta, desde uma educação ambiental das comunidades à aplicação correta dos recursos destinados às obras de infraestrutura. A maior dificuldade reside na falta de redes coletoras de águas pluviais com funcionamento aceitável. Em Anápolis, o sistema é precário. São poucos os setores onde as águas das chuvas são coletadas correta e satisfatoriamente. Em muitos bairros existe o asfalto, mas não há galerias de captação, o que provoca estragos consideráveis no pavimento de ruas, avenidas e praças, assim como prejuízos para moradores e comerciantes, que vêem seus domicílios invadidos pelas enxurradas.
No domingo, 17, e na terça-feira, 19, a população anapolina reviveu o pesadelo das chuvas. Diversos setores, por demais conhecidos, sofreram, mais uma vez, as consequências da falta de uma melhor infraestrutura. As chamadas regiões baixas, próximas aos leitos dos córregos são as que mais sofrem. Na Vila “Santa Maria de Nazareth”, por exemplo, onde há anos esse problema incide, outra vez, várias casas foram invadidas, algumas delas sofrendo danos irreparáveis. Moradores queixam-se que perderam muito de suas mobílias e equipamentos domésticos.
O mesmo ocorreu na Vila “São Joaquim”, proximidades do Parque Agropecuário, onde, também, foram muitos os problemas. O fato se repetiu na Vila União, no Bairro “Santo André” e em diversos outros setores. Há caso em que o asfalto, feito recentemente, rodou com a força das águas. Na região do Andracel Center, em frente ao Terminal Rodoviário “Josias Moreira Braga”, também se repetiu o drama das enchentes, com moradores sofrendo perdas materiais, além do desconforto. É bom salientar que esta situação se repete a cada ano. Na última estação chuvosa, há aproximadamente um ano, a passagem sobre o córrego “João Cesário”, na Avenida Fayad Hanna, rodou, deixando a pista interditada por vários meses. Além disso, naquela mesma região, domicílios foram invadidos pelas águas e houve perdas para alguns estabelecimentos comerciais. Enfim, é uma situação grave que a Prefeitura volta a enfrentar.
Causas e efeitos
De acordo com técnicos e especialistas da área, o problema é complexo. Nos setores onde existe a coleta da águas pluviais, o sistema é prejudicado por comportamentos errôneos da população. Toneladas de papel; móveis velhos; material sintético; garrafas; latas de bebidas; sobras de material de construção; pneus velhos; galhos de árvores e outros rejeitos urbanos são atirados, aleatoriamente, com grande parte indo direto para as galerias de captação, obstruindo a passagem das águas, em que pese o serviço de varrição e coleta do lixo diariamente, assim como, assoreando os leitos dos córregos. Com a impossibilidade de escorrer pelos canais específicos, a água corre sobre o asfalto, causando os estragos.
Outro fator considerável nesta situação é a falta de galerias em dezenas de bairros. Ao longo dos anos, fez-se o asfalto, mas não se cuidou de instalar-se o sistema coletor. Também como agravante, cita-se a aprovação, no passado, de loteamentos nas chamadas áreas de risco. Há locais impróprios para habitação, mas que contam com dezenas de residências de todos os portes. Esses setores são problemáticos a qualquer chuva mais pesada, pois as casas são invadidas pelas águas e pela lama. Há, ainda, outra situação a considerar, partindo-se do princípio de que não existe em Anápolis um plano diretor de saneamento, tendo em vista não se tratar de uma cidade planejada. Os setores foram sendo criados de forma aleatória, muitos deles irregularmente.
Solução
Há anos as seguidas administrações vêm tentando resolver o problema. Em muitos casos, isto até já ocorreu, como nas passagens sobre o Córrego “Monjolo”, região Sudeste. Foram feitas várias pontes, permitindo-se o escoamento das águas do citado ribeirão, que se avolumam com as chuvas. É o caso da Rua Seis; Rua Pérola; Rua Anhanguera; Avenida Brasil, Rua Amazílio Lino de Souza e outras. Também na Alameda Brasília, Bairro Nova Alexandrina, uma passagem sobre o Córrego “João Cesário” resolveu o problema das inundações. Recentemente foram feitas as passagens sobre o mesmo Córrego “João Cesário” na Avenida Universitária, na Avenida João de Souza Ramos e na Avenida Fayad Hanna.
De acordo com a Prefeitura, vários outros setores ainda carecem de obras desse porte. É o caso da Avenida “Dona Elvira”, na Vila “Santa Maria de Nazareth” onde, há décadas, a população sofre com enchentes e inundações. Mas, segundo o Governo Municipal, são obras de grande porte, que dependem de altos investimentos, com o que o Tesouro Municipal não pode arcar no momento. A solução tem sido buscar recursos junto aos ministérios em Brasília e nas parcerias com o Governo do Estado. Isso, todavia, não se resolve facilmente, pois se depende, muito da força política do Município. Para o ano de 2011, estão alocadas várias verbas com o objetivo de se financiarem obras de saneamento e infraestrutura na Cidade. A urgência é maior, tendo em vista a proposta de crescimento a curto e médio prazos que há, com os chamados mega-projetos, dentre eles a ampliação da Base Aérea, o funcionamento da Ferrovia Norte Sul, da Plataforma Multimodal e, vários outros empreendimentos econômicos. Isto vai exigir mais moradias, mais ocupações de espaços urbanos com novos projetos, o que enseja agilidade por parte do poder público.

Autor(a): Nilton Pereira

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