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Chico Padeiro

Boa Prosa Comentários 10 de setembro de 2010

A não ser ele próprio parece que, mais ninguém, sabia seu nome de batismo, ou de registro.


A não ser ele próprio parece que, mais ninguém, sabia seu nome de batismo, ou de registro. Certamente que era Francisco, por conta do apelido. Mas, o sobrenome, nem os adultos, nem as crianças da época tinham conhecimento. Era “Chico Padeiro” e, pronto! Logo pela manhã, ele percorria as ruas da Vila União, carregando nos braços uma enorme cesta (coberta com um impecável pano branco) que continha de tudo: pão, bolo, biscoito, suspiros, brevidades e outras guloseimas que as famílias compravam. Tudo feito artesanalmente por sua mãe, que trabalhava a noite toda. Naquela época, década de 60, não existiam as panificadoras de hoje. O lanche matinal era vendido de porta em porta. Isso para quem tinha dinheiro, ou tinha crédito. Muitos se contentavam com uma farofa de ovo, ou, quem sabe, um biscoito de polvilho, frito, feito, geralmente, pela dona da casa.
“Chico Padeiro” era, por assim dizer, uma personalidade marcante na região. Chovesse, ou fizesse sol, cinco e meia da manhã ele já estava batendo às portas das casas, com gestos finos, gritando “Padeeeeeeiro...”. E, assim foi por muitos e muitos anos. Outra particularidade do “Chico” e que chamava a atenção de todos. Ele tinha uma deformidade física. Era bem corcunda. E, quando a meninada perguntava: “O que foi isso em você, Chico?”, ele apenas respondia: “É de nascença...” E encerrava o papo ali mesmo. Um dia, Chico não apareceu. No dia seguinte, também não. Todos ficaram preocupados e foram ver o que havia ocorrido. Em casa, ao lado da mãe (não tinha mais o pai), já velhinha, “Chico” estava agonizando, passando muito mal. Providenciaram a remoção para o Hospital Evangélico, onde ele ficou internado. Estava com câncer. Poucos dias depois “Chico Padeiro” morreu. Por durante muitos anos, os moradores da Vila União ainda falavam sobre ele, com aquela saudade que só dá em gente simples. (do livro “Vila União” - inacabado)

Autor(a): Nilton Pereira

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