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Cerco ao crack tem ações efetivas em Anápolis

Polícia Comentários 12 de outubro de 2013

Com recursos do Governo Federal, equipes de combate à mais terrível das drogas estão prontas para entrarem em ação


Policiais - civis e militares - além de bombeiros militares participantes do Curso Nacional de Multiplicador de Polícia Comunitária – “Crack, é possível vencer”, receberam na quinta-feira, 10, seus certificados de conclusão. O treinamento foi iniciado no dia 09 de setembro e é uma das ações previstas na execução do programa do Governo Federal adotado pela Prefeitura de Anápolis. Nas aulas com carga total de 160 horas, os agentes foram treinados para trabalharem nas áreas de uso do crack, com o objetivo de facilitar a integração entre as ações das políticas de saúde, de assistência social, de prevenção e de segurança pública. De acordo com o GGIM (Gabinete de Gestão Integrada Municipal) o programa prevê a realização de parcerias com os estados, municípios e a sociedade, visando a atenção à problemática dos narcóticos, em especial ao crack, em três eixos: prevenção, cuidado e segurança.
O Ministério da Justiça vai promover a capacitação de profissionais para atuarem na base móvel, prevista para ser instalada em Anápolis até agosto do ano que vem. Esta base contará com o suporte de 20 câmeras de videomonitoramento; duas viaturas; duas motocicletas, 50 pistolas de condutividade elétrica e 150 sprays de pimenta. Outras áreas que constituem a política de atuação do programa estão ligadas à assistência social e de saúde. Até 2014, investimentos de R$ 6 milhões serão destinados ao Município nestes dois segmentos na promoção de ações que garantam o cumprimento do programa. Na assistência social, os recursos serão investidos no fortalecimento das instituições que trabalham com o encaminhamento, intervenção e reinserção social de dependentes de substâncias psicoativas. Já, na saúde, a verba será aplicada em projetos que tratam diretamente a atenção à saúde mental dos usuários.

Conhecendo o crack
O crack (também chamado de pedra ou rocha) é cocaína solidificada em cristais, o nome crack deriva do barulho peculiar ao ser fumado. Trata-se da conversão do cloridrato de cocaína para base livre através de sua mistura com bicarbonato de sódio e água. É, ainda, a forma de cocaína mais viciante e também a mais viciante de todas as drogas. As pedras de crack oferecem uma curta, mas intensa euforia aos fumantes. O crack apareceu nos Estados Unidos, primeiramente, em bairros pobres de Nova Iorque, Los Angeles e Miami, no final de 1984 e 1985. No Brasil, ele passou a ser conhecido a partir dos anos 90.
As informações sobre a chegada do crack ao Brasil vêm da imprensa leiga ou órgãos policiais. A primeira apreensão da substância aconteceu em São Paulo e está registrada nos arquivos da Divisão de Investigação sobre Entorpecentes em 1990. Algumas evidências apontam para o surgimento da substância em bairros da Zona Leste da cidade, para depois alcançar a região da Estação da Luz (que ficou conhecida como Cracolândia), no centro da cidade. Depois se alastrou por todo o Território Nacional, inclusive para as áreas rurais.

Como é
As características mais puras mostram as pedras de crack semelhantes a cristais brancos, com bordas irregulares, com uma densidade ligeiramente maior do que cera de vela, ou ainda, se assemelham a um plástico duro e quebradiço. Formas mais puras de crack se afundam na água ou se derretem nas bordas quando perto de uma chama.
De acordo com estudos oficiais, o surgimento do crack foi a solução encontrada para o problema do preparo da pasta básica para consumo. Os traficantes, então, passaram a vender doses bem pequenas da droga por um preço bem baixo, em média, três dólares. Para o consumo inalatório da droga (aspiração), são utilizados cachimbos elaborados pelos próprios usuários, geralmente de alumínio e compartilhados entre o grupo de uso. Também é comum o consumo de cigarros convencionais, ou de maconha, com fragmentos de pedras de crack. A forma injetável desta droga não teve sucesso e foi quase extinta no Brasil.

Com age
Os efeitos iniciais do crack são mais rápidos e intensos que os experimentados pela injeção endovenosa de doses equivalentes. A duração dos efeitos é muito curta, em média cinco minutos, enquanto a cocaína, depois de injetada ou usada por via intranasal, provoca efeitos com duração em torno de 20 a 45 minutos. Os efeitos causados pelo crack são: euforia; agitação; sensação de prazer; irritabilidade; alterações da percepção e do pensamento; taquicardia e tremores; perda de apetite; extrema autoconfiança; insônia e estado de alerta e aumento de energia/disposição física. Grandes quantidades podem induzir a tremores; vertigens; espasmos musculares; paranoia, ou com doses repetidas, uma reação tóxica muito parecida com intoxicação por anfetamina. O uso regular do crack pode provocar alucinações e causar comportamentos violentos, episódios paranoicos e, inclusive, impulsos suicidas.

O tratamento
Atualmente várias abordagens de tratamento para dependência de crack vêm sendo discutidas no Brasil. Porém, existem muitas controvérsias sobre qual delas tem maior efetividade na literatura científica. Há um consenso de que a dependência de crack exige um tratamento difícil e complexo, por ser uma doença crônica e grave que deverá ser acompanhada por longo tempo. Não existe um único tratamento para eliminar o vício. O dependente precisa ser atendido nas diversas áreas afetadas, tais como: social; familiar; física; mental; questões legais, qualidade de vida e trabalho de estratégias de prevenção de recaída. Devido aos baixos índices de motivação do dependente e, consequentemente, pouca aderência do paciente ao tratamento, a família e a rede social de apoio exercem um papel de fundamental importância durante o processo de intervenção terapêutica. Contudo, a maioria dos estudos de revisão sobre famílias de dependentes químicos confirma que o universo familiar dessa população é frequentemente disfuncional. Outra dificuldade no tratamento do vício de crack é a ausência de uma medicação específica que reduza o desejo pelos efeitos dessa substância. Inúmeros ensaios clínicos já foram realizados com antidepressivos tricíclicos: imipramina; inibidores seletivos de recaptação de serotonina-ISRS: fluoxetina, sertralina e paroxetina; anticonvulsivantes e estabilizadores de humor: carbamazepina, gabapentina, lamotrigina, lítio; antipsicóticos e agentes aversivos, como o dissulfiram. Contudo, os resultados não mostraram qualquer sucesso.

Epidemiologia
Pesquisas recentes mostraram aumento no uso do crack, por exemplo, no Canadá. Lá, um estudo com moradores de rua, mostrou que 52,2% deles tinham consumido a droga nos últimos seis meses. Em Toronto, 78,8% dos entrevistados relataram ter fumado crack nos últimos seis meses (15).
No Brasil, um trabalho de 2011, examinou a taxa de mortalidade, os indicadores de mortalidade e as causas de mortes entre 131 pacientes dependentes de crack que procuraram tratamento durante meados dos anos e revelou que o perfil predominante do usuário foi: homem; jovem com menos de 30 anos; solteiro; de baixa classe socioeconômica; baixo nível de escolaridade; sem vínculos empregatícios formais e, em geral, isolado socialmente. No dia 19 de setembro deste ano, o Governo Federal do Brasil apresentou os resultados das pesquisas “Estimativa do número de usuários de crack e/ou similares nas capitais do país” e “Perfil dos usuários de crack e/ou similares no Brasil” que fazem parte do programa nacional de prevenção e pesquisa "Crack, é Possível Vencer" lançado em 2011.

Autor(a): Nilton Pereira

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